sábado, 28 de abril de 2012

Harstad

Harstad em Agosto
Em Julho de 1993, estava em Lisboa, sem dinheiro, com um mês de férias e nada para fazer.
Os meus amigos, em geral, quando não tinham nada para fazer, iam para a cama e dasatavam a foder, não iam para a Noruega. Eram jovens mas já eram sábios.
Sargento Bernardo
Eu não, era apenas um intelectual e não sabia foder, fui para a Noruega.
Quando se está a 4900km do nosso destino de férias e não se tem dinheiro é melhor preparar-mo-nos para o pior e só assim seremos felizes.

Como não tinha dinheiro para transportes, decidi viajar a custo 0, pedindo transporte emprestado a quem passava na estrada.
A vigem correi de forma fabulosa, de reabertura de fronteiras, para o ntelectual nerd que eu era, foi mais um necessário contraponto de realidade.
Um aparte para quem nunca viajou de boleia: as pessoas que nos transportam sabem que nada sabemos deles e que nunca mais nos verão, por isso abrem-se, abrem-nos a sua intimidade como nunca fizeram a ninguém. em 10 anos e perto de 100.000 à boleia, aprendi a falar 7 línguas e  aprendi mais dos seres humanos do que se tivesse lido uma biblioteca intteira. Só lamento ser tão pouco dotado de sensibilidade e empatia ou seria hoje um xamã de primeira água neste Sec. XXI tão necessitado de condutores espirituais laicos.
Continuando.
Com a viagem perto do seu zénite que a dada altura ficou claro, o ponto mais a norte possível, O Cabo (Norte - Ushuaia, a 54° 48' 57" S, está bem "mais longe" do polo), tocou-me atravessar as famosas ilhas Lofoten a que se chega depois de uma alucinante viagem entre vagas monstruosas desde Bodø em pleno sol da meia noite.
Outro à parte: quem nunca viveu esse estranho sol que se prepare, tem efeitos físicos estranhos porque o nosso corpo se recusa a descansar devido ao sol estás à meia noite no ceu e Natureza alterada também não ajuda; a ordem natural das coisas está profundamente perturbada - os pássaros, as plantas, os insectos, alimentam-se as 24 horas e o próprio céu está diferente. É surreal ver o sol descer e em vez de se pôr,  recomeça a subir, fazendo uma oval na abóbada celeste em vez do semi-arco a que estamos habituados. Em mim, o sol da meia noite teve um efeito curioso: uma propensão ao riso e a não levar nada a sério, uma certe ebriedade.
Neste quadro de alteridade profunda perante o meio cheguei às 5h00 a Harstad. O solo no céu e a cidade silenciosa e completamente vazia, como se fosse uma cidade fantasma - para não enlouquecerem os noruegues simulam a noite nas suas casa com taipais de madeira do lado de fora das janelas. Deambulei pela cidade gelada, com aquele sol que nada aquecia. Procurei um lugar para montar a tenda e enfiar-me no saco-cama. O belo jardim da igreja luterana pareceu-me adequado.
Umas horas depois o filme do costume: pessoas que passam se virão e comentam, nem imagino o quê, certamente uma tenda azul diante da igreja não passa despercebida.
As horas foram passando e a tenda já estava deliciosamente quentinha. Ouço uma voz que me chama insistentemente. Abro a tenda e dou de caras com o presbítero, vestido de preto, de bíblia na mão, como que para me exorcizar logo ali. Explica-me em alemão que não se pode acampar ali e vai-se embora com educação.
Ah, mas estava-se agora tão bem no quentinho da tenda. Quis lá saber, fechei a tenda e voltei a adormecer.
Umas duas horas mais tarde, voltam-me a chamar. Quem?
Outra vez o presbítero, desta vez vestido de azul, de polícia, boné e tudo. Com galões de oficial!
Alto, apesar da vontade de rir, contive-me!
Desta vez disse-me, meio em inglês meio em alemão:
- Camping forbiden!
- I know, I know, respondi, e fiz tenção de voltar para dentro e fechar novamente a tenda. Aproximou-se e segurou a tenda.
Alto que este é o Anders Behring Breivik. Passei a vê-lo com outros olhos.
- You have to go, or...*
E aqui o homem parou. Começou a ficar vermelho, sem saber o que dizer. Até dava pena.
E ao fim de uns segundos concluiu:

- You have to go or we drive you to the Bus station!

Completamente aterrorizado com a perspectiva de ser confortavelmente conduzido à estação de autocarros, desmontei a tenda e fui a pé até à... estação de autocarros.


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(*) Consigo imaginar aquela pobre criatura a dar-se conta que NUNCA ninguém tinha acampado diante da igreja e que à boa maneira norueguesa não havia nenhuma lei ou regulamento escrito que proibisse acampar aí.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A ordem libertária, A vida filosófica de Albert Camus

L'Ordre Libertaire de Michel Onfray
Página
14 "... como nos podemos conduzir quando não se acredita nem em Deus nem na razão."
17 Ultrapassar o nihilismo pela fidelidade à Terra, pela memória da infância, por uma inscrição na ancestralidade e uma filosofia positiva.
24 "Para ele [o filósofo] o verbo faz-se carne, acto, acção, senão não serve para nada.
25 "A lenda de Camus é negativa: ela diz mal de um homem bom- como a de Freud é positiva, diz bem de um homem mau."
27 Camus: "Há assim uma vontade de viver sem recusar nada da vida que é a virtude que honro mais neste mundo."
30
A assinatura existencial de Camus é a intolerância a toda a forma de injustiça.
33 "Não é fácil tornar-mo-nos o que somos."
35 Pena de morte: "Os homens denominam esta vingança , a justiça" ( 6 lts de sangue)
36 "... indivíduos inumanos que reprovam ao condenado a sua falta de humanidade."
40 Carregar a alma do pai.
Entrevista a Albert Camus
41 Lucien Camus: Cemitério de Saint-Brieuc, morto na batalha do Marne.
42 Louis Germain, o professor que descobre e "salva" Camus da sua condição
51 Pobre, privado de férias, Camus trabalhava enquanto os camaradas de escola se banhavam.
57 Camus escreve com o sangue.
63 Dandy, "... ele sabe que a sua vida será curta."
64 "Atrás dos belos corpos (...) encontra-se a matéria negra do mundo."
67 "O mundo é belo, e fora dele, não há salvação."
72 Nietzsche: "Nós temos a arte para não morrer da verdade."
73 Camus casa com Simone Hié
80 Camus dirá "sim" somente ao que aumenta a vida. Quanto ao resto: revolta-se.
83 Sofrer é amadurecer.
87 "A filosofia foi, durante séculos, uma arte de viver, de viver bem, de viver melhor."
88 Estoicismos de Nietzsche e de Camus.
90 "Camus pode bem persistir em negar a origem autobiográfica de toda a escrita"
91 "Ter medo de morrer seria ter medo da vida."
91 " ... a doença é o que fazemos dela."
92 "Inventar novas possibilidades de existência. E vivê-las."
94
95
O filósofo artista. A arte.
96 O grande "sim" deve ser um sim à vida.
97  Filosofia francesa.
101 A injustiça maior? A pobreza sem o sol.
109 "Não há vergonha em ser feliz. Mas hoje o imbecil é rei, e chamo imbecil àquele que tem medo de desfrutar.
109 "... monoteísmo que opõe Deus à natureza e portanto opõe Deus aos homens."
110 "... o ofício de homem (...) ser feliz."
112 Definição de pecado: "perder esta vida".
115 O dionisismo argelino é a solução para o nihilismo europeu.
120 Jean Grenier (...) "não se coibindo de saber pelos outros aquilo que não se sabe por si mesmo..."
133 Escrever para pensar e depois rasgar.
151 A esquerda dionisíaca diz "sim", (...) a esquerda do ressentimento diz "não".
152 Nietzsche prevê a deriva totalitária do comunismo.
153 Camus é um homem de fidelidade e não de ressentimento
155 Marx
157 A amizade: "amar a todos é não amar ninguém" (o cristianismo)
160 Espanha
164 O artista é o antídoto da história.
166 Ver Weber: a ética de convicção e a ética de responsabilidade.
167 Camus viveu30 anos sem cometer erros políticos e naqueles tempos houve tantas ocasiões para falhar.
171 O teatro é o lugar da verdade, ainda mais do que o mundo.
183 Camus é duas vezes condenado à morte: a sociedade não o quer nem como professor nem como soldado.
187 "As ideias são o contrário do pensamento.".
191 O super-homem é a antítese do nazi.
191 Nietzsche é anti-antissemita.
193 O soberano bem: a sabedoria
194 "Conhecer o Mundo, querer o Mundo, amar o Mundo, contentar-se com ele, nunca recriminar contra ele, desejá-lo tal como é, e, consequência destas práticas teóricas e existenciais, desfrutar do Mundo, encontrar-se nele como peixe na água, sem jamais se questionar das suas relações com o Mundo, eis por palavras toda a sabedoria." (Para outra versão de sabedoria clicar aqui)
209 Cala-te pulmão. O desejo de morrer (para deixar de sofrer de tuberculose)  em Camus.
210 As verdadeiras questões da vida. "Desde logo, que vale a vida? Deve-mos vivê-la? E se sim, porque razões? O suicídio é a ..."

211 "Nós não saimos do absurdo, façamos o que fizermos."
212 "...querer o querer que nos quer."   
212 Só há um dever, o dever de amar, eis toda a moral para Camus.
214 A Europa do terror.
224 Sartre e os judeus peludos.
235 O poder contido por uma ética define a ordem libertária.
239 "Não se pode ser feliz sem os outros ou contra eles".
240 "A peste" começou para o seu autor (Camus) uma carreira de solidão". R. Barthes
247 Darwinismo de direita (esquerda) tem origem na pulsão de morte (vida) e define os liberais (libertários).
250 A peste: o bacilo é ontológico e as razias são políticas.
258 Cristo foi crucificado lutando contra o "Vaticano".
259 O resistente
277 Camus não esconde os seus enganos para não alimentar a lenda.
281 Porque sou anarquista
282 Trotsky e a moral revolucionária (cinismo vulgar)
283 Marx vs Camus
285 A "imparcialidade" de Pio XII, o papa nazi."Mein Kampf" nunca foi colocado no Index, todas as obras de Sartre e Beauvoir o foram; nenhum nazi foi excomungado, todos os comunistas o foram...
286 "Todo o poder vem de Deus" (S. Paulo)
Menos o poder comunista na URSS ou noutro lugar, claro!
288 "O dinheiro tem deveres", o colaboracionismo dos ricos.
292 Avião para os reportados de honra.
295 No fim da 2ª guerra mundial Camus vacila como abolacionista.
298 A "rosetta", "não a mereci".
301 O  perdão.
305 O bem e o mal: o perdão de Camus
305 Brasillach
307 Rebatet
308 "... provocam a minha cólera: o nacionalismo, o colonialismo, a injustiça social e o absurdo do estado moderno,..."
312 A fidelidade à Terra e à paixão pelo que é.
314 Camus demorou apenas 23 meses para passar da visceralidade à razão depois do fim da barbárie nazi.
319 Camus quer uma utopia relativa, deseja que ela defina o ainda não realizado mas que seja, apesar de tudo, realizável, e não um projecto messiânico fabricado segundo o princípio das religiões que prometem o paraíso sobre a Terra para AMANHÃ.
354 O Marx dos manuscritos de 1844
375 Marx não gostava da comuna de Paris por esta não ser suficientemente marxista.
386 "Eu recuso energicamente ser considerado como um guia da classe trabalhadora."
388 Pensamento do meio dia: "... um gosto pela vida."
393 Camus "petit blanc" colonialista!!!
394 Os métodos de argumentação da guerra fria.
417 O jornalismo é o melhor ou o pior trabalho do mundo.
420 O agradecimento, em 2009, de Sylvie Gomez, a Camus, na sua tese de doutoramento.
437 "É preciso matar: abater um europeu", Sartre 
458 Ao saber-se do prémio Nobel a imprensa cobre Camus de insultos.
460 "Eu prefiro a minha mãe à justiça": Esta frase iria matar Camus mas ele ainda não o sabia.
462 Camus paga pela sua rectidão, a sua verticalidade, a justeza dos seus combates, ele paga pela sua honestidade, a sua paixão pela verdade, ele paga por ter sido resistente na hora em que muitos resistem tão pouco, ele paga pelos seus sucessos, as suas formidáveis vendas de livros, ele paga pelo seu talento, ele paga pelo seu Nobel, claro, ele paga por não ser corruptível. Ele paga por não ter necessidade de mentir traçando o seu caminho recto, ele paga pela sua juventude, beleza, o seu sucesso com as mulheres, ele paga porque a sua vida filosófica é um reparo à existência de tantos falsários,  ele paga pela sua fidelidade à sua infância, ao meio dos homens pequenos de onde veio, ele paga por não ter traído nem vendido nada, ele paga por ser um filho de pobre e ter entrado no mundo dos bem nascidos, ele paga por ter escolhido a justiça, a liberdade e o povo num universo de intelectuais fascinados pela violência, a brutalidade e as ideias, ele paga por ter sido um autodidacta com sucesso, ele paga porque sendo o filho de uma mulher analfabeta, nunca deveria ter escrito os livros reservados aos eleitos bem nascidos (...)"
467
468
A tirania da libido.
472 Charme é "uma maneira de ouvir a resposta SIM sem ter colocado uma questão clara."
474 "Porque seria preciso amar poucas vezes para amar muito".
Simone Hié
475 Francine Camus foi esposa de um homem que gostava das mulheres - incluindo a sua.
477
478
A culpa
483 Camus vaidoso: "Na modéstia sou imbatível."
485 A falta (pagã), o egoísmo...
489 Num mundo sem Deus a falta fica sem perdão.
497 A pena de morte apoia-se no erro ontológico do livre arbítrio.
497 " A pessoa humana está acima do estado."
500 100 milhões de mortos devido ao comunismo.
501 Germaine Tillion
505 Nobel para a republica espanhola.
505 Fé revolucionária.
506 A ordem anarquista é a desordem dos bem pensantes.   
510 Vitória anarquista na Catalunya
521 Peço "para ser lido com atenção".
528 Um estado anarquista.  
529 Eleições anarquistas.
529 Capitalismo anarquista.
530 O homem bom não surgirá da abolição da propriedade privada.
535 Optimista, pelo homem.
536
537
Sartre, o canalha.
(arrasador para Sartre)
540 Camus nietzschiano de esquerda
541 O pós anarquismo


   

    
     

terça-feira, 24 de abril de 2012

Uma rosa e um livro

St. Jordi em Girona.
Uma rosa, um livro e o mau feitio dos catalães.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Violência no jardim (I)

Não entendo as mulheres submissas, a sua alma é-me estranha. A sensação de alteridade de um homem em relação a uma mulher é-me com elas agravada.
Não entendo que raio de alma e que raio de corpo podem desfrutar da dor, da obediência, da humilhação ou da violência física e verbal. É-me incompreensível para mim
 que privo, há muitos anos numa relação 24/7, com uma dor crónica e me revolto a cada segundo: como podem desejar ser espancadas...
Visceralmente reactivo à violência, seja cometida contra mim seja contra outrém; absolutamente incapaz de aceitar o exercício da autoridade, imposta sem justificação válida, ao ponto da minha revolta anarquista me pôr por vezes a sobrevivência em risco; confronto-me quotidianamente com este outro (altĕru): as mulheres que desfrutam da submissão sadomasoquista: (...)
Navegando pela rede encontrei este magnífico e  estranho texto que, como perceberão no final - se tiverem a paciência e a amabilidade de o ler todo -, é sobretudo uma declaração política de amor, de uma submissa sadomasoquista pelo seu violentador.
 

Por Polly Peachum
Tradução por Vanderdecken
Adaptação para português brasileiro por rose


"O locus da fantasia dum homem com sorte não contém robôs;
duma mulher com sorte, não contém predadores;
chegam à idade adulta sem violência no jardim"
Naomi Wolf

Temos um gato doméstico, e por isso todas as manhãs, a título de mimo especial, carrego nos braços o nosso tigrezinho cinzento enquanto passeio pela selva caótica a que os nossos vizinhos erroneamente chamam o seu jardim. Enquanto levo no colo o meu gato ao longo de um trilho rodeado com flores quase trinta centímetros mais altas do que eu, passando por uma massa escura de pinheiros, e para trás à roda da magnólia e dum canteiro de tomates que faz por sobreviver, me pego muitas vezes a devanear sobre quem ou o quê poderá estar escondido na vegetação, a olhar para mim com olhos esfomeados. Na minha imaginação “sem sorte”, o jardim sombrio e fértil está povoado de predadores. Por trás de cada arbusto, esgueirando-se fora de vista, dentro das sombras, está alguém mais forte e mais brutal do que eu, alguém que me quer subjugar e curvar-me à sua vontade, alguém que quer torturar-me ou humilhar-me cruelmente só para me ver corar, choramingar ou gritar de dor.

domingo, 1 de abril de 2012

Calígula (de Albert Camus)


pg 22   Calígula: "Este mundo, tal como está feito, não é suportável. Tenho necessidade da lua."
     23   Calígula: "Os homens morrem e não são felizes."
     31   Calígula: "Governar é roubar"
     36   Calígula: "Os homens choram porque as coisas não são como deviam ser."
     57   Calígula: "... todas as horas ganhas sobre a morte são inestimáveis."
     61   Cherea: "Não há paixão profunda sem crueldade"
     82   Calígula: "A solidão! Que é que tu sabes da solidão? A dos poetas e a dos impotentes. A solidão? Mas qual? Ah, tu não sabes que nunca se está só! E que nos acompanha sempre o mesmo peso do passado e do futuro. "
     90   Os Patrícios: "... a verdade deste mundo que é a de não ter nenhuma..."
     93   Cipião: "Posso negar uma coisa sem (...) retirar aos outros o direito de acreditarem nela."
     110 Cherea: "Porque tenho o desejo de viver e de ser feliz."
     143 Calígula: "... não tenho só a estupidez contra mim. Tenho também a lealdade e a coragem daqueles que desejam ser felizes."
     144 Calígula: "... esta vergonhosa ternura é o único sentimento puro que a vida me deu até hoje."
     145 Calígula: "O amor não me basta"
            Calígula: "Sei que nada dura."
     146 Calígula: "... perfazer, enfim, a solidão eterna do desejo."
     147 Calígula: "... matar não é a solução."
            Calígula: "Como é desgostante, após ter desgraçado os outros, sentir a mesma cobardia na alma. Deixá-lo, nem sequer o medo dura. Vou reencontrar esse vazio enorme que pacifica o coração."
     148 Calígula: "Ainda estou vivo."