quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Troubled Waters



Troubled Waters
Cat Power

I must be
One of the devil's daughters
They look at me with scorn
I'll never hear their horn
Sometimes
It's like being in chains
Sometimes I hang my head
In chains
When people see me
They scandalize my name
I'm going down
To the devil's daughter
I'm gonna drown
In that troubled water
It's coming round my soul
It's way beyond control
I must be one
I must be one
I must be
One of the devil's daughters
They look at me with scorn
I'll never hear their horn
Sometimes it's like
Being in chains
Sometimes I hang my head
In chains
When people see me
They scandalize my name
I'm going down
To the devil's daughter
I'm gonna drown
In that troubled water
It's coming round my soul
It's way beyond control
I must be one
I must be one
I must be

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mentir é normal



para um consequencialista este vídeo é divino!

domingo, 12 de setembro de 2010

Sara a feminista (ver o post seguinte)


Hoje é impensável tolerar algo semelhante da boca de um rapazinho, ninguém riria do desfilar da cartilha machista. Ele não se acharia engraçado. Aprenderia. Não repetiria a brincadeira. Nada disso acontece com esta patetinha mal educada... pensem nisso. Dou-vos uma ajuda com o post seguinte: uma resposta da feminista Natacha Polony.
Fica-nos bem, logo a seguir às baboseiras de papagaia desta menina, ouvir esta uma mulher demasiado inteligente para que não seja escutada e que acaba com uma frase terrível. Pessimista? Lúcida?.
Quem não entende francês, a receita do costume: peguem em duas pedras da calçada e numa vara de marmeleiro. As pedras arremessem-nas contra um par de janelas do Ministério da Educação. A vara de marmeleiro apliquem-na de modo preciso nas vossas costas pelo péssimo trabalho que fizestes como alunos no liceu.

O homem é o futuro da mulher





sábado, 11 de setembro de 2010

La diada



No oblidarem, merci segadors i Visca Catalunya!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dame de Cerbère

Portbou é a aldeia de fronteira pirenaica entre França e Espanha -uma extraordinária tripla fronteira feita de mar, comboio e estrada-, anoitece e sento-me numa mesa da esplanada do café Ricky, a uns metros o mar afaga a areia e a temperatura de Verão é agradável; peço o habitual: um "carajillo de baileys".
na mesa em frente está um grupo curioso, provavelmente família. são franceses e não estão de férias. mais tarde saberei que são da aldeia de fronteira francesa, Cerbère - em catalão Cervera de la Marenda - e vieram tomar café à sempre mais interessante aldeia vizinha de Portbou. há um homem de uns 47 anos, frágil e brincalhão, uma barbie de uns 50 anos - aproximando-se a passos largos de barbie geriátrica - que se lhe der atenção me tentará seduzir e para evitar ser deselegante com ela não a olho. ao lado da barbie está provavelmente a filha ou imã, uma mulher bonita, sensual, vestida como uma "mãe", com aliança de casada, farta de ser mãe ou sabe-se lá farta de quê, com aquele ar inocente que têm as casadas quando o amor pelo marido já se foi, após longos anos de casamento e se descobrem as adolescentes que são no amor, como se o casamento tivesse sido apenas um parênteses, um nada erótico. em frente dela, de costas para mim, está a filha de uns 8 anos, irrequieta. é de facto uma bela mulher, sob o vestido de flores adivinham-se as ancas largas e a cintura estreita. cabelo comprido, liso e quase loiro, típico das francesas, sem maquilhagem e unhas por pintar; criar aquela filha está a fazê-la desperdiçar uma parte importante da sua vida: o erotismo.
olho-a descaradamente, o meu olhar diz-lhe o que penso dela e a mensagem é clara e simples: "és uma bela mulher e dás-me tesão". tenho obtido as mais díspares reacções a este olhar: as mulheres que gostam de gostar de homens costumam reagir bem, as mulheres do norte da Europa e algumas americanas retribuem  e sorriem quase de imediato, finalmente, as lésbicas ou as sexualmente muito frustradas agridem-me com o olhar e/ou a postura corporal. esta francesa mostrou surpresa e agrado no olhar, sem desviar o meu forcei-a a baixar a cabeça e desviar ela o dela. rapidamente retomou o contacto e desta vez sorri-lhe e sorriu-me. retomei a leitura do meu livro desses dias: "O Império" de Riszard Kapuscinski.
senti pena por nós mas há muito que sei que a vida é a arte do possível; eu esperava uma amante para jantar, viria daí a menos de uma hora e nós os dois não tínhamos a mínima hipótese, nem um touch-and-go seria possível porque o empregado do Ricky, que há muito quer levar a minha amante para a cama, não perderia a oportunidade de tirar partido de uma qualquer intimidade minha com a francesa; concentrei-me no livro e tentei ignorar o olhar dela. sabia que me observava cheia de curiosidade e desejo.
ao fim de uma meia hora pagaram e levantaram-se, olhou-me e despediu-se com um aceno de mão, retribui. todos avançaram uns 10 metros e ela ficou para trás, dirigiu-se à minha mesa e porque eu estava sentado acocorou-se ou ajoelhou-se (de facto o efeito em mim é o mesmo, adoro esta postura numa mulher) e em francês perguntou-me o nome, perguntei-lhe o dela, de onde era e que estava eu ali a fazer. fui sincero e vi decepção mas sobretudo tristeza nos seus olhos. deu-me um leve beijo nos lábios e ao levantar-se pegou-me na cabeça e beijou-me o cabelo. juntou-se ao resto da família e partiu.

consumamo-nos para que nos consumemos

Sente que o tipo de vida que tem feito o desgastou, de alguma forma?

Sim, fomos consumidos pelos nossos próprios desejos. A vida não é sobre vitórias e ganhos, é sobre a mudança e sobre a rendição final.
Bret Easton Ellis 

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Prefiro rosas, meu amor, à pátria


Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.



A realidade

Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós próprios



Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre

Viver simplesmente.

Deixar a dor nas aras

como ex-voto aos deuses.

 
Vê longe a vida.

Nunca a interrogues

Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.

                                Ricardo Reis