quarta-feira, 30 de março de 2011

Putas graças a Deus!



Que tal aceitarmos-nos como somos e não como vem nos livros e até gostaríamos de ser?

Nascidas putas, graças a Deus!
Já imaginaram um mundo em que um feio como eu não tivesse a alternativa de trabalhar, ser socialmente reconhecido e arranjar uma namorada gira?
Já imaginaram um mundo em que um feio nunca pudesse aceder a uma bela mulher?

"...entre as nossas doenças, a mais selvagem é a de desprezarmos o nosso ser".
Michel Sieur de Montaigne



Putas Graças a Deus !

Deus salve as putas...
Mariposas, borboletas da noite...
Com suas cores pungentes
A embelezar as calçadas...

Deus salve as putas...
Todas elas, moças e velhas
Cortesãs do prazer
Pobre dos homens se não
Fossem elas...

Deus salve as putas...
Incompreendidas, vitimas do preconceito
Das senhoras mal amadas.

Deus salve as putas...
Filhas de Vênus, que pouco nos cobra
Pelo muito que nos dar...

Deus salve as putas...
E as hipócritas se tempo lhe sobrar...
AlexSimas

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tudo o que nos abandona precisa de muito tempo para desaparecer

Tenho saudades tuas, Ernesto, mesmo com a aliança tenho saudades tuas, no outro dia vi-te com a tua mulher no supermercado e apesar disso consegui fazer as compras todas, uma pessoa da minha idade, talvez maior, mais bonita, achei esquisito não haver nada entre vocês há anos e embora ache esquisito acredito em ti

Porque razão não voltaste a telefonar e me deixas assim, suspensa, à tua espera? Nem para o emprego

(conheces o número do emprego)

nem para casa, sabes que estou sozinha, não recebo ninguém, uma amiga de tempos a tempos que não impede que ligues, quando muito saio uma hora ou duas ao sábado para visitar a minha mãe, nunca vou ao cinema, nunca janto fora, como qualquer coisa por aqui, leio uma revista

(nem leio uma revista, folheio, vejo as fotografias e é tudo, ou antes nem vejo as fotografias, fico a pensar em ti)

poiso a revista, abro a televisão, fecho a televisão, vou à janela espreitar a rua, penso que é o teu carro a estacionar lá em baixo e nunca é o teu carro a estacionar lá em baixo, nunca és tu a fechar a porta com o comando eléctrico e as luzes do automóvel a acenderem-se e a apagarem-se, nunca são os teus dois toques de campainha, nunca é o teu aceno no capacho nem o embrulhinho de biscoitos de que não gosto e me forço a comer e a fazer dieta no dia seguinte dado que os biscoitos engordam, nunca é a tua mão no meu ombro

- A minha menina

o teu perfume, a tua maneira de acomodar o rabo no sofá, a tua aliança que apesar de normal me parece sempre enorme e me dói, não tenho coragem de te confessar que me dói mas dói, conforme me doem as tuas mentiras

- Há anos que não há nada entre nós

que me obrigam a perguntar, calada, se entre nós há alguma coisa, vinhas uma ou duas ocasiões por mês, não ficavas nunca e, no entanto, bastava-me, não peço muito à vida, não peço seja o que for à vida, acostumei-me, não tenho motivos para lamentar-me, o que ganho chega, graças a Deus a saúde não me tem faltado apesar do problema da coluna, tomo as injeções no posto médico e as coisas vão andando, o creme que me receitaram na farmácia ajuda, o apartamento claro que não é grande mas para mim sozinha chega e sobra, não existe uma prestação por pagar, arranjo sempre um dinheirito ao fim do mês, volta e meia compro um vestido, uns sapatos, os vizinhos não fazem barulho, há agora um bebé no primeiro direito mas sossegado, tenho saudades tuas, Ernesto, mesmo com a aliança tenho saudades tuas, no outro dia vi-te com a tua mulher no supermercado e apesar disso consegui fazer as compras todas, uma pessoa da minha idade, talvez maior, mais bonita, achei esquisito não haver nada entre vocês há anos e embora ache esquisito acredito em ti

- És a minha menina

preocupo-me com o teu coração sempre que levas a mão ao peito, tiras um comprimido de uma caixinha, me pedes água, me ofereces um sorriso pobre

- Ferrugem na máquina

e a seguir melhoras, suponho que o comprimido limpa a ferrugem toda, aflijo-me com a tua palidez, com o dedo a medir a pulsação julgando que não noto, como podia não notar, tudo o que te aflige assusta-me, não te aborreço

- Que ferrugem na máquina?

para que não te sintas velho ou inútil, suponho que tens sessenta anos e portanto uma vida inteira à frente, o emprego deve cansar-te, as maçadas, quando menos se espera descais-te num suspiro

- A minha filha não há maneira de ter juízo

e ignoro o que, na tua ideia, não ter juízo seja, fico calada, é evidente, trago-te aquele licor fraquinho que tu gostas, faço-te festas no pescoço, a medo, com receio de maçar-te, não reclamo seja o que for, não mendigo seja o que for, só desejava que de tempos a tempos te lembrasses de mim, há sete meses que nem uma palavra, inquieta-me que a ferrugem haja aumentado e estejas na sala de espera de uma consulta, emagrecido, pálido, digo

- Ernesto

em voz alta como se dizer

- Ernesto

te melhorasse, comove-me que andes a perder cabelo, que o nó da tua gravata um bocadinho torto, que uma tremura no queixo, pode ser que mais de sessenta anos, sessenta e cinco, setenta e apesar de setenta a vida inteira à tua frente à mesma, o que eu não dava para te ter aqui um momento, um minutinho, um instante, na tua última visita trazias dentes novos que te tornavam mais vigoroso apesar de mal pegados à gengiva e a incomodarem-te que se percebia por estares constantemente a empurrá-los com a língua, oxalá encontres um pó que segure a placa, a minha mãe usa um pó que segura lindamente a placa, repara-se que placa mas firme como uma lapa no queixo, mastiga de tudo, não te agradava ficar um momento comigo no sofá, não te anima o licorzinho, a quantidade de vezes que digo em voz alta, aqui em casa

- Ernesto

na esperança de um sorriso teu, mesmo pobre, mesmo aflito, na esperança de

- A minha menina

e eu, sem coragem de responder

- O meu rapaz

digo

- O meu rapaz

para dentro, não me sai, não consigo, faço tanta cerimónia, não me atrevo a procurar-te, a tentar saber de ti, a incomodar, a protestar

- Que aliança tão grande, Ernesto

eu que não casei nunca, uns namoricos, umas cartas cerimoniosas, um domingo, durante uma excursão no norte, um

(desculpa)

beijo, estava guardada para ti desde sempre, guardada para ti, Ernesto, seria incapaz de me imaginar com outro homem, continuo à tua espera, sabias, que arrumes o carro, subas, me garantas

- A minha menina

enquanto verificas se trazes a caixinha dos comprimidos no bolso, pode parecer-te parvo mas adorava acariciar a caixinha, não te rias de mim, ou antes não levantes na minha direção o teu sorriso pobre e a tua desculpa

- A ferrugem

mesmo que fosses um parafuso todo escuro adorava-te, guardada para ti desde sempre, a comer qualquer coisa sozinha, a folhear uma revista, a fechar a televisão, a deitar-me, guardada para ti, Ernesto, podes ter a certeza, desde o princípio do mundo.

António Lobo Antunes

quinta-feira, 17 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

Calçotada em Garriguella

Calçotada como Deus manda:

1. assar


2. preparar


3. comer


4. em 2012 há mais

Vais ter com as mulheres? Não te esqueças do chicote!

Qual dos 3 fotografados disse esta frase?

terça-feira, 8 de março de 2011

Ecobolas

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mohammed Nhantumbo

João da Silva Nóbrega Correia e Saldanha, português de gema, natural de Coimbra, em viagem de negócios, longe da família... livre que nem um passarinho; quarenta anos, executivo, senta-se na poltrona do avião com destino a New York e maravilha-se com uma deusa sentada junto à janela!
Após 15 minutos de voo ele não se contém e pergunta:
- É a 1ª vez que vai a New York?
- Não, é uma viagem habitual.
- Trabalha em moda?
- Não, viajo em função das minhas pesquisas. Sou sexóloga.
- As suas pesquisas são sobre o quê em particular?
- De momento, pesquiso as características do pénis masculino.
- A que conclusões chegou?
- Que os Africanos são os portadores de pénis com as dimensões mais avantajadas e excitantes e os Árabes são os que permanecem mais tempo no coito. Logo, são estes homens os que proporcionam mais prazer às suas parceiras. Os Europeus não costumam fazer parte das minhas pesquisas, têm um pénis desmotivador, quase que não dão prazer às mulheres.
Desculpe-me Senhor, eu estou aqui a falar mas ainda nem sei o seu nome...
- Mohammed Issufo Nhantumbo! Filho de pai árabe e mãe africana...