terça-feira, 28 de junho de 2011

Álcool

segunda-feira, 27 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011

Se não te portas com juizo não mamas!


sexta-feira, 24 de junho de 2011

A solução


 Nach dem Aufstand des 17. Juni
Ließ der Sekretär des
Schriftstellerverbands]
In der Stalinallee Flugblätter verteilen
Auf denen zu lesen war, daß das Volk
Das Vertrauen der Regierung verscherzt habe
Und es nur durch verdoppelte Arbeit
Zurückerobern könne. Wäre es da
Nicht doch einfacher, die Regierung
Löste das Volk auf und
Wählte ein anderes ?


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Após a insurreição de 17 de Junho
O secretário da União dos Escritores
Fez distribuir panfletos na Alameda
Estaline]
Em que se lia que, por culpa sua,
O povo perdeu a confiança do governo
E só à custa de esforços redobrados
Poderá recuperá-la. Mas não seria
Mais simples para o governo
Dissolver o povo
E eleger outro?

Bertolt Brecht


Nota: Nunca me deixarei de surpreender com as insanidades dos burgueses verdadeiramente de esquerda.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Conjuntivite

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Primatas

Um casal está no zoológico e passa pela jaula do gorila macho.
- Marcos, diz a mulher, sabes que os gorilas são os animais mais parecidos com o ser humano relativamente ao seu comportamento?
Observa como lhe vou mostrar uma mama, aproveitando que não há muita gente, e aposto que se vai excitar tal e qual um homem.
Maria mostra uma mama e o gorila começa a ficar excitado e a mover as barras da jaula.
- Vês?, diz a mulher, agora dou conta por que és assim, os homens não podem controlar os seus instintos animais tal como o gorila.
E Marcos diz-lhe:
- Agora mostra-lhe as duas, para ver o que se passa.
A mulher levanta a camisola e mostra-lhe as duas mamas e o gorila ainda fica mais excitado e desesperado por sair.
Marcos diz-lhe:
- É incrível como reage o gorila, agora desce as calças e mostra-lhe o rabo só para ver o que se passa!
A mulher mostra-lhe o traseiro, e o gorila, completamente excitado,abre as barras da jaula e sai. Agarra a mulher e começa a despi-la.
- Marcos, que faço? Ajuda-me!
E Marcos diz-lhe:
- Agora, explica ao gorila transtornado:
Que não tens vontade…
Que te dói a cabeça…
Que estás cansada…
Que estás com dor de garganta…
Que hoje tiveste muuuuitoo trabalho…
Que tão depressa nãooooo…
Que te entenda como mulher…
Que estás deprimida…
Que estás nos teus dias difíceis…
Que estás na tua semana complicada…
Que só queres que te abrace…
Que estás muito tensa…
Que tens que levantar-te muito cedo…
Que hoje te levantaste muito cedo…
Que hoje caminhaste imenso e que te doem os pés…
Que hoje estás super carente e só queres muitos carinhos…
Que estás muito tensa e só queres massagens de relaxamento…
Que estás com vontade de ver TV…
Que não queres perder a novela…
Que hoje foste ao cabeleireiro e que não te podes mexer…
Agora quero ver se ele entende as tuas desculpas!!!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Maçãs


à Pepa, 14-10-1972 - 30-06-1996












Imagens de antes,
do sul do desejo.
Num supermercado
escolhendo as ranhosas.

E outros rostos,
outros sorrisos
se oferecem na noite
pouco ajudando a esquecer.

Só o teu que se estende,
como um lento manto
sepultaria a vontade
acesa pelas brumas do tempo.

domingo, 5 de junho de 2011

Loca



Mis voces son aire, vuelan,
mis lunas son soles, mientes,
mis días son tierra pesada,
mis ojos son aguafuentes,

Ay!.. como me pesan las alas,
ay!.. ganas de besarte aire,
mis plumas están cansadas.
haz que mi corazón baile,

Ay!.. loca ,loquita loca,
así es mi boca.
aunque bese con sus frutas,
de palabra se equivoca

Soledad en compañía,
versos que vuelven besos,
ay!.. cuídenme el alma mía,
sin disfrazar los silencios.

ay!.. quiero mi duda infinita,
ay!.. tanto vino tinto y verte.
ay!.. mama, ay!..mama,
mi dulce es quererte,

déjame vivir la vida,
tierra mar y pinos verdes.

Ay!.. loca ,loquita loca,

así es mi boca.

aunque bese con sus frutas,
de palabra se equivoca.

Que parvo que sou

Descer ao mundo, assim
como vassalo de mim
na corrida desvairada
de saber o céu tão longe.

E assim distante de nós
um solitário devasso, enfrenta
os moinhos de vento que constrói
protegendo-se da insalubridade dos Homens.

Lisboa oferece um lugar
a todos os nossos naufrágios.
A cidade faz de mãe
relutante, gorda e má.

Que parvo que sou
deixar-me ir assim
pelo vento
como uma borboleta descuidada.

sábado, 4 de junho de 2011

Como anda o pátio

Professor fazia-se passar por mulher na Internet para conquistar outros homens

À frente do computador, ele deixava de ser homem. Passava a chamar-se Ana. Ana Sofia Sá Magalhães, um nome que condizia com o rosto de uma mulher loura, com ar nórdico e sotaque de Cascais. Era com uma fotografia desta personagem que inventara que se apresentava no mundo virtual onde “mergulhava” à procura de relações amorosas com outros homens.
O assédio sexual era feito através da Internet O assédio sexual era feito através da Internet (Foto: Paulo Pimenta)
 



O problema é que não se ficou pelas fantasias. Quando os seus interlocutores manifestavam o desejo de se encontrar com ele pessoalmente, faltava sempre. E quando, impacientes, acabavam por se afastar perseguia-os, ameaçando-os, chantageando, devassando a sua vida privada e provocando danos psicológicos e materiais, refere a acusação.

O homem, de 40 anos, professor na Universidade de Évora e na Escola Superior de Educação, a fazer um doutoramento na área da Paleontologia, foi apanhado e está agora a ser julgado, no Campus da Justiça, em Lisboa, juntamente com outros nove arguidos, agentes da PSP e da PJ e detectives privados que, segundo o despacho de acusação terão colaborado nas perseguições e nas ameaças. Ontem realizou-se uma nova audiência, a que não compareceu por se encontrar de baixa médica.

O professor de Évora é acusado dos crimes de denúncia caluniosa na forma continuada, de gravações e fotografias ilícitas, de ameaça na forma continuada, de coacção agravada na forma tentada e de perturbação da vida privada.

Por vezes, também se fazia passar por um irmão que nunca teve, de nome Francisco, este com sotaque alentejano.

Diz a acusação que “pelo menos desde 2001 até Junho de 2008” o arguido estabeleceu “contactos virtuais, através da Internet e telefonicamente com outros homens”. Nos “chats” iniciava “relações semelhantes a relações amorosas pessoais com alguns deles”, nunca revelando a sua identidade e fazendo-lhes crer que era mulher. Nalgumas das conversações telefónicas “simulava actos sexuais com os seus interlocutores, fazendo-se passar por uma mulher”.

Em regra, os homens que escolhia para estes relacionamentos virtuais “passavam por períodos conturbados e difíceis nas relações com as suas mulheres, namoradas ou companheiras ou que haviam terminado alguma relação amorosa (...)”

Não se sabe ao certo quantas pessoas encantadas com a fantasia, terão estabelecido este tipo de relações virtuais com o arguido. Mas foi sobretudo por causa de um deles que o processo avançou para julgamento: um jovem empregado de uma editora de Lisboa que se relacionou com o professor durante cerca de dois anos.

No escritório do advogado Emanuel Pamplona que o representa no julgamento, há notícia de outros ofendidos e de pedidos de acusações particulares. Também se sabe de vítimas que nunca se queixaram, como um oficial da PSP que acabou por se divorciar em consequência da traição com a mulher que nunca existiu.

A partir da altura em que as relações terminavam – relata a acusação – “o arguido começava a ameaçá-los, a ofender a sua honra junto dos próprios e de terceiros, nomeadamente junto das entidades hierárquicas e de tutela das suas profissões ou junto de entidades fiscalizadoras da sua actividade profissional, remetendo cartas anónimas para estas entidades”. Nestas dizia que “estes homens e suas mulheres praticavam os mais variados crimes, que os mesmos tinham doenças graves como o HIV, que eram homossexuais, procedendo também a outras acções, nomeadamente de vandalização dos seus pertences e outras (...)”

O arguido ía mais longe nas suas acções de intimidação, adianta ainda a acusação. Solicitou “vários serviços de transporte funerário a agências funerárias, encaminhando vários carros funerários para as residências destes homens e seus familiares”. Chegou também a contactar “vários serviços de emergências, nomeadamente da EDP, dos Bombeiros e do INEM simulando que havia emergências nas residências de alguns destes homens (...)”

Como precisava de conhecer com pormenor a vida e as rotinas daquelas pessoas, “o arguido contratava detectives particulares” (dois estão sentados no banco dos réus) pedindo-lhes, “a troco de uma remuneração que vigiassem e seguissem alguns daqueles homens, respectivos familiares e amigos (...)”

Sous la douche

Je me relevai. Il ne bougea pas. Je pris encore le savon entre mes mains, commençai à nettoyer le torse, vaste et solide, modérément poilu.
Je me mis à descendre lentement le long du ventre, gonflé et ceinturé d’abdominaux puissants. Il me fallait du temps pour en couvrir toute la surface. Le nombril était saillant, petite boule blanche autour de laquelle se dessinait la masse ronde. Un astre autour duquel mes doigts gravitaient, en s’efforçant de retarder le moment où ils succomberaient à l’attraction vers le bas, vers la comète dressée contre le bel ordre circulaire de l’estomac.
Je m’agenouillai pour masser le bas-ventre. Je tournai longuement autour des parties génitales, tout doucement, jusqu’à l’intérieur des cuisses.
Son sexe était terriblement gros et tendu. Je résistais à la tentation de le toucher, prolongeant les caresses sur le pubis et entre les jambes. Il se tenait maintenant plaqué au mur, bras écartés, appuyé des deux mains contre les parois, ventre en avant. Il gémissait.
Je sentis qu’il allait jouir avant que je ne l’aie touché.
Je m’éloignai, m’assis en plein sous le jet de la douche et, les yeux toujours fixés sur son sexe trop enflé, j’attendis qu’il fût un peu calmé.
L’eau chaude coulait sur mes cheveux, sous ma robe ; chargé de buée, l’air moussait autour de nous, amortissait les formes et les bruits.
Il avait été au plus fort de l’excitation, et pourtant n’avait pas fait un geste pour hâter le dénouement. Il m’attendait, il m’attendrait aussi longtemps que je voudrais faire durer le plaisir, la douleur.
Je m’agenouillai à nouveau face à lui. Sa verge, encore fortement congestionnée, sursauta.
Je passai ma main sur les bourses, en remontant depuis la base, près de l’anus. Sa verge se redressa encore, plus violemment. Je la pris dans mon autre main, la serrai, commençai un lent mouvement de va-et-vient. L’eau savonneuse dont j’étais enduite facilitait merveilleusement le glissement. Mes deux mains étaient emplis d’une matière chaude et vivante, magique. Je le sentais palpiter comme le cœur d’un oiseau, je l’aidais à courir vers sa délivrance. Monter, descendre, toujours le même geste, toujours le même rythme, et les gémissements, au-dessus de ma tête ; et moi qui gémissais aussi, avec l’eau de la douche plaquant sur moi ma robe comme un gant étroit et soyeux, avec le monde arrêté à hauteur de mes yeux, de son bas-ventre, au bruit de l’eau dégoulinant sur nous et de sa verge coulissant sous mes doigts, à des choses tièdes et tendres et dures entre mes mains, à l’odeur du savon, de la chair trempée et du sperme qui montait sous ma paume.
Le liquide jaillit par rafales, éclaboussant mon visage et ma robe.

Alina Reyès, Le boucher, Seuil, 1988