quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os homens são violadores

Que monstruosidade! Em que mundo vive quem pensa assim?
   Foto de mau gosto...
Azar, o blog é meu!
Esta frase foi-me repetida esta noite numa conversa de café por um convicto holandês acompanhado da sua loira mulher ou namorada. Rebati a tese com o pouco que sei sobre este assunto.

Não dou para o peditório dos relativismos, mesmo se muitas vezes concedo nas tautologias discursivas do "a maioria", ou do "em geral", só para não ter de aturar essa gente que se julga superior a mim porque me chama à atenção para que "não se pode generalizar" como se eu fosse um ignorante - sou, mas não tanto - quando digo que os cágados nascem com 4 patas, certamente devo ignorar que alguns nascem só com 3 patas e outros com 5; ou quando digo que os seres humanos têm 46 cromossomas devo ignorar que uma percentagem importante dos seres humanos têm trissomia 21 e por isso têm 47 cromossomas. Em geral o não-podes-generalizador refuta assim a afirmação do interlocutor e afivela no rosto uma expressão triunfal, qual matador na arena diante do touro ensanguentado a seus pés, pronto a cortar uma orelha da besta atávica sob o aplauso geral. É lindo!

Deixando de lado esses relativismos de pacotilha, a pergunta que importa fazer é se este preconceito dos "homens violadores" tem, ou não tem, pernas para andar. Durante muito tempo achei que sim, hoje acho que não. E a chave está na incompreensão das fantasias sexuais na economia de Onã.
Será que sou eu que estou errado e grande parte dos homens são,  violadores de facto, ou sê-lo-ião se a oportunidade se apresentasse - violadores de conveniência?

A sorte de Onã é que Deus é bondoso e, por isso,
apenas o condenou eternamente ao fogo do Inferno
por ejacular fora da cunhada.
in The Book of Genesis Illustrated
Para rebater a tese do interlocutor comparei duas realidades que conheço mal: em Portugal há poucas violações, como Deus manda violar* uma mulher; na Índia há muitas violações como deve de ser*. Não me ocorreu nada melhor perante o horror de tal afirmação que vejo como típica da misandria feminista - apoiadas no Freud que lhes convém.

O que sei é que a maioria dos homens - não tenho dados... - têm fantasias como violador e que cerca de 50% das mulheres tem fantasias de ser forçada a ter sexo. Em linha com a dinâmica das fantasias masturbatórias em que as mulheres tendem a imaginar que lhes fazem coisas e os homens a imaginar que fazem coisas.
Mas isso quer dizer que boa parte dos homens são violadores e metade das  mulheres querem ser violadas?
Acaso ainda não sabemos o papel da fantasia na nossa economia onanista?

É claro que a literatura está cheia de violações e os filmes também!
Não é por acaso que chamamos aos romances e guiões de filmes "punhetas mentais" de escritores e cineastas...
E de fantasias ficamos entendidos se dissermos que a maioria de nós já fantasiou voar, ser sobre-humano, matar alguém, ser príncipe ou princesa; e não é por isso verdade que somos megalómanos, assassinos, super-heróis ou pássaros!

Conheci poucos violadores como Deus manda*, e apenas não posso dizer que não conheci nenhum porque no quartel, onde fui sargento durante muitos anos, havia vários criminosos da guerra em África.
Tenho por hábito perguntar às minhas amantes ou amigas (se puder chegar a esse nível de confiança) o seu passado de abuso sexual. Das centenas de conversas registo duas violadas, basicamente com o mesmo padrão - discrição, agressão, ameaça com arma, cópula desajeitada e resolução - e muitas dezenas (a maioria dos relatos) de abusos sexuais por pessoas próximas - quase sempre um dos primeiros namorados. Violações como Deus manda*, apenas duas, menos de 1%.
Arriscaria que na nossa sociedade há menos de 10% de mulheres violadas e como os violadores tendem a ser seriais deve haver menos de 5% de homens que alguma vez tenham violado uma mulher.
Se são violadores as convenções sociais inibem-nos, falta-lhes coragem?
Ou seja, somos violadores mas apenas 1 em 20, ou ainda menos, violámos uma mulher?
Abano a cabeça, não faz sentido!
Seria o mesmo que dizer que os ciganos são ladrões e apenas 5% dos ciganos alguma vez roubou na vida.
Ou que os homens gostam de assassinar pessoas e apenas 5% alguma vez o fez. E por aí fora...
A realidade não colabora com o meu freudismo primário e quando a realidade não colabora com os seus preconceitos o filósofo muda de preconceitos...
Talvez os homens afinal não sejam violadores e apenas os homens sociopatas o possam ser.

(*) O violador como Deus manda, ou violador como deve de ser - violador comme il faut, em francês que é mais fino! - age isoladamente, procura ser discreto e usa alguma arma para coagir a vítima.
Só quem nunca violou ninguém pode imaginar que um homem de mãos nuas consegue imobilizar uma mulher adulta e ao mesmo tempo penetrá-la em condições - há uma cena no final do filme "Robin Hood" de 1991 em que o mau - Sheriff George of Nottingham - nem sequer consegue concentrar-se para copular com a boazinha - Marian Dubois - com quem acabou de casar, por causa do barulho das pancadas - not again! - na porta (ver aqui)!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Tourada nos Açores

domingo, 19 de agosto de 2012

Porque é que o sexo faz as mulheres apaixonarem-se?


Porque é que o sexo faz as mulheres apaixonarem-se?

O sexo é uma das nossas maiores preocupações – causa emoções, sofrimento e confusão generalizada. Até há pouco tempo, saber exatamente o que acontece no cérebro durante o sexo, era algo misterioso para os cientistas. Recentemente, investigadores americanos descobriram o que se passa na cabeça de uma mulher durante um orgasmo.

Cientistas da Universidade de Rutgers, Nova Jersey, utilizaram scaners para monitorizar o cérebro das mulheres durante o orgasmo e descobriram que partes diferentes do cérebro são ativadas quando as várias partes do corpo são estimuladas. Descobriram que mais de 30 áreas do cérebro são ativadas, incluindo as áreas responsáveis pela emoção, toque, alegria, satisfação e memória. Os cientistas descobriram que dois minutos antes do orgasmo são ativados os centros de recompensa do cérebro. Estas são as áreas geralmente ativadas quando comemos ou bebemos. Imediatamente antes de atingirem o pico do orgasmo, outras áreas do cérebro são afetadas, como o córtex sensorial, que recebe mensagens das diferentes partes do corpo. A última zona do cérebro a ser ativada é o hipotálamo, zona que controla e regula a temperatura, fome, sede e cansaço. Os cientistas também descobriram que excitação sexual entorpece o sistema nervoso feminino de tal forma que uma mulher fica mais insensível à dor, e só sente prazer.

A equipe espera agora mapear o que acontece no cérebro de um homem durante o orgasmo.

Quisemos saber o que se passa nas nossas cabeças quando nos enfiamos debaixo dos lençóis e pedimos aos especialistas para nos revelarem como o sexo altera os nossos cérebros.

Por que é que o amor dói

Uma hormona muito importante libertada durante o sexo é a ocitocina, também conhecida como o "hormona do aconchego ou do abraço", que faz baixar as nossas defesas e faz com que confiemos nos outros, diz o Dr. Arun Ghosh, um GP especializado em saúde sexual do Hospital de Liverpool Spire. Esta hormona é a responsável pelo aumento dos níveis de empatia, e embora não sejam conhecidas as razões, o facto é que as mulheres produzem mais esta hormona durante o sexo, e isto significa que elas são mais propensas a baixar as defesas e se apaixonarem pelo homem depois do sexo. No entanto, o problema é que o corpo não consegue distinguir se a pessoa com quem estamos é uma queca casual ou um possível relacionamento e a ocitocina é libertada da mesma forma. Enquanto ela pode ajudar a ligar-se com o amor da sua vida, é também a razão pela qual que você pode sentir-se tão infeliz quando termina uma relação.

Os Homens, por outro lado, em vez de obterem um aumento da hormona da empatia, recebem uma onda de prazer simples. "O problema é que, quando um homem tem um orgasmo, a principal hormona libertada é a dopamina (a hormona do prazer). E este aumento pode ser viciante," diz Ghosh. É por isso que muitos mais homens tendem a sofrer de dependência de sexo.

Livrarmo-nos da demência

todos nós temos a consciência de que nossas células cerebrais diminuem com a idade. A boa notícia, é que fazer sexo regularmente pode ajudar a crescer novas células cerebrais, de acordo com cientistas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. E segundo parece, quando mais sexo se tem, mais células fazemos crescer. Estudos com animais, publicados na revista PloS ONE, demonstram que o sexo estimula o crescimento de células cerebrais no hipocampo, parte do cérebro responsável pela memória e aprendizagem. Factores como o stress e a depressão, diminuem o hipocampo, o exercício e o sexo neutralizam este efeito. Além disso, o sexo protege as nossas células cerebrais do declinio. "há indícios de que pessoas mais velhas que são sexualmente ativas são menos propensos a ter demência e isso pode acontecer por uma variedade de razões complexas" diz Ghosh. O sexo causa aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro, o que melhora os níveis de oxigênio. "Exames de ressonância magnética mostraram que, durante o orgasmo, os neurônios no cérebro são mais ativos e usam mais oxigênio," explica Barry Komisaruk, professor de psicologia na Universidade de Rutgers e das maiores autoridades sobre sexo e neurociência. "Quanto mais ativos forem os neurónios, mais oxigénio eles retiram do sangue, e mais sangue oxigenado é enviado para a região, entregando assim um reforço de frescos nutrientes." Ao mesmo tempo que estimula as células do cérebro, sexo também pode aguçar a mente de uma mulher, diz Ghosh. Isso é devido ao aumento das hormonas sexuais, principalmente a testosterona, que pode ajudar a melhorar a concentração e tempos de reação.

Beijar significa melhor sexo

Os lábios estão repletos de terminações nervosas, 100 vezes mais do que as pontas dos dedos. É por isso que beijar faz disparar múltiplos mecanismos no cérebro, que libertam substâncias químicas que fazem baixar o stress e aumentar o humor. "Você vai ter muito melhor sexo se beijar antes da relação sexual", diz Ghosh. Ele aumenta os níveis de hormonas de prazer e você ficará muito mais receptivo ao que acontecer a seguir. "É por isso que o sexo amoroso pode ser mais gratificante do que uma rapidinha – e essa dose de endorfina e dopamina é especialmente importante para as mulheres."

Um analgésico natural

O Orgasmo (mais do que o sexo) pode bloquear os sinais de dor, diz Komisaruk. Na verdade, diz ele, pode elevar o limiar de dor, tanto como o equivalente na morfina que é três vezes a dose de analgésicos usuais.

Poder da mente

Muitas das pesquisas sobre saúde sexual concentram-se no que acontece fisicamente. Mas especialistas dizem que, para muitas pessoas (principalmente mulheres) a mente desempenha um papel fundamental para atingirem o orgasmo. Enquanto os cérebros masculinos tendem a focar a estimulação física envolvida no contato sexual, a chave para a excitação feminina parece ser um relaxamento profundo e ausência de ansiedade. Os scaners mostram que, durante o sexo, as partes do cérebro responsáveis pelo processamento do medo, ansiedade e emoção feminina começam a relaxar mais e mais, atingindo um pico no orgasmo, quando a ansiedade e emoção estão efetivamente desligados no cérebro feminino.

sábado, 18 de agosto de 2012

Violência no Jardim ( II )

Continua a minha eterna surpresa perante a alma feminina...

Os resultados de 20 estudos publicados na revista Psychology Today mostram que entre 31% a 57% das mulheres fantasiam com serem forçadas a ter sexo. “Mulheres a sonharem com cenas de violação é um terreno onde se cruza desconfortavelmente o eros com a política”, diz Daniel Bergner, que está a trabalhar num livro sobre desejo feminino que vai ser publicado no próximo ano. “É um terreno onde a realidade não coincide com aquilo que dizemos.”

Os investigadores e psicólogos com quem falou para escrever o artigo O que querem as mulheres , que o New York Times publicou em 2009, pareceram-lhe relutantes em usar a expressão “fantasia de violação”. E, em ensaios académicos, a ideia deixa até nervosas e a desculparem-se as mulheres que a relatam.

Por definição, “fantasias” são algo que não se controla. Mas parecem estar a dizer-nos alguma coisa sobre as mulheres que todas preferiam esconder. Uma das fontes de Bergner preferiu chamar-lhes “fantasias da submissão”; outro disse “é o querer estar para além da vontade, para além do raciocínio”.

As feministas ficam perplexas com o nosso contínuo investimento nestas fantasias na esfera do romance, neste desejo residual de se ser controlada ou dominada. Têm vindo publicamente denunciar a quantidade de mulheres poderosas, bem sucedidas e independentes que se deixam enredar em fantasias (e realidade, claro, mas isso é outra história) de submissão. Estas mulheres “foram educadas a acreditar que sexo e dominação são sinónimos”, escreve Gloria Steinem, e que, de uma vez por todas, temos de “separar o que é sexo do que é agressão”. Mas talvez sexo e agressão não possam ou, melhor, não devam ser separados.

Também não têm sido poucas as opinadoras de esquerda que perguntam: “Foi para isto que lutámos?” Mas é claro que estas lutas sempre foram irrelevantes para a vida íntima. Quando perguntaram à brilhante pensadora feminista Simone de Beauvoir se a sua subjugação a Jean-Paul Sartre na sua vida pessoal contrariava as teorias feministas que professava, respondeu: “Bem, estou-me nas tintas. Lamento desapontar todas as feministas, mas posso dizer que é pena que muitas delas vivam só da teoria em vez da vida real.”
Também Daphne Merkin, jornalista da New Yorker, na sua controversa e reveladora meditação sobre a sua própria obsessão com o espancamento, especulou sobre a tensão entre a sua identidade como “mulher poderosa” e os seus desejos por punições sexuais infantilizadas. “Igualdade entre homens e mulheres, ou tão-somente o seu pretexto, dá imenso trabalho e pode nem ser o caminho mais seguro para a excitação sexual.”

Será talvez inconveniente para o feminismo que a imaginação erótica não se submeta à política, (...)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MS 13 - Conversão à misantropia

Desde 1986 que leio verdadeiramente o Mundo.
Ontem passei horas a ler e a ver vídeos sobre algo que desconhecia, o MS-13.
Vivendo em Portugal, tem sido a Europa Ocidental o meu pátio de leitura privilegiada. Desde os anos 80 que essa Europa vive um longo período de estagnação. Muitos países conseguiram maquilhar o aspecto económico com o recurso à dívida e o aspecto cultural com comportamentos e processos histriónicos como a publicidade agressiva a sucessos de somenos importância, jogos olímpicos por exemplo,  e a vanguarda na arte do cocó.
A crise actual vem pôr a nu, já não somente a não evolução como me parece também um retrocesso e impreparação para as dificuldades.
Em Julho de 1986 atravessei a fronteira de Vilar Formoso com a intenção de conhecer verdadeiramente a minha Europa. Com pouquíssimo dinheiro - recordo que tinha apenas 170 dólares dividido em notas de $10, uma para cada dia; como descobri rapidamente, com as comissões cambiais, seriam 17 dias de sol e fome - coloquei-me estrategicamente à boleia em Fuentes de Oñoro, diante do "Centro Comercial". Na mão uma placa de papelão que dizia em letras gordas: "SALAMANCA". Plano A, estudante em Coimbra, queria conhecer a universidade irmã.
Alfa Romeo Sprint Veloce de 1985
Não conheci Salamanca, era cedo para isso. Antes do meio-dia parou um carro desportivo, um Alfa Romeo Sprint Veloce de matrícula suíça. Às 5h30 da manhã do dia seguinte deitei-me, para descansar, debaixo de enormes cedros num parque público de Genebra. Pelo sistema de estradas da altura, estava a 2000 km de Coimbra. Nesse Verão passei uma semana a renovar os abrigos anti-nucleares de Genebra. Não gastei quase um tostão e ganhei mais $230. O pederasta argentino chefe da equipa com que trabalhei ainda me deu mais $40 do seu próprio bolso.
Bulldog Palace
Continuei o périplo com um tour por Lausane, Lucerne, Zurique e Lugano, ainda na Suíça, atravessei a Itália do norte até Trieste e daí, tranquilamente entrei a pé na Jugoslávia de Tito (morto há poucos anos), ainda unificada, optimista e esplendidamente comunista. O país fervilhava de vida mesmo se na fronteira só mostrando a minha fortuna de dólares me tivessem permitido passar. Após outra semana do outro lado do muro fiz uma longa viagem até Hamburgo, cruzando lentamente de sul a norte, a Áustria e a Alemanha. Deu tempo para visitar um amigo em Colónia, ver os dois primeiros homens a beijarem-se longamente num bar da cidade. Acelerar a 200 km/h numa auto-estrada de 4 faixas a caminho de Amsterdão; fumar uma ganza legal no Buldog Palace e surpreender-me com o tipo de mulheres que verdadeiramente entesam os homens, no Dam. Até o meu tipo lá estava.
Longos dias em Paris à cata de fantasmas no Café de Fiore e nos Deux Magots e regresso a casa com um par de dias de paragem no país basco francês, algo que se tornaria rotina nos anos seguintes. Madrid de passagem e um dia em Salamanca. Ao todo uns 10.000 km na Europa que seria a do euro.
Religiosamente, durante uma década, repeti viagens deste tipo, desde a Noruega à Grécia. Depois comecei a viajar de forma quase burguesa e perdi a ligação aos países que visitei e passou a ser impossível uma visão profunda - não cabe aqui contar as confissões espantosas que algumas pessoas fazem a um estrangeiro que levam entre duas cidades e a quem sabem nunca mais verão, recordo um homem que me passou 2 horas a dizer como ia matar a mulher e o amante se os surpreendesse ao chegar a casa;  era meia noite e regressava à sua cidade, de surpresa...

Passaram 26 anos, uma geração, o que mudou?
Para começar mudei eu. Não tanto como é natural. A Jugoslávia desapareceu. Em muitos aspectos a Espanha e Portugal mudaram muito e assemelham-se hoje à França e Alemanha de então. A Itália mudou algo, a Holanda mudou pouco, Áustria, França, Alemanha Ocidental e Suíça, quase nada.
Esta Europa globalizou-se economicamente, é um facto. Mas as sociedades não mudaram de forma importante para lá da habitual "espuma dos dias" - modas e modos de consumo.
Sinto porém que houve um retrocesso preocupante. Todas as sociedades se tornaram mais incultas e as pulsões egoístas anti-solidárias esperam apenas uma oportunidade para se mostrarem em todo o seu esplendor de crueldade. Ao contrário de há 26 anos o TER é o único valor aglutinante, o SER perdeu o seu valor. De que vale hoje SER sério, SER culto, SER honesto, SER cientista, SER um Homem?
Ou pelo menos que vale isso comparado com o TER um ferrari, TER um bom trabalho na bolsa de valores, TER dinheiro, TER um cartão de crédito platina, TER um estúdio na zona chique da cidade, TER um iPhone 4, TER uma bolsa versacce e uns sapatos gucci, TER jeito para cantar, TER jeito para o futebol?
Se há área afectada por esta crise é certamente  a do TER. 
O fenómeno MS 13 mostrou-me que uma das fragilidades destas sociedades que substituíram completamente o SER pelo TER é a vasta massa de jovens funcionalmente analfabetos - sobretudo rapazes - que na ausência do TER julgam a sua vida sem um sentido e se dispõem a morrer e matar para manter o status que os filhos dos detentores de capital têm. O PISA aponta para que em Portugal sejam cerca de 25% o número de rapazes de 15 anos (ver aqui) que não sabe ler apesar de estarem a concluir o ensino básico (9ºano de escolaridade) - 21% nos EUA, 46% no México e 56% no Brasil. E a pergunta óbvia é: O que andaram estes rapazes a fazer na escola, durante estes 9 anos?
Enquanto o estado é forte e a sociedade generosa - penso aqui na educação grátis e de qualidade, assistência médica pública generalizada, e apoios sociais às "colectividades" e aos mais pobres - fenómenos como o Mara Salvatrucha são facilmente contidos em bolsas de exclusão social onde os afectados são quase exclusivamente os trabalhadores pobres que têm de viver nesses "bairros" de exclusão social de facto. Pergunto é o que acontecerá quando o estado estiver descredibilizado - pelo mau uso que faz dos nossos impostos - e a sociedade deixar de ser generosa como parece inevitável neste momento em que se corta despesas sociais a torto e a direito e parecemos condenados a passar 30 anos a pagar as dívidas que contraímos?
O nosso MS 13 espera-nos ao virar da esquina desta brutal crise económica mas também crise de cultura e inteligência.  



Vejam os exames de 1966 e de 2012

domingo, 12 de agosto de 2012

Exame da 4ª classe de 1966

Português (5) 


Matemática (5 e 12)