terça-feira, 29 de setembro de 2009

Heinrich Heine

"A minha disposição é a mais pacífica. Os meus desejos são: uma humilde cabana com tecto de palha, mas boa cama, boa comida, o leite e a manteiga mais frescos, flores na minha janela e algumas belas árvores em frente da minha porta; e, se Deus quiser tornar completa a minha felicidade, conceder-me-á a alegria de ver seis ou sete dos meus inimigos enforcados nessas árvores. Antes da sua morte, eu, tocado no coração, perdoar-lhes-ei todo o mal que em vida me fizeram. Deve-se, é verdade, perdoar os inimigos – mas não antes de terem sido enforcados."

Heinrich Heine

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

o príncipe encantado

o príncipe encantado existe.
de facto existe pelo menos cinco príncipes encantados... e o erro é pensar que só há um! ...
é interessante enumerar os moços:
o primeiro aparece aos 16 anos. a moça está no pátio do liceu e lá vem ele, qual cavaleiro andante, rocker ou motard ou futebolista, lindo, sempre lindo. terá um fanico, as pernocas a tremer, a vagina que se baba… sim a menina está apaixonada, eis o homem que acredita será o seu homem para todo o sempre, até que a morte os separe. é claro que a puta da mamalhuda da carteira do lado o vai roubar e terá de curar esse mal de coração que durará anos até que virá o segundo; aparecerá aos 25 anos. a moça está no trabalho e lá vem ele, iupi, voraz, dinâmico, corretor de bolsa, homem seguro, demasiado seguro para a idade, lindo, ainda lindo.
o terceiro príncipe, o salvador dos sonhos, aparece aos 35 anos. a moça está na net, no trabalho, no supermercado, na creche, no mestrado e lá vem ele, calmo, amadurecido, responsável, dinâmico, homem seguro, de bem com a idade, atraente, bastante atraente de preferência culto, bom de vinhos e de cama.
o quarto aparece aos 45 anos, é o príncipe mais estranho. a moça está no café, na net, na praia, com as amigas num restaurante e lá está ele, 45 anos, desportivo, ainda viril, demasiado rejuvenescido para a idade, o compincha para viver ainda umas aventuras, na cama e fora dela. já não importa se foi ou é bem sucedido. já não é belo mas ainda é atraente.
finalmente virá o quinto príncipe, o reformado com genica, o príncipe para partilhar a cadeira junto à lareira, o amigo para fazer umas viagens. já não importa nada do que importou antes nos outros quatro...
1. o motard
2. o iupi
3. o homem realmente seguro
4. o eterno adolescente
5. o homem normal com saúde e vigor aos 60 anos
o ridículo é que todas me dizem que encontrarão um príncipe, um só, um que será um motard aos 16 e que aos 25 será iupi, aos 35 um homem realmente seguro, aos 45 um adolescente e aos 60 um velhote cheio de genica!
foda-se!
não terão cérebro ou os estrogénios têm vida própria?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

11 de Setembro, areeiros de cima

Areeiros de Cima votou massivamente pela independência (96%) da Catalunya.

realizada dois dias depois do 11 de Setemdo ("la diada") e com os manifestantes da falange de visita à aldeia tinha de dar nisto, uma votação demasiado expressiva na independência.

na verdade acho que os "polacos" quando virem o que perdem em ser independentes serão bem mais comedidos na paixão pela liberdade.

mas é interessante, como notou um destes dias um amigo que as histórias das esquerdas e das liberdades passem tantas vezes pela Catalunya…

sábado, 12 de setembro de 2009

D/s, vamos?


todas as relações amorosas são, em maior ou em menor grau, relações de Dominação de um e submissão de outro (D/s) e as relações D/s são relações amorosas como outras quaisquer.
depois de um parágrafo tão tautológico é exigível uma explicação (aviso os espíritos BDSM mais inocentes que tautologia nada tem a ver com tautau tal como desabrochar nada tem a ver com tirá-Lo da boca).

simplificando, os Homens são animais sociais que se movimentam subjectivamente em espaços (esferas), a esfera social, a esfera íntima e a esfera sexual, cada uma delas com códigos e rituais próprios (esta não é de todo a minha praia teórica!). as relações de amor entre um homem e uma mulher* ocupam ostensiva e extensivamente as três esferas; sendo das mais completas, complexas e exigentes relações que o ser humano é capaz, os equilíbrios de poder são difíceis e desejáveis.
Mas que equilíbrio de poder?
evidentemente um equilíbrio subjectivo, nominalista e centrado num pacto erótico sinalagmático!
o que é equilíbrio para dois não é equilíbrio para todos; se uma das partes deixa de respeitar o pacto este considera-se imediatamente sem efeito desobrigando a outra parte ao seu cumprimento (característica básica dos pactos sinalagmáticos).
por outro lado creio que os seres humanos vêm geneticamente programados para um equilíbrio de poder que se reproduziu através das instituições sociais (casamento, machismo, fantasias teístas, etc…) que serviram bem os nossos antepassados e nos foram legadas como cimento da nossa intersubjectividade. a estrutura básica era simples:
a esfera sexual era do domínio da mulher que via o seu poder totalitário contrariado aqui e além por preceitos sociais machistas inaplicáveis ou pelo recurso igualmente inviável, a longo prazo!, à violação dentro do matrimónio.
a esfera íntima é, desde a caverna, uma esfera em que a mulher é senhora absoluta – consigo imaginar deliciado, dez mulheres Neandertal a tentar pôr-se de acordo com a disposição das pedras no solo da caverna ou a decoração do interior da coisa!
a esfera social era o domínio do macho, desde a porta da caverna até à barbárie da guerra. ah, a apetecível esfera social!
é evidente que o modelo tradicional entrou em colapso total e só vale pena perder tempo com ele porque a grande maioria das instituições sociais que o serviam continua activa e é modelo de base das nossas sociedades:
monogamia, fidelidade, paternidade presumida, casamento, amor romântico até que a morte nos separe como modelo comum e desejável para todos, etc…, um corrupio de barbaridades.
surpreende-me a lentidão com que se popularizam instituições sociais alternativas quando, pelo menos no Ocidente, as mulheres há mais de uma geração que obtiveram paridade total na esfera pública (a visualização estatística dessa paridade demorará ainda uma geração nalgumas zonas do sócius, é natural, é preciso remover de lá os nossos pais e avós).
espero ter deixado claro porque considero todas as relações de amor, entre um homem e uma mulher, relações de dominação e submissão com configurações assimétricas em função da esfera em que decorre a interacção.

obrigados a partilhar o poder com as suas parceiras amorosas na esfera social, para onde se vira agora a vontade de poder dos homens?
como reinventar o tão desejável equilíbrio entre dois parceiros amorosos?
para ser sério não sei responder a esta pergunta; suponho que cada díade resolverá à sua maneira este problema, tenho visto imensas soluções felizes e um corrupio de soluções infelizes. em geral as relações D/s enquadram-se no primeiro tipo. D/s, vamos?
mas vamos como e para onde?
vamos sob contracto, de látego em punho, felizes para sempre até que a morte nos separe?
era bom sim, teríamos descoberto a fórmula mágica, mas tenho más notícias.

nas últimas décadas começou a proliferar uma nova configuração de relações de amor a que se convencionou chamar relações D/s, configuração ancorada nos preceitos e regras da comunidade BDSM. relações de transferência de poder mais ou menos extrema da mulher para o seu parceiro. espero que estas relações se popularizem, agrada-me o carácter consciente e a clareza e liberdade dos pactos eróticos que as engendram. nesta configuração a mulher cede parte, ou a totalidade, do seu poder tradicional na esfera sexual e íntima. na esfera social a paridade tem de ser regra entre adultos livres e responsáveis. acho uma irresponsabilidade contratar relações de poder assimétricas na esfera social. ver transferências de poder no espaço público entristece-me tanto no modelo tradicional como noutro modelo qualquer.
mas as relações D/s, mesmo em casos extremos (estou aqui a pensar num contracto de escravatura consentida à semelhança de um "code noir" da Louisiana que regia as relações entre donos e escravos) não coloca os amantes ao abrigo do tempo, a realidade dura dos ritmos do desejo, a química do amor:
18 a 36 meses de paixão a que se segue o amor ou a extinção.
e sempre, sempre!, o sangue arrefece e os corpos aquietam-se.
pergunto agora, como pode um ser sobreviver ao amor depois de ter conhecido e provado a paixão, a entrega e a posse numa relação D/s?
como escapar à tentação de repetir tudo outra vez, deixando o território cálido bem conhecido para encontra tudo novamente noutro ser?
como aceitar um terceiro incluído numa relação que foi desenhada para dois?
como recalcar todos os estados de paixão nascentes?
parece-me pobre, o amor, só o amor, parece-me um estado de alma pobre, perdoem-me os corações românticos…



* é uma limitação severa deste texto, restrinjo-me a relações D/s entre homens e mulheres em que se dá transferências de poder da mulher para o homem de forma consciente e consentida.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

meia-noite

Uma lagoa de prata,

um cálice de vinho dourado.

Cheguei em desassossego,

não partirei enquanto não estiveres comigo.


Escreveste à mãe dos homens

e lhe disseste da decepção

de teres nascido

na noite, a meio da noite.


Querias perguntar-lhe quem és

quem andas a enganar

e não passaste dum suspiro d'assentimento

tu, homem-lobo num fato de fogo,

enquanto os dias dão lugar (pacificamente)

à poesia e ao delírio

aos soluços e à noite dos homens

tu, quem és tu?


(É meia-noite e a meio da noite

já se acredita até na madrugada...)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

os homens ficam menos inteligentes após falar com mulheres atraentes

infelizmente é verdade, o que dá uma terceira razão para os homens continuarem a criar gajas boas*.

no artigo "Interacting with women can impair men’s cognitive functioning" publicado no Journal of Experimental Social Psychology, lemos esta triste verdade.

o resumo:
"... mixed-sex interactions may temporarily impair cognitive
functioning. Two studies, in which participants interacted either with a same-sex or opposite-sex other,
demonstrated that men’s (
but not women’s) cognitive performance declined following a mixed-sex
encounter. In line with our theoretical reasoning, this effect occurred more strongly to the extent that
the opposite-sex other was perceived as more attractive (Study 1), and to the extent that participants
reported higher levels of impression management motivation (Study 2). Implications for the general role
of interpersonal processes in cognitive functioning, and some practical implications, are discussed."

aqui podem consultar o artigo

contudo escapou um pormenor importante aos cientistas:
não há homens pouco atraentes em Portugal, as portuguesas é que bebem menos do que deviam...

* num post anterior escrevi:
"porque insistem os Homens em construir gajas boas?
antes de mais porque são e sempre foram gozadores de focinho de porco, estão longe de ser gourmets sexuais e depois porque a asneira é livre!"

domingo, 6 de setembro de 2009

lida da casa

vou tomar café à Brasileira do Chiado.
es
tive a aspirar a casa e a lida da casa perturbou-me!
ago
ra terei de ir espancar uma mulher para recuperar a masculinidade desvanecida pelo uso da vassoura, do pano e do aspirador.
por isso pobre rabo que
se cruzar à minha frente na Brasileira!
ai ai!
dois
dias de ui ui ui ao sentar-se!

a propósito, conhecem a história do passarinho Ui Ui ?
era u
m passarinho muito lindo que cantava muito bem e voava maravilhosamente mas ao pousar em vez de cantar piava de forma aflitiva:
ui ui ui ui ui
ui…



passarinho Ui Ui fêmea






passarinho Ui Ui macho
(a parte pintalgada são os tomates)

gajas boas

acaba o Verão e lentamente, da mesma forma que se extingue a flauta do Deus Dionísio, começa a decrescer o rácio de gajas boas (GBs) por gajas normais*.
e é fácil perceber o porquê desta diminuição, basta aprofundar um pouco mais conceito de gaja boa (GB).
gaja boa é uma noção fluida (há duas horas que penso numa axiologia minimamente consistente e nem vislumbre dela). ser gaja boa é antes de mais ser reconhecida como gaja boa.
antes de mais uma GB é uma gaja que crê ser uma gaja boa, é reconhecida pelas outras gajas como uma GB e tem algum feedback masculino, a saber, é atraente, é desejada na rua e já foi capaz de seduzir alguns homens reconhecidos como atraentes [aqui já estamos em terreno pantanoso, qualquer mulher com um bom waist-hip ratio, um rosto bonito, uns seios bem feitos, etc…, consegue produzir o mesmo efeito sem ser uma GB].
fixemos então que ser uma gaja boa é apenas sentir-se uma gaja boa.
mas o que é efectivamente uma gaja boa? como é a génese da sub-espécie?
não há geração espontânea de GBs. os responsáveis são a mamã, o papá da menina e a baixa autoestima sexual dos homens portugueses (desconhecem o poder que tem um corpo de macho, um corpo bem treinado, umas mãos hábeis e uma língua destra sobre uma mulher), sempre pródigos em salamaleques perante a remota hipótese de aconchegarem o seu José Tranquilino,, entre as coxas de uma mulher (de preferência as de uma GB).
Mas como todas as mulheres sabem uma gaja boa é quase sempre uma construção temporária, resulta de horas de caros cuidados diários e de anos de treino em esconder os defeitos físicos; rugas, veias salientes, um narizes aduncos, mãos feias, pés ossudos, celulite, cintura demasiado larga, pouco rabo, varizes, cabelo estragado, cabelo branco, dedos tortos, pernas demasiado finas ou demasiado grossas, lábios demasiado finos, etc…, uma infinidade de defeitos que reduzem rapidamente uma GB a uma gaja normal após a primeira sessão de cama. a intimidade é como o algodão, nunca engana!
acrescente-se ao acto de esconder os defeitos o de sobrevalorizar os sinais sexuais exteriores e não é nenhuma surpresa que quando acabam as férias e o Deus deixa de soprar a sua flauta comece a diminuir o número de gajas boas.
desmorona-se a construção. um libertino, um gourmet sexual (GS) não dá preferência às gajas boas, pelo contrário, com saudáveis excepções, tende a evitá-las.
e porquê?
são caras?
são difíceis de seduzir?
não, pelo contrário; há gajas boas para todas as bolsas e qualquer sedutor sabe que é mais fácil seduzir uma mulher que se considera atraente do que seduzir uma que não se considera atraente.
o gourmet sexual (GS) evita as gajas boas pela simples razão que propiciam pouco prazer na intimidade, porque são quase sempre fraquíssimas amantes quando não são mesmo casos clínicos, anorgásticas ou frígidas (há vários trabalhos que mostram que as mulheres mais atraentes têm menos relações sexuais, apesar da muito maior oferta de parceiros e tiram daí menos prazer que as mulheres menos atraentes). não sei explicar o porquê deste dados estatísticos, mas diria que não há boa amante sem sensibilidade e inteligência e em geral estas duas qualidades estão muito sub-representadas na categoria GBs mas admito que posso estar errado, de todo não é esta a minha praia.
a pergunta sacramental que homens e mulheres se deviam fazer quando se cruzam em algum lugar é:
quanto prazer me pode dar este ser?
a experiência mostra-me que as gajas boas ficam quase sempre bastante mal nesta fotografia, têm libidos objectais débeis** e libidos narcísicas fortes. são uma fonte de problemas e não de deleite para o homem-espelho que escolherem.

porque insistem os Homens em construir gajas boas?


antes de mais porque são e sempre foram gozadores de focinho de porco, estão longe de ser gourmets sexuais e depois porque a asneira é livre!



* rácio vem de razão, relação entre dois conjuntos, calcula-se fazendo a divisão entre o número de elementos de um conjunto e o número de elementos do outro. se por exemplo há uma gaja boa e uma gajas normal o rácio será 0.5 (50%); se há uma gaja boa e três gajas normais o rácio será 0.25 (25%).


** "É, (…) em Sobre o Narcisismo: uma introdução, que o conceito de narcisismo é inserido no conjunto da teoria psicanalítica, (…) Freud discute a possibilidade que a libido tem de reinvestir o ego desinvestindo o objecto. (…) quanto maior o investimento no objecto, mais se dá a retirada da libido sobre o sujeito e vice-versa.


P.S.: por definição uma mulher bela não é forçosamente uma gaja boa [basta que não acredite ser uma GB e automaticamente não o é]. é aliás curioso constatar que mulheres belíssimas não se consideram gajas boas e autênticos estafermos despidos sejam gajas boas.


P.P.S: as feias que lerem este post e ficarem deliciadas, não se precipitem já. um GS evita as feias, são difíceis de levar para a cama e é impossível tirá-las de lá!