sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Até no Brasil, "Mulher bate mais em briga de casal, indica pesquisa"

apesar da indulgência da jornalista o texto resumo da tese de doutoramento do moço (orientado por uma mulher!) lá vai correndo. os 3 textos finais sob a forma de link são excelentes.

Mulher bate mais em briga de casal, indica pesquisa

Pesquisa inédita revela que o consumo de álcool está relacionado a 9,2% das agressões femininas
Laura Diniz, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - As mulheres reagem mais em brigas de casal. A diferença é que as agressões delas contra os companheiros, mais constantes, são leves, como empurrões e tapas, e as deles, mais graves e violentas. A revelação consta do 1º Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool no Brasil, feito pelo médico Marcos Zaleski, a partir de entrevistas com 1.445 pessoas em todo o Brasil.

O estudo, feito com apoio da Unidade de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), revelou que 5,7% das entrevistadas admitiram ter batido pelo menos uma vez em seu parceiro nos 12 meses anteriores à entrevista. No caso dos homens, o índice foi de 3,9%. "Foi uma surpresa. Todos imaginavam que o número de homens agressores seria maior que o de mulheres", diz Zaleski.

No total das agressões - que inclui episódios em que a pessoa bateu, apanhou ou houve violência mútua -, a mulher também aparece como mais impetuosa. Elas se envolveram em 14,6% dos casos de Violência entre Parceiros Íntimos (VPI) e eles, em 10,7%.

A questão da bebida é controversa. Mulheres assumiram estar embriagadas em 9,2% das brigas com violência - homens disseram que suas parceiras haviam bebido em 30,8% dos casos. Eles admitiram ter bebido em 38,1% dos episódios de VPI, mas elas rebateram que o parceiro estava embriagado em 44,6% dos casos. Vale destacar que apenas um dos parceiros foi entrevistado por domicílio, ou seja, os números não retratam os dois lados da mesma moeda.

O médico explicou que "a mulher se descontrola mais facilmente por inúmeras razões, inclusive a provocação do marido, enquanto os homens se descontrolam mais sob o efeito do álcool". Segundo Zaleski, os números podem expressar certa subnotificação dos homens em relação à agressão e ao uso do álcool, mas isso é comum nos trabalhos científicos. "É o que chamamos de limitação de estudo. Não há instrumentos para medir se a pessoa está falando a verdade."

Para tentar minimizar esse efeito, todas as entrevistas foram consentidas, tiveram o sigilo de informação preservado e as pessoas estavam sozinhas, em um lugar neutro. "O resultado da pesquisa reflete um padrão internacional. No entanto, para confirmar exatamente os números, teremos de fazer outros estudos a cada cinco anos."

A psicóloga Ilana Pinsky, orientadora do trabalho do médico, explica alguns números estranhos ao senso comum. "Culturalmente, não é tão pesado para as mulheres assumirem que batem, até porque elas vêem as agressões como leves. No caso dos homens, é mais complicado, porque o ato é tido como mais violento, que machuca. Mas outros estudos, até internacionais, mostram números em proporções semelhantes, inclusive com casais."

Segundo Ilana, outras ressalvas são importantes: muitos homens podem ter dito que suas parceiras estavam bêbadas quando os agrediram para justificar o fato de terem apanhado. Da mesma forma, elas podem ter ficado constrangidas em admitir o uso do álcool, muito mais associado aos homens.

A diretora do escritório regional do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) no Brasil, Ana Falú, recebeu com receio o resultado da pesquisa. Ela disse que deve ser considerada a informação de que a mulher pratica violência leve e o homem, mais grave."Nunca vi homem paraplégico por violência praticada pela mulher, mas o contrário é comum."

Segundo Ana, para que os números não distorçam a realidade, "o principal é saber onde se iniciou o ciclo da violência e em que momento essas mulheres resolvem reagir com um tapa". Ela explicou que todos os estudos nacionais e internacionais sobre o assunto apontam que o ciclo da violência familiar se inicia com agressão, mesmo que psicológica, de alguém de dentro da relação - "normalmente dos homens, pois eles se sentem no direito de ter controle sobre o corpo e a vida das mulheres."


Veja também:
link ''Ele me mandou calar a boca. Dei um soco'' 
link ''A primeira coisa a fazer é melhorar o diálogo'' 
link 123 mulheres em cárcere privado. Só no ano passado 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Elegy

bem sei que nasci para ser um bruto mas às vezes vacilo e vou ver uns filmes menos abestalhados. entre esses, durante muitos anos foi "Europa" do Lars von Trier o meu film dei filmi. foi-o por muitas e boas razões, umas estéticas (a sequência hipnótica do início, o uso do preto e branco e da cor, a sequência dos jovens protagonistas a fazer amor  enquanto o pai se suicida numa orgia de sangue na banheira no andar de baixo, o dilema moral do final, etc...) outras pessoais (ser um pedaço alemão e carregar parte daquela culpa de ter nascido na Alemanha de um pai admirador sincero do modelo viril do homem nacional socialista - aos ignorantes e preconceituosos aconselho uma cura de "Olympia" de Leni Riefenstahl)
mas, vi "Elegy" há dois anos, um filme da enorme Isabel Coxet e de seguida vi "Venus". o efeito combinado dos dois filmes com o meu envelhecimento cada vez mais evidente e na altura uma namorada muito mais nova do que eu  fizeram-me colocar "Elegy" no lugar de filme entre os filmes.


deixo-vos uma sucessão de falas do filme:

David Kepesh: When you make love to a woman you get revenge for all the things that defeated you in life.


George O'Hearn: Beautiful women are invisible.
David Kepesh: Invisible? What the hell does that mean? Invisible? They jump out at you. A beautiful woman, she stands out. She stands apart. You can't miss her.
George O'Hearn: But we never actually see the person. We see the beautiful shell. We're blocked by the beauty barrier. Yeah, we're so dazzled by the outside that we never make it inside.


David Kepesh: [interview on the Charlie Rose show] We're not all descended from the Puritans.
Charlie Rose: No?
David Kepesh: There was another colony 30 miles from Plymouth, it's not on the maps today. Marymount it was called.
Charlie Rose: Yeah, alright, you mention in your book...
David Kepesh: The colony where anything goes, went.
Charlie Rose: There was booze...
David Kepesh: There was booze. There was fornication. There was music. There was... they even ah, ah, ah, you name it, you name it. They even danced around the maypole once a month, wearing masks, worshiping god knows what, Whites and Indians together, all going for broke...
Charlie Rose: Who was responsible for all of this?
David Kepesh: A character by the name of Thomas Morton.
Charlie Rose: Aah, the "Hugh Hefner" of the Puritans.
David Kepesh: You could say that. I'm going to read you a quote of what the Puritans thought of Morton's followers. Debauched Bakunin aliens and atheists, falling into great licentiousness, and leading degenerate lives. When I heard that, I packed my bags, I left Oxford, and I came straight to America, America the licentiousness.
Charlie Rose: So what happened to all of those people?
David Kepesh: Well, the Puritans shot them down. They sent in Miles Standish leading the militia. He chopped down the maypole, cut down those colored ribbons, banners, everything; party was over.
Charlie Rose: And we became a nation of straight-laced Puritans.
David Kepesh: Well...
Charlie Rose: Isn't that your point though? The Puritans won, they stamped out all things sexual... how would you say it?
David Kepesh: Sexual happiness.
Charlie Rose: Exactly. Until the 1960s.
David Kepesh: Until the 1960s when it all exploded again all over the place.
Charlie Rose: Right, everyone was dancing around the maypole, then, make love not war.
David Kepesh: If you remember, only a decade earlier, if you wanted to have sex, if you wanted to make love in the 1950s, you had to beg for it, you had to cop a feel.
Charlie Rose: Or... get married.
David Kepesh: As I did in the 1960s.
Charlie Rose: Any regrets?
David Kepesh: Plenty. Um, but that's our secret. Don't tell anybody.
[laughter]
David Kepesh: That's just between you and me.


David Kepesh: I think it was Betty Davis who said old age is not for sissies. But it was Tolstoy who said the biggest surprise in a man's life is old age. Old age sneaks up on you, and the next thing you know you're asking yourself, I'm asking myself, why can't an old man act his real age? How is it possible for me to still be involved in the carnal aspects of the human comedy? Because, in my head, nothing has changed.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

obrigado senhor elefante


Certa vez uma formiguinha procurava por comida e deparou-se com um desafio: precisava atravessar um rio caudaloso para chegar à comida do outro lado e mas não sabia o que fazer. Enquanto ela pensava numa solução, apareceu o elefante que foi logo dizendo:
- Olá dona formiga, porque está tão pensativa?
- Preciso atravessar este rio, mas não sei de que maneira.
- Eu posso ajudá-la, disse o elefante, suba para o meu ombro!
- É mesmo, que bom!
A formiga subiu para o ombro do elefante e os dois atravessaram o rio.
Chegados ao outro lado a formiguinha desceu e disse:
- Muito obrigado senhor elefante!
- Obrigado? Obrigado? Nãnã, tira mas é as cuequinhas!
E a formiguinha tirou as cuecas e lá se aguentou como pôde com o pau do elefante.
No regresso a formiguinha enfrentou o mesmo problema, como atravessar o caudaloso rio?
Enquanto ela pensava numa solução apareceu outro elefante, ainda mais "simpático" que o primeiro que lhe disse:
- Olá dona formiga, porque esta tão pensativa?
- Preciso atravessar este rio, mas não sei de que maneira.
- Eu posso ajudá-la, disse o elefante, suba para o meu ombro!
- É mesmo, que bom!
A formiga subiu para o ombro do elefante e os dois atravessaram o rio.
Chegados ao outro lado a formiguinha saiu de fininho e disse:
- Muito obrigado senhor elefante!
- De nada, disponha sempre!
- Muito obrigado senhor elefante, repetiu com mais ênfase a formiguinha!
- De nada, de nada, repetiu o simpático elefante!
Aí a formiguinha sussurrou:
- Bichona!