quinta-feira, 21 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Paixões tristes


"O afecto passional depende dos factores externos, estes podem ser alegres ou tristes, vai depender da compatibilidade dos factores externos e nós. Podemos perceber que as acções são sempre positivas, e que as paixões podem ser alegres ou tristes. As paixões alegres nascem da compatibilidade entre as suas causas exteriores e nós, aumentam a nossa potência de agir e pensar, ocasionando uma situação propícia ao desenvolvimento da razão. As paixões tristes, ao contrário, por resultarem de um desacordo com o meio, inibem esse desenvolvimento, sendo prejudiciais. As paixões são resultantes da nossa interacção com as causas exteriores variáveis, que se caracterizam pela instabilidade. Com ela, o homem vive dependente em relação ao outro, alienado. As paixões são naturais, e como tal são dotadas de seu próprio conatus. São causadas em nós por factores externos, portanto, suas essências não são apenas as nossas, mas também resultam das essências dos factores externos. Como o conatus de algo, nada mais é que sua essência actual, a mesma dependência em relação à causa exterior ocorrerá na explicação da potência da paixão. O que explica a sua força, crescimento e perseverança na existência é, portanto, a potência de sua causa exterior em relação com a nossa. Por isso, a força das paixões pode superar as nossas, é o que explica que as nossas paixões podem ser mais fortes que nós. O conatus orienta-se pelos afectos passionais que dependem dos factores externos, podendo ocorrer um aumento ou diminuição da sua potência de actuar na existência. Já as acções resultam exclusivamente da nossa natureza, caracterizam-se pela constância e carregam em si a marca da autonomia e do exercício pleno do conatus. A liberdade para Spinoza se baseia sobre as acções."

sábado, 2 de abril de 2011

Alugam-se amigos gays para consolar mulheres em crise

«Compreendemos-te inclusivamente quando nem tu te compreendes» é o seu contundente slogan.

Amigo gay

Trata-se de um serviço pensado para a heroína urbana do século XXI, a mulher que com orgulho se declara moderna, liberta, «do seu tempo» e público alvo da Cosmopolitan e da Mulher Moderna. Quantas vezes uma mulher assim, na montanha russa do êxtase e vicissitudes que é a vida, não sofreu um episódio de desengano em que chegou à conclusão de que todos os homens são uns idiotas e todas as (outras) mulheres umas cadelas? Quem não sentiu a devastadora solidão que se segue a tão drástica reflexão? Nesse ermo de adversidade, onde só a tua mãe e os teus gatos parecem perdurar como pontos de apoio válidos, uma pequena parte da população, os homossexuais, flutua num invejável limbo à margem da chusma a que acudir em busca de consolo. Não tão idiota como um homem, e nem tão cadela como uma mulher, o amigo gay está aí para escutar-te, para sintonizar a sua sensibilidade feminina com a tua dor, para criticar com igual acrimónia tanto ao porco que amavas como à puta que to arrebatou, para corroborar que tu e só tu tens razão e para dar-te conselhos sobre maquilhagem ao mesmo tempo.

E quem não tem um amigo gay, agora pode alugar um em Passagem de Peões: a tua ponte com a outra banda.

Pela pechincha de 35€ a hora, Passagem de Peões cede-te um amigo gay segundo as tuas preferências —frio mas protector?, empático e sensível?—, alguém que te consola ou que chora contigo, que te resgata do poço e que te leva às compras (pagando tu, claro). Alguém que te assessora sobre moda e complementos com a sua proverbial qualidade, mas sem, apesar disso, deixar  de dizer em todo o momento que tudo te fica maravilhosamente bem. Alguém que come gelado contigo, alguém a quem pintar as unhas dos pés, alguém que te psicanalisará e fingirá compreender tos teus actos inclusivamente  quando não  correspondem nem ao mais exíguo padrão de racionalidade. Alguém a quem poderás deixar sentar-se na tua cama com total confiança e tranquilidade que meia hora depois estarás suplicando-lhe que te faça sua sem a mais ínfima esperança de êxito. A não ser que pagues um extra.

Passagem de Peões abriu escritório em Arelho de Óbidos e em breve estará presente em todo o Portugal. Menos no Minho; aí as mulheres sabem que têm razão e ponto.
original in "el jueves" la revista que sale los miércoles

Ruiva em cima e em baixo