quarta-feira, 27 de junho de 2012

Os homens são as novas mulheres


Original no blog "Nada Importa"
 
"Não entendo nada.
Não sei se saben - e se não, aquí estou eu para recordá-lo - mas giro um - muito prescindível - Formspring donde tinem respostas a perguntas vitais: banalidades sobre mulheres, vinhos, cabelos, restaurantes e problemas. Problemas com mulheres, claro.
Pois bem, estas últimas semanas ando aterrorizado. Com cada nova pergunta sobre como pentear a uma dama - aham - um escalafrío percorre a minha espinha. Vejo-os: “- Eu (outra vez) disse-lhe que ficássemos alguma vez sem estarmos bêbados… que realmente tinha interesse em ver se podíamos ter algo mais. Quando lhe mandei um sms para que confirmássemos o dia para nos encontrarmos não me respondeu. Estou muito triste”.

Que caralho se está a passar?
Sinto-me um pouco como (continuar a ler)."
Original no blog "Nada Importa"

E se os homens e a as mulheres trocassem de papel?

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pirão de peixe

Pergunta:
- E se no Mundo, para aplacarmos a fome,  apenas houvesse pirão de peixe, o que seria um sábio?
Resposta:
- Simples, o sábio iria "conhecer o Pirão, querer o Pirão, amar o Pirão, contentar-se com ele, nunca recriminar contra ele, desejá-lo tal como é, e, consequência destas práticas teóricas e existenciais, desfrutar do Pirão, encontrar-se [com ele] como peixe na água, sem jamais se questionar das suas relações com o pirão, eis por palavras toda a sabedoria" num Mundo só com pirão de peixe.
Pergunta:
- E se no Mundo apenas houvesse pirão de peixe, o que fariam as pessoas vulgares?
Resposta:
- Simples, o que fazemos [eu incluído!] de costume, sofrer e ser infelizes porque desconheceríamos o Pirão, não quereríamos o Pirão, não gostaríamos de Pirão, não nos contentaríamos com ele, imaginaríamos as mais diversas iguarias neste e no outro Mundo, recriminaríamos contra ele, desejaríamos outro pirão, e, consequência destas práticas teóricas e existenciais, detestaríamos o Pirão, encontrar-nos-íamos [com ele] como peixe fora de água, sempre a questionar a nossa infeliz presença neste pirão de peixe e seriamos profundamente insatisfeitos e incapazes de desfrutar, eis por palavras a raiz da miséria dos homens.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Estado de Sítio



Página
13 Homens falando: "A Espanha não, homem, a Espanha não!"
17 Nada: "Eu, Nada (...) bêbado por desdém de todas as coisas."
17 Nada: "a vida vale a morte, o homem é feito de madeira de que se fazem as fogueiras."
18 Nada: "Não vocês não estão na ordem, vocês estão na fila. bem alinhados, de ar tranquilo, vocês estão maduros para a calamidade."
18 Nada: "Li nos livros que vale mais ser cúmplice do céu que sua vítima."
21 Nada: "E nada desta Terra, nem rei, nem cometa, nem moral, estarão nunca acima de mim!"
Página
31
Diego:
"Cem anos depois de eu morrer
Poodia a Terra perguntar-me
Se eu já te tinha esquecido
Que eu responderia ainda não!"
67 O Coro: "O nosso coração não era inocente mas amávamos o Mundo e os seus Verões." 
81 Nada: "Estou farto de dizer que não estou morto!"
86 A Morte: "A nossa convicção é que vocês são culpados"
98 Mulher: "A justiça é as crianças comerem o que têm na vontade e não terem frio. A justiça é os meus meninos viverem. Deitei-os ao Mundo numa Terra de alegria. O mar deu-lhes a água do baptismo. Eles não têm precisão de outras riquezas. Não peço para eles senão o pão de cada dia e o sono dos pobres. Não é pedir muito, mas é isso que vocês me recusam. E se recusarem aos infelizes o pão, não haverá luxo, nem lindas falas, nem promessas misteriosas que façam perdoar uma coisa tal."
Nada: "Deveis preferir viver de joelhos a morrerem de pé, para que o universo encontre a sua ordem..."
104 O Juiz: "Se o crime se torna lei, deixa de ser crime"
110 A mulher do juiz: "... o direito (...) está do lado dos que sofrem, gemem e esperam. Não está, não pode estar, com os que calculam e amontoam."
111 A mulher do juiz, adúltera, para o juiz:
"... sei, na minha miséria, que a carne tem as suas faltas, enquanto o coração tem os seus crimes."
117 Diego, marcado pela peste, para a sua amada Vitória: "Morre ao menos comigo."
129 A Morte: "É o meu rol de lavadeira! Eis tudo!"
133 Diego: "Cada um de nós está só por causa da cobardia dos outros."
135 A Morte: "... bastou sempre que um Homem dominasse o seu medo e se revoltasse para que a máquina começasse a ranger. Não digo que ela chegue a parar, não é caso para isso. Mas , enfim, a máquina range e, algumas vezes, acaba mesmo por se avariar."
143 O Coro: "Nós temos sempre pago tudo com a moeda da miséria. É na verdade necessário pagar com a moeda do nosso sangue? "
154 Diego: "Nem medo nem ódio. Silêncio. é essa a nossa vitória.
154 A Peste: "Eu sou aquele que azeda o vinho e seca os frutos. Eu mato o ramo de vinha se ele quer dar uvas, reverdeço-o se o querem utilizar para o lume. Tenho horror às vossas alegrias simples. Tenho horror a este país [Espanha] onde se pretende ser livre sem ser rico. Tenho as prisões, os carrascos, a força, o sangue! A cidade será arrasada e, sobre os seus escombros, a história agonizará enfim no belo silêncio das sociedades perfeitas. Solêncio, pois, ou esmago tudo."
162 A Peste: "Ninguém pode ser feliz sem fazer mal aos outros. É a justiça deste Mundo. "
162 Diego: "Não. Conheço a receita. É preciso matar para suprimir o assassínio, ser violento para curar a injustiça. Há séculos que isso dura! Há séculos que os senhores da tua raça apodrecem a chaga do Mundo sob pretexto de curá-la, e continuam a gabar a sua receita, porque ninguém lhes ri na cara."
164 Diego: "Os escravos estão nos tronos."
165 Diego: "É a sua mediocridade  que me irmana a eles [os Homens]. E se eu não for fiel à pobre verdade que com eles compartilho, como o seria ao que tenho de mais solitário?"
165 Diego: "Desprezo apenas os carrascos."
167 A Peste para Diego: "Vá! Sofre um pouco antes de morrer. "
168 A Morte para a Peste: "Antes de ti eu era livre e associada ao acaso. Ninguém me detestava então. "
169 A Morte: "Eu amo aqueles que marcam encontro. "
171 A Peste: "O ideal é obter uma maioria de escravos com o auxílio de uma minoria de mortos bem escolhidos. "
171 A Morte: "Triunfaremos de tudo, excepto do orgulho "
171 A peste: "Honra aos estúpidos porque eles preparam os meus caminhos"
173 Vitória: "Ninguém tem o direito de estar contente e morrer. "
173 Vitória para Diego por este não ter trocado a Terra por ela: "Não. Era preciso escolher-me contra o próprio céu. Era preciso preferir-me à Terra inteira."
174 Diego: "Nós, os homens, nunca fomos capazes senão de morrer. "
175 A Morte: "A Terra é meiga para aqueles que muito a amaram."
176 Nada: "Atenção, vêm aí os que escrevem a história" "
177 Nada: "... aprendereis um dia que não se pode viver bem quando se sabe que o homem não é nada e que a face de Deus é hedionda."
177 O Pescador: "A vaga enorme, das profundidades, alimentada no amargor das águas, há-de arrasar as vossa cidades horríveis. "

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Um bom resumo da peça pode ser lido aqui

O Mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo

Albert Camus


UM RACIOCÍNIO ABSURDO

As páginas que se seguem tratam de uma sensibilidade absurda que se pode encontrar esparsa em nosso século — e não de uma filosofia absurda que o nosso tempo, para sermos claros, não conheceu. É, portanto, de uma honestidade primordial assinalar, logo de início, o que elas devem a certos espíritos contemporâneos. Minha intenção de ocultá-los é tão pequena, que eles se verão todos citados e comentados ao longo da obra. Mas é proveitoso observar, ao mesmo tempo, que o absurdo, tomado até aqui como conclusão, é considerado neste ensaio como um ponto de partida. Nesse sentido, pode-se dizer o quanto há de provisório na minha ponderação: nada se saberia conjeturar na posição a que ela obriga. Aqui somente se encontrará a descrição, em estado puro, de uma doença do espírito. [1] Nenhuma metafísica, nenhuma crença estão misturadas com isso, no momento. São os limites e o compromisso único deste livro.

O absurdo e o suicídio

Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, já que ela vai preceder o gesto definitivo. Estão aí as evidências que são sensíveis para o coração, mas que é preciso aprofundar para torná-las claras à inteligência.
Se me pergunto em que julgar se uma questão é mais urgente do que outra, respondo que

domingo, 24 de junho de 2012

Pornochacha


A coisa foi-me apresentada assim:

- Todos los trintañeros quieren una pornochacha, disse-me a minha pornochacha*.
- O que é uma pornochacha, perguntei eu?



Após alguma investigação aqui fica uma foto e uma reportagem da TV4. Para finalizar um registo histórico.



Antes uma puta era uma puta. Tinham dignidade.



(*) Chacha em castelhano é "empregada doméstica" em português,

sábado, 23 de junho de 2012

Poliphonia Signature 2008














Menos mal que há algo ou alguém que excele em equilíbrio.
Belo vinho (ficha técnica em pdf)

Saber e Ensinar Matemática Elementar

          A ler em breve




Ver também:

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Putas graças a Deus (III)

Um cara passa por uma beldade na rua e fica deslumbrado com seu par de peitos. Chega perto e oferece:
- Dou R$100,00 só para dar uma mordidinha nesses peitinhos.
A mulher reage furiosa e resmunga:
 - Não sou o que você está pensando. Não sou vagabunda, seu cafageste.
Ele retruca:
- Estou deslumbrado. Dou R$1.000,00 só para dar uma mordidinha.
E ela pensativa:
- Se você não parar serei obrigada a chamar um guarda, seu mal-educado.
Ele dá a última cartada:
- Te ofereço R$5.000,00 só por uma mordida.
Por essa preço ela fica em dúvida e pergunta:
- Mas como nós faríamos?
Ele todo empolgado
- Naquele cantinho, atrás da banca de Jornais.
Caminham juntos para o local e lá ela coloca os peitos para fora e ele começa a beijá-los, lambê-los, chupá-los e ela nervosa:
- Como é? Não vai morder?
E ele: 
- Não, é muito caro...

Homem sensível

A mulher conhece um cara num bar, conversam, se entendem, papo vai, papo vem, acabam saindo juntos do bar e vão para o apartamento dele . Chegando lá, ela nota uma estante com 3 prateleiras, com centenas de ursinhos de pelúcia. Na debaixo estão os menores, na do meio tamanho médio, e na de cima os grandes ursos. Ela ficou imaginando que cara sensível, com tantos ursinhos... que cara especial... mas decidiu não dizer nada a ele, e assim, ela começa a beija-lo impressionada com seu lado sensível, e caem na cama, e tem uma noitada de sexo maravilhosa...
No dia seguinte, estão deitados na cama, curtindo o pós festa, e ela decide perguntar sorrindo:
- E então, que tal?
Ao que ele responde: 
- Pega um prémio da prateleira de baixo.

sábado, 2 de junho de 2012

Núpcias em Tipasa

Na Primavera Tipasa é habitada pelos deuses e os deuses falam no sol, no odor dos absintos, no mar revestido por uma couraça de prata, no céu de um azul inclemente, nas ruínas cobertas de flores e na luz que jorra aos borbotões por entre as pedras amontoadas. Em certas horas o campo fica negro de sol. Os olhos tentam inutilmente perceber outra que não sejam as gotas de luz e as cores que tremem na beira dos cílios. O odor intenso das plantas aromáticas arranha a garganta e sufoca, no calor descomunal. A muito custo, no fundo da paisagem, consigo vislumbrar a massa escura do Chenoua, que se enraíza nas colinas que circundam a aldeia, estremece com um ritmo seguro e pesado, para ir agachar-se no mar.
Chegamos pela aldeia que se abre sobre a baía. Entramos num mundo amarelo e azul, onde nos acolhe o suspiro perfumado e acre da terra estival da Argélia. Por toda a parte, as buganvílias, de um rosa avermelhado, irrompem do alto dos muros das casas de campo; nos jardins, hibiscos de um vermelho ainda pálido, uma profusão de rosas-chá, espessas como um creme, e orlas delicadas de longos íris azuis. Todas as pedras estão quentes. No momento em que descemos do ônibus cor de botão-de-ouro, os açougueiros, em suas carroças vermelhas, fazem o costumeiro giro matinal, e o toque de suas cometas chama os habitantes.
A esquerda do porto, uma escada de pedras secas leva às ruínas, por entre os lentiscos e as giestas. O caminho passa diante de um pequeno farol, para mergulhar logo depois em pleno campo. A partir desse farol, já se vêem as grandes plantas gordurosas, de flores arroxeadas, amarelas e vermelhas, descendo em direção aos primeiros rochedos, que o mar suga com um rumor de beijos. De pé, ao vento leve, sob o sol que nos aquece um só lado do rosto, contemplamos a luz que baixa do céu, o mar sem uma ruga e o sorriso de seus dentes resplandecentes. Antes de entrar no reino das ruínas, somos espectadores pela última vez.
Ao fim de alguns passos, os absintos agarram-se a nossa garganta. Seu pêlo cinzento recobre as ruínas a perder de vista. Sua essência fermenta sob o

Dá-lhes Crato!

Nuno Crato, ministro da educação de Portugal (Ver foto)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Three Little Birds (Bob Marley)

A professora de matemática pergunta ao Joãozinho:
- Joãozinho, estão três passarinhos no galho de uma árvore. O menino pega na sua espingardinha e mata um. Quantos ficam no galho?
- Nenhum, professora, responde ele.
- Como Joãozinho? Pense bem... Eram 3 passarinhos, e o menino mata um. Quantos sobram?
- Nenhum professora. Quando eu acertar no primeiro, os outros dois voam e não fica nenhum no galho.
- Bem Joãozinho, a resposta não foi correcta mas eu gosto muito da sua maneira de pensar.

- Professora, eu também tenho uma perguntinha. Ali no banco do jardim estão sentadas três raparigas. Uma está a comer um gelado, a outra está a chupar no seu gelado e a terceira está a morder no gelado. Qual delas é casada?
A professora, muito constrangida e vermelha, pensa um pouco e responde:
- Bem, acho que é a que está a chupar o gelado.
- Errado, professora. A que é casada é a que está com uma aliança no dedo, mas eu gosto muito da sua maneira de pensar...