segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sabedoria

François Boscher: Você prepara igualmente um livro mais íntimo.

Michel Onfray: Um projecto que poderá mesmo apagar a totalidade dos meus livros precedentes, saído de meditações e reflexões, do meu luto depois da morte do meu pai, ou seja, dois anos. Eu não sou cristão nem sequer crente, não tenho o sentido da transcendência... mas ao mesmo tempo isso mudou as coisas. Esse livro, que se chamará provavelmente Cosmos, será um convite a ir para além dos livros, dizendo que é talvez tempo de ler o céu, as plantas, a Natureza, o mundo. Se não entendemos que não somos nada no cosmos, se continuamos a acreditar que somos tudo, completamente ego-centrados... não saberemos viver bem, nem morrer bem. O meu pai entendeu-o, é a lição que ele me transmitiu pelo exemplo. A sua serenidade, a sua rectidão, tudo coisas que me fazem dizer que não é mau viver-se assim... Certas passagens reportar-se-ão à morte, como a preparar - penso aqui em mim próprio - porque, claro há uma cinquentena de livros...

François Boscher: ... mas também 53 anos. Você chega a uma certa forma de sabedoria?

Michel Onfray: De uma certa maneira, sim. Há os livros, mas se depois de uma certa idade não aprendemos nada da vida, é porque porque desperdiçámos uma vida. Este livro, alimento-o todos os dias... Eu tomo o meu tempo, mesmo que saiba que os meus dias estão contados.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Xavi e Messi

2:00 A.M. en el apartamento de Xavi Hernández: RING RING RING
- Diga.
- Xavi? Soy yo Messi. ¿Estás ocupado?
- Estaba durmiendo tío ¿Qué es lo que sucede? ¿Todo está bien? ¿Por qué llamas a esta hora. ...
- Ché es que tengo un problemón y necesito tu ayuda
- Venga tío, no me asustes dime qué es lo que pasa.
- Es que me fui con Álves a un club y conocí una rubia preciosa
- Joder que no te entiendo
- Esperá loco. La piba dice que está enamorada de mí, que soy el mejor del mundo. Y se ha venido a quedar en mi apartamento. Justo ahora está en mi cama en pelotas ¿Te das cuenta ahora?
- Coño! que si me doy cuenta de qué? Que me has llamado sólo para presumir?
- No ché, no es eso. Te necesito ¿No lo ves?
- Hostia! ¿Y para qué me necesitas tío?
- ¿Como que para qué? No te das cuenta que si vos no estás yo no la puedo meter!!!!!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Valgina

A professora primária chega à escola e apresenta-se:
- Meninos, o meu nome é Valgina. Valgina, não esqueçam!
Joãozinho pensa:
- Estou fodido, vou-me esquecer. É certinho.
Dois dias depois nova aula. A professora entra e diz:
- Bom dia meninos! Vamos ver, tu, Joãozinho, como me chamo eu?
Ele pensa, pensa, "caralho, era algo a ver com cona, mas não era bem cona, caralho"
E diz:
- Ah, já sei Sra. professora! Colna!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Brel, o filósofo



Tributo de Bowie:



Amesterdão

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que cantam
Sobre os sonhos que os assombram
Ao redor de Amesterdão
No porto de Amesterdão
Há marinheiros que dormem
Como as bandeiras penduradas
Ao longo das margens escuras
No porto de Amesterdão
Há marinheiros que morrem
Cheios de cervejas e dramas
Às primeiras luzes do dia
Mas no porto de Amesterdão
Há marinheiros que nascem
No espesso calor
Dos fracos oceanos

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que comem
Sobre toalhas também brancas
De peixes gotejantes
Eles mostram os dentes
Que mastigam o destino
Que engolem a lua
Uma baforada de caras
E cheira a bacalhau
Directamente no coração das batatas fritas
Que suas grandes mãos convidam
A retornar uma vez mais
Então, levantam-se a rir
Com um ruído de tempestade
Fecham suas braguilhas
E partem arrotando

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que dançam
Esfregando suas barrigas
Nas barrigas das mulheres
Eles giram e eles dançam
Como os sóis cuspiram
Ao som rasgado
De um acordeão rançoso
Eles torcem o pescoço
Para melhor se ouvirem rindo
Até que, de repente
O acordeão morre
Em seguida, o gesto grave
Em seguida, o olhar orgulhoso
Eles trazem suas batavas
À plena luz

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que bebem
E que bebem e bebem
E que bebem outra vez
Eles bebem à saúde
Das putas de Amesterdão
De Hamburgo ou de outro lugar
Ao fim, bebem às moças
Que dão a eles seus belos corpos
Que dão sua virtude
Por um pedaço de ouro
E quando eles estão bem bêbados
Levantam seus rostos para o céu
Assoam os narizes nas estrelas
E eles urinam como eu choro
Sobre as mulheres infiéis
No porto de Amesterdão
No porto de Amesterdão

Fonte: http://letras.terra.com.br/jacques-brel/5772/traducao.html

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

E por que haverias de querer...

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Hilda Hilst