quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Não acrescentes negatividade à negatividade que já existe

Uma história, comum a quem foi encornado, mostra como Montaigne agia: ver, ouvir, não dizer nada, certamente, mas - método supremo... - mostrar que se sabe, depois não dizer nada.
Quando o seu irmão morre num acidente de jogo de péla , procuram por todo o lado a sua corrente de ouro para as partilhas da herança. Sem a encontrarem.
Como irmão mais velho, Montaigne preside à partilha. Pede que se procure no cofre da sua própria mulher.
De facto a jóia está lá!
Antoinette, mãe do filósofo, salva a honra da nora assumindo que foi ela que arrumou a jóia aí. Montaigne aceita a explicação, mas faz essa versão dos acontecimentos ser registada por um notário, tendo os 3 irmãos como testemunhas...
Nos Ensaios (...) Montaigne teoriza sobre a condição de corno, esclarecendo que toda a gente já foi, é ou será encornado. Ou então toda a gente encornou, encorna ou encornará. Não há por que se melindrar por tão pouco!
Em primeiro lugar a honestidade não é a coisa mais bem distribuída do mundo; em seguida, uma mulher é virtuosa enquanto não tem uma boa oportunidade de deixar de o ser. O mesmo vale para os homens.
O essencial, acrescenta o sábio bem informado - por ter sido encornado e por ter ele próprio encornado! - é a discrição. Não acrescentar mais negatividade à negatividade que já existe.

Tradução livre a partir da biografia de Montaine em:
 "Contra-história da filosofia", Vol II, de Michel Onfray

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Outro sábio, escutem-o:

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quatro saetas

Na voz de um cigano:



A SAETA

Disse uma voz popular
Quem me empresta uma escada
Para subir ao altar
Para tirar os cravos
De jesus, o nazareno?

Oh! a saeta ao cantar
Ao cristo dos ciganos
Sempre com sangue nas mãos
Sempre por desencravar.

Canto do povo andaluz
Que todas as primaveras
Anda pedindo escadas
Para subir à cruz.

Canto da terra minha
Que lança flores
Ao Jesus da agonia
Que é a fé dos meus anciões*.

Oh! não és tu o meu canto
Não posso cantar nem quero
A esse Jesus da cruz de madeira
Mas sim ao que andou sobre o mar.

(*) Os ciganos vivem em clã e têm respeito reverencial pelos anciões



Num dueto do autor com um brasileiro (Fagner):




O original de Joan Manuel Serrat quando ainda tinha voz: 




E uma surpreendente de Miles Davis:

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Porque a Beleza Importa (Why Beauty Matters)

A ver:


Roger Scruton

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Villa dei Papiri

Epicuro sobrevive sob o vulcão, http://en.wikipedia.org/wiki/Villa_of_the_Papyri

VILLA DEI  PAPIRI
Herculano:





A Getty Villa nos EUA:

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Lisboa - cidade de gatunos

Que vergonha:
Lisboa chumbou no teste da carteira e passou a cidade «menos honesta do mundo»

Masoquismo



O masoquismo atua na autoestima. O masoquista encara o medo, a dor, ou a humilhação e não só sobrevive a eles como atinge o orgasmo.

Regina Navarro Lins

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Orly - Brel & Gilbert Bécaud


Em ORLY Brel cita Gilbert Bécaud “ ...como é triste Orly ao domingo com ou sem Bécaud”. Em 1963 este cantor francês tinha feito um sucesso enorme com uma canção chamada DIMANCHE À ORLY(Domingo em Orly) onde entre muitas futilidades dizia que “ eu vou ao domingo a Orly, no aeroporto vemos os aviões voar para todos os países”.

Brel prefere falar de gente que se ama e que se despede em Orly. O texto de ORLY está no bom estilo descritivo de BREL.
Esta canção está no seu último disco . Este disco foi gravado em segredo. O cantor estava doente e não queria publicidade nenhuma. Depois da gravação feita ele voltou às Ilhas Marquesas. Apesar de tanto secretismo, antes do disco estar impresso e à venda nas lojas, já atingira o impressionante número de 1 milhão de encomendas… Facto absolutamente inédito na indústria discográfica da altura …

Orly (1977)

Serão mais de dois mil, mas eu não vejo mais que eles dois. A chuva uniu-os, parecem-se um com o outro... Serão mais de dois mil, mas eu não vejo mais que eles dois, e eu sei do que eles que falam. Ele deve estar a dizer “amo-te” e ela deve estar a dizer “amo-te”. Acredito que eles não estão a fazer promessas, um ao outro, são demasiado frágeis para serem ingratos...

Serão mais de dois mil, mas eu não vejo mais que eles dois. Subitamente ele chora, chora lágrimas como punhos... Tão enlaçados estão, que transpiram por todos os poros, arfam de esperança e não ligam aos puritanos que os olham de lado… Estes dois escorraçados, soberbos de tristeza, deixam aos cães a proeza de os julgarem...

A vida não dá brindes!... Meu Deus, como é triste Orly ao Domingo, com ou sem Bécaud...

E agora eles choram, choram os dois. Há instantes era ele... Tão abraçados que estão, não escutam mais nada a não ser os soluços um do outro... E depois, depois indefinidamente, como dois corpos que suplicam, indefinidamente, lentamente, estes dois corpos separam-se e separando-se estes dois corpos despedaçam-se, e juro-vos que gritam. E depois voltam a abraçar-se para ser de novo um só... O fogo volta, e despedaçam-se outra vez... Agarram-se pelos olhares e depois recuam como o mar que se afasta... Ele diz adeus, balbucia algumas palavras, agita uma vaga mão, e bruscamente foge. Foge sem se voltar, e desaparece engolido pela escada...

E ela, ela fica. Coração crucificado, boca aberta, sem um grito, sem uma palavra... Ela conhece a sua morte, ela acaba de se cruzar com ela. E ela volta-se, e volta-se de novo... Os seus braços caídos até ao chão. Há muito que ela sabe que é assim. A porta fechou-se, não há luz. Ela rodopia sobre si mesma e já sabe que voltará sempre. Ela perdeu homens, mas ali ela perdeu o amor. O amor disse-lhe “cá estou de novo, inútil...” Ela viverá de projectos que não são senão uma espera.
Ei-la de novo, frágil, antes que esteja à venda...

Eu estou lá, estou a segui-la, e não arrisco nada por ela... A malta vai trincar nela, como na fruta barata...

Fonte: http://cantodobrel.blogspot.pt/2010/08/orly.html

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Casamento - "vão viver sob o mesmo teto, até que a morte os una!"

Declaração de Cambridge


Declaração de Cambridge sobre Consciência


Neste dia de 07 de julho de 2012, um grupo proeminente de neurocientistas cognitivos, neurofarmacologistas, neurofisiologistas e neurocientistas computacionais reuniram-se na Universidade de Cambridge para reavaliar os substratos neurobiológicos da experiência da consciência e comportamentos relacionados, em animais humanos e não-humanos. Ainda que a investigação comparativa neste área seja muito dificuldade pela incapacidade de animais não humanos - e frequentemente humanos - para clara e prontamente comunicarem seus estados internos, as seguintes observações podem ser feitas inequivocamente:

*O campo da investigação sobre a Consciência está evoluindo rapidamente. Novas técnicas e estratégias de investigação para animais humanos e não-humanos foram desenvolvidas em número abundante. Consequentemente, um maior número de dados é disponibilizado com mais facilidade, o que obriga a uma reavaliação periódica de preconcepções que persistem neste campo. Estudos de animais não-humanos mostraram circuitos cerebrais homólogos correlacionados com a experiência e a percepção da consciência podem ser seletivamente acessadas e manipuladas para compreender se são de fato necessários à referida experiência. Além disso, novas técnicas não invasivas estão já disponíveis para mapear os correlativos da consciência nos humanos. 




*Os substratos neuronais não parecem limitar-se às estruturas corticais. De fato, redes neuronais subcorticais que são estimuladas durante a vivência de estados afetivos em humanos, são também criticamente importantes enquanto geradoras de comportamentos emocionais em animais. A estimulação artificial das mesmas regiões do cérebro gera comportamentos e estados sentimentais correspondentes em ambos, animais humanos e não-humanos. Sempre que suscitamos comportamentos emocionais instintivos em cérebros de animais não-humanos, muitos dos comportamentos subsequentes são consistentes com a experiência de estados sentimentais, incluindo os estados internos compensatórios ou punitivos. Os sistemas associados ao afeto estão concentrados nas regiões subcorticais onde abundam as homologias neuronais. Ademais, os circuitos neuronais que suportam estados comportamentais/eletrofisiológicos de atenção, sono e tomada de decisão, parecem ter surgido tão cedo, no processo evolutivo, quanto a ramificação dos invertebrados, sendo evidentes em insetos e moluscos cefalópodes (e.g.: polvo). 

*As aves parecem oferecer, de forma surpreendente, através do seu comportamento, da sua neurofisiologia, e da sua neuroanatomia, um processo de evolução paralela da consciência. Evidências de níveis de consciência próximo dos humanos têm sido, da forma mais dramática, observadas em papagaios cinzentos africanos. As redes e microcircuitos emocionais e cognitivos de aves e mamíferos parecem ser bastante mais homólogos do que previamente se pensou. Além disso, certas espécies de aves, como foi demonstrado nos padrões neurofisiológicos dos mandarins, exibem padrões neuronais de sono idênticos aos dos mamíferos, incluindo o sono REM, que se pensava exigirem o neocórtex dos mamíferos. As magpies [uma espécie de pombo], em particular, exibiram impressionantes similaridades com humanos, grandes símios, golfinhos e elefantes em estudos de auto reconhecimento da sua imagem refletida num espelho. 

* Nos humanos, o efeito de certos alucinógenos parece estar associado com uma disrupção no processamento cortical de feedforward e feedback. Intervenções farmacológicas em animais não-humanos com compostos conhecidos por afetarem o comportamento humano, podem conduzir a perturbações similares no comportamento dos animais não-humanos. Nos humanos, existem evidências que sugerem que a consciência de algo, tal como na consciência visual, está correlacionada com a atividade cortical, o que não exclui possíveis contribuições do processamento subcortical ou cortical primitivo. Evidências de que sentimentos de animais humanos e não-humanos emergem de redes cerebrais subcorticais homólogas fornecem evidências de qualia afetivas fundamentais evolutivamente partilhados. 

Declaramos o seguinte: “A ausência de neocórtex não parece excluir um organismo da possibilidade de experienciar estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não-humanos possuem os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência em linha com a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são únicos na posse dos substratos neurológicos que geram consciência. Animais não-humanos, abarcando todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, incluindo os polvos, também possuem estes substratos neurológicos”

Original em inglês:

The Cambridge Declaration on Consciousness ** 

On this day of July 7, 2012, a prominent international group of cognitive neuroscientists, neuropharmacologists, neurophysiologists, neuroanatomists and computational neuroscientists gathered at The University of Cambridge to reassess the neurobiological substrates of conscious experience and related behaviors in human and non-human animals. While comparative research on this topic is naturally hampered by the inability of non-human animals, and often humans, to clearly and readily communicate about their internal states, the following observations can be stated unequivocally:  

*The field of Consciousness research is rapidly evolving. Abundant new techniques and strategies for human and non-human animal research have been developed. Consequently, more data is becoming readily available, and this calls for a periodic reevaluation of previously held preconceptions in this field. Studies of non-human animals have shown that homologous brain circuits correlated with conscious experience and perception can be selectively facilitated and disrupted to assess whether they are in fact necessary for those experiences. Moreover, in humans, new non-invasive techniques are readily available to survey the correlates of consciousness.  

*The neural substrates of emotions do not appear to be confined to cortical structures. In fact, subcortical neural networks aroused during affective states in humans are also critically important for generating emotional behaviors in animals. Artificial arousal of the same brain regions generates corresponding behavior and feeling states in both humans and non-human animals. Wherever in the brain one evokes instinctual emotional behaviors in non-human animals, many of the ensuing behaviors are consistent with experienced feeling states, including those internal states that are rewarding and punishing. Deep brain stimulation of these systems in humans can also generate similar affective states. Systems associated with affect are concentrated in subcortical regions where neural homologies abound. Young human and nonhuman animals without neocortices retain these brain-mind functions. Furthermore, neural circuits supporting behavioral/electrophysiological states of attentiveness, sleep and decision making appear to have arisen in evolution as early as the invertebrate radiation, being evident in insects and cephalopod mollusks (e.g., octopus). 

* Birds appear to offer, in their behavior, neurophysiology, and neuroanatomy a striking case of parallel evolution of consciousness. Evidence of near human-like levels of consciousness has been most dramatically observed in African grey parrots. Mammalian and avian emotional networks and cognitive microcircuitries appear to be far more homologous than previously thought. Moreover, certain species of birds have been found to exhibit neural sleep patterns similar to those of mammals, including REM sleep and, as was demonstrated in zebra finches, neurophysiological patterns, previously thought to require a mammalian neocortex. Magpies in particular have been shown to exhibit striking similarities to humans, great apes, dolphins, and elephants in studies of mirror self-recognition.  

*In humans, the effect of certain hallucinogens appears to be associated with a disruption in cortical feedforward and feedback processing. Pharmacological interventions in non-human animals with compounds known to affect conscious behavior in humans can lead to similar perturbations in behavior in non-human animals. In humans, there is evidence to suggest that awareness is correlated with cortical activity, which does not exclude possible contributions by subcortical or early cortical processing, as in visual awareness. Evidence that human and nonhuman animal emotional feelings arise from homologous subcortical brain networks provide compelling evidence for evolutionarily shared primal affective qualia. 

We declare the following: “The absence of a neocortex does not appear to preclude an organism from experiencing affective states. Convergent evidence indicates that non-human animals have the neuroanatomical, neurochemical, and neurophysiological substrates of conscious states along with the capacity to exhibit intentional behaviors. Consequently, the weight of evidence indicates that humans are not unique in possessing the neurological substrates that generate consciousness. Nonhuman animals, including all mammals and birds, and many other creatures, including octopuses, also possess these neurological substrates.” 

** The Cambridge Declaration on Consciousness was written by Philip Low and edited by Jaak Panksepp, Diana Reiss, David Edelman, Bruno Van Swinderen, Philip Low and Christof Koch. The Declaration was publicly proclaimed in Cambridge, UK, on July 7, 2012, at the Francis Crick Memorial Conference on Consciousness in Human and non-Human Animals, at Churchill College, University of Cambridge, by Low, Edelman and Koch. The Declaration was signed by the conference participants that very evening, in the presence of Stephen Hawkin, in the Balfour Room at the Hotel du Vin in Cambridge, UK. The signing ceremony was memorialized by CBS 60 Minutes

terça-feira, 30 de julho de 2013

- Eu até nem gosto disto...

Todos os dias o coelho passava pela toca do lobo e vendo os lobinhos perguntava:

- O vosso pai onde está?
Os lobinhos respondiam-lhe que o pai lobo não estava ao que o coelho dizia:
- Façam o favor de lhe dizer que o coelho passou por aqui e que qualquer dia o enraba.
Os lobinhos ouviam e ficavam numa grande choradeira.
A cena repetia-se até que um dia o lobo, farto das fanfarronices do coelho, perguntou aos lobinhos:
- A que horas é que esse cabrão do coelho passa por aqui?
Os filhotes disseram-lhe e, no dia seguinte, o lobo resolveu esconder-se. Quando o coelho chegou e depois de fazer a pergunta sacramental, o lobo saiu do esconderijo a  gritar:
- Enraba-me lá se fores capaz!!!
O coelho vê o lobo e desata a fugir a toda a velocidade. O lobo furioso sai atrás dele, mas o coelho passa debaixo de um velho tronco de árvore furado.
Cego de raiva o lobo não vê o tronco e fica preso nele.
O coelho, nas calmas, aproxima-se do lobo preso, levanta-lhe a cauda, olha para o olho do cú e diz:
- Eu até nem gosto disto mas prometi aos miúdos!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Gatinha




"Há dois meios de refúgio contra as misérias da vida: música e gatos." 
Albert Schweitzer

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Carta a Meneceu

Preciosidade, em 11 páginas a receita para ser feliz:

Carta Sobre a Felicidade
ou a conduta humana para a saúde da alma


Sinopse
Esta carta é uma decidida exortação à prática da filosofia, onde se promove esta disciplina como tendo uma única meta: tornar feliz o Homem que a pratica durante o percurso da sua existência, desde a mais tenra juventude até à idade mais avançada. 
No texto a morte é-nos apresentada como o maior e o mais aterrador dos males. Como é necessário vencer esse medo da morte; ninguém deve temê-la, dado que não temos vantagem nenhuma em viver eternamente; o que nos importa não é a duração mas a qualidade da vida. 
Também são abordadas as diversas formas do desejo, acompanhadas por uma necessidade imperiosa de controlá-lo, tendo por objectivo a saúde do corpo, quanto a tranquilidade da alma, o que não deixa também de ser uma boa definição do próprio prazer, tal como Epicuro o concebe. 
Por fim, aborda-se o homem sábio, e para Epicuro este nunca deverá acreditar no destino e na sorte, como se estes fossem fatalidades inabaláveis e sem esperança, deixando despontar aqui a crença do autor, sobretudo na vontade e na liberdade do Homem.


P.S.: Uma tradução da carta pode ser lida aqui, http://carmencarmina.blogspot.pt/2011/12/morte-nao-nos-diz-respeito-carta.html

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Foo

Duas formigas chinesas encontram-se num carreiro de formigas e cumprimentam-se. Diz a primeira:
- Olá!
- Olá!
- Como te chamas?
- Foo.
- Foo? Foo quê?
- Foo Miga.
- Ah...
- Pois.
- E tu, como te chamas?
- Ôta!
- Ôta? Ôta quê?
- Ôta Foo Miga!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A mulher

Na literatura persa antiga, nos tempos da velha Babilónia, surgiu a literatura escrita em tabuinhas de argila.
Além da história de Jó e de Noé (Gilgamesch) há uma história de uma Eva:
Depois de fazer o homem e o colocar no paraíso Deus logo percebe que ele está entediado, triste e solitário. Chama-o e diz: 
- Para suavizar o seu tédio vou criar para ti um ser que será em tudo o contrário de ti, diante do qual jamais sentirá tédio.
Cria a mulher e a dá ao homem. Esse primeiro homem haveria de descobrir o que é o inferno e o paraíso ao mesmo tempo.
Depois de três dias ele volta com a mulher e diz a Deus:
- Olha senhor, vim devolver este ser insuportável! É totalmente irracional e emocional. Fala demais. Reclama de tudo. E quando fala não utiliza a razão.
- Tudo bem, diz o senhor, como quiser.
O homem vai embora sozinho. Mas volta três dias depois e diz:
- Olha senhor, não posso ficar sem ela. Tem num jeito de falar certas coisas. Um jeito de olhar quando vira o rosto. E... outras coisitas mais.
E o homem a levou de volta. Três dias depois voltou e diz ao senhor:
- Olha senhor! Não posso mais! Não tem mesmo jeito! Não tenho mais paz!
Disse-lhe o senhor:
- Leve-a. Não pode mais viver com ela, e nem sem ela.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Viajar

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.
Amyr Klink

terça-feira, 2 de julho de 2013

Peidon Eros - 17 anos

No coração da noite

Sobram cardos e flores;

no meu navegas tu

sempre jovem, sempre bela;

Um fiozinho de sangue oscuro

a correr-te pelo pescoço

e sei que já não és daqui,

deitada,  deixaste de ser minha...

- um vestido amarelo com margaridas.


Ali, naquele chão de elefantes,

soube que te procuraria sempre

para te encontrar por vezes

até me cansar algum dia de me perder tanto de ti

e então me perder de tudo o resto.

Lisboa, 30 de Junho de 2013

Cristal


Não busques nos meus lábios a tua boca,

 nem diante do portão o forasteiro,

 nem no olho a lágrima.


 Sete noites mais alto muda o vermelho para púrpura,

 sete corações mais fundo bate a mão à porta,

 sete rosas mais tarde rumoreja a fonte

Paul Celan

terça-feira, 18 de junho de 2013

O cão sábio

Certo dia um cão sábio passou por um grupo de gatos. À medida que se aproximava, percebeu que estavam muito concentrados no que estava acontecendo entre eles e não lhe prestavam a menor atenção. Decidiu então parar e escutar o que diziam. Do meio deles levantou-se um gato grande e solene que olhou
para todos e disse:
- Irmãos, rezem, e depois rezem de novo e outra vez ainda, sem duvidar; e então, em verdade lhes digo, vai chover rato.
Ao ouvir isso, o cachorro riu deles por dentro e afastou-se, pensando:
- Oh, gatos cegos e insensatos! Pois não está escrito e eu não sei, e meus antepassados antes de mim não sabiam, que o que chove quando rezamos e suplicamos com fé não são ratos, e sim ossos?


[Khalil Gibran, O louco, trad. Dinah Abreu Azevedo, São Paulo, Aquariana, 2003 (Lado B), p. 19] 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A igreja não quer que as pessoas cresçam

Quando se explora e se conhece os homens que crêem. Quando se percebe a profunda religiosidade do outro e somos suficientemente humildes para achar que seria muita sorte ter nascido no lugar que nascemos, lendo os livros sagrados que lemos, e que a fé dos outros é tão intensa como a nossa apesar de eles acreditarem num Deus com cabeça de elefante, dá nisto: 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O belo e a consolação - Van De Schoonheid en de Troost

O mais belo e espantoso programa alguma vez feito em televisão!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tornar a razão popular

Estamos rodeados de mitos, intuições mal formadas e superstições diversas. Fazem-se as afirmações mais extraordinárias e fornecem-se provas aristotélicas débeis, indícios diáfanos, sinais ambíguos...
"Deus é bom", porque os antigos disseram. "Há fantasmas" porque ouvi barulhos em casa... e por ai fora.
Todos esquecem que afirmações extraordinárias exigem provas igualmente extraordinárias!
A razão é a única arma que temos, nada mais. Essa estranha ferramenta que se contradiz logo que se afirma é o único salva-vidas à nossa disposição, poucos o apanham e quase sempre sem admitirem preferir morrer afogados.







Pag 9 - A ignorância prende e o saber liberta
     13 - A universidade francesa de hoje continua cousiniana
     37 - A filosofia como substituto actual dos grandes discursos totalizantes (psicanálise, marxismo, cristianismo)
     38 - A Bíblia e O Capital empalidecem enquanto o Corão brilha.
     39 - A crescente demanda de filosofia.
     57 - "Aquilo que tem o seu preço tem pouco valor." Nietzsche
     68 - A desmonetização da palavra, um sinal da barbárie dosa nossos tempos.
     72 - A prova do filósofo é a sua vida filosófica.
     75-76 - O povo "horroroso"
     91 - Epicuro: A amizade é a conjugação de duas forças para melhor alcançar o projecto de uma vida bem sucedida.
    95 - Fazer a revolução sem tomar o poder.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Leis masculinas sobre relacionamento

Todos os items estão numerados como o número 1, pois são todos de mesma importância.


1. Peitos foram feitos para serem olhados e é isso que nós iremos fazer. Não tente mudar isso.

1. Aprenda a usar a tampa do vaso. Você é uma menina crescida. Se ela está levantada, abaixe-a. Vocês precisam dela abaixada, nós precisamos dela levantada. Você não nos vê reclamando por que você deixou ela abaixada.

1. Domingo = Esportes. É a mesma relação que a lua cheia tem com as mudanças na maré. Deixe estar.

1. Comprar NÃO é um esporte. E não, nunca vamos pensar nisso dessa forma.

1. Chorar é chantagem.

1. Pergunte o que você quer. Vamos ser claros nisso: Dicas sutis não funcionam! Dicas claras não funcionam! Dicas óbvias não funcionam! Apenas diga logo o que você quer.

1. Sim e Não são respostas perfeitas para praticamente todas as questões existentes.

1. Venha falar conosco a respeito de um problema somente se você quiser ajuda para resolvê-lo. Isso é o que a gente faz. Simpatia é trabalho das suas amigas.

1. Uma dor de cabeça que dura 17 meses é um problema. Procure um médico.

1. Qualquer coisa que dissemos 6 meses atrás é inadmissível em um argumento. Na verdade, todos comentários tornam-se nulos e vetados após 7 dias.

1. Se você pensa que está gorda, provavelmente você esteja. Não pergunte para nós.

1. Se algo que nós dissemos pode ser interpretado de duas formas, e uma delas faz você ficar irritada e triste, nós queríamos usar a outra forma.

1. Sempre que possível, fale tudo o que você tem a falar durante os comerciais.

1. Cristóvão Colombo não precisou parar para pedir informações, e nem nós.

1. TODOS homens enxergam em apenas 16 cores, assim como as definições básicas do Windows. Pêssego, por exemplo, é uma fruta, não uma cor. Salmão é um peixe. Não fazemos idéia do que é âmbar.

1. Se algo coça, será coçado. Nós fazemos isso.

1. Se perguntarmos a você se há algo de errado e você responde ‘nada‘, nós agiremos como se nada tivesse errado. Nós sabemos que você está mentindo, mas não vale a pena a discussão.

1. Se você fizer uma pergunta para a qual você não quer uma resposta, espere uma resposta que você não queria ouvir.

1. Quando precisamos sair, absolutamente tudo que você usar está bom. Sério.

1. Não pergunte o que estamos pensando, a não ser que você esteja preparada para discutir sobre Sexo, Esportes ou Carros.

1. Você possui roupas suficientes.

1. Você possui sapatos demais.

1. Obrigado por ler isso; Sim, eu sei, eu terei que ir dormir na sala hoje, mas saiba você que os homens não se importam com isso, é como acampar.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

RLi - Entrevista com Regina Navarro Lins

Estou a aprender o que são as RLi:
Regina e Gabi
(Clicar na imagem para ver a primeira parte da entevista)

Regina
(Clicar aqui ver a segunda parte da entevista)

Gabi
(Clicar aqui ver a terceira parte da entevista)

Regina e Gabi
(Clicar na imagem para ver a quarta parte da entevista)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A natureza das coisas

Um livro oferecido. Um livro a ler, lentamente.
A Natureza Das Coisas, de Lucrécio

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Carpe diem (Ode a Leucónoe)


Não indagues, Leucónoe, ímpio é saber,
a duração da vida que os deuses decidiram conceder-nos,

nem consultes os astros babilônicos:
melhor é suportar tudo o que acontecer.

Quer Deus te dê muitos invernos, quer seja o derradeiro
este que vem fazendo o mar Tirreno cansar-se contra as rochas,

mostra-te sábia, coa os vinhos, corta a longa esperança, que é breve o nosso prazo de existência.

Enquanto conversamos, foge o tempo invejoso.

Desfruta o dia de hoje, acreditando o mínimo possível no amanhã.
Horácio















Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos e  adulterada por mim...
Adicionar legenda
 






Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida aetas: carpe diem quam minimum credula postero.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

O corpo é a grande verdade


"Tu dizes «eu» e orgulhas-te desta palavra. Mas há qualquer coisa de maior, em que te recusas a aceditar, é o teu corpo e a sua grande razão; ele não diz Eu, mas procede como Eu. Aquilo que a inteligência pressente, aquilo que o espírito reconhece nunca em si tem o seu fim. Mas a inteligência e o espírito quereriam convencer-te que são o fim de todas as coisas; tal é a sua soberba.
Inteligência e espírito não passam de instrumentos e de brinquedos; o Em si está situado para além deles. O Em si informa-se também pelos olhos dos sentidos, ouve também pelos ouvidos do espírito.
O Em si está sempre à escuta, alerta; compara, submete; conquista, destrói. Reina, e é também soberano do Eu. Por detrás dos teus pensamentos e dos teus sentimentos, meu irmão, há um senhor poderoso, um sábio desconhecido: chama-se o Em si. Habita no teu corpo, é o teu corpo.
Há mais razão no teu corpo do que na própria essência da tua sabedoria. E quem sabe por que é que o teu corpo necessita da essência da tua sabedoria?"

Nietzsche, in Assim Falava Zaratustra

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A pílula, esse desastre


A partir de leituras e da experiência já me tinha apercebido que a pílula anti-concepcional era um desastre para as mulheres de líbido débil porque lhes mantém a líbido em níveis baixos durante todo o ciclo menstrual. Na prática é como se estivessem sempre hormonalmente grávidas.
Hoje o público traz um artigo brutal sobre o assunto, atente-se na conclusão:
"... a contracepção hormonal diminui o desejo sexual das mulheres: “a frequência com que estas mulheres têm relações sexuais diminui de 12 para oito vezes por mês”. Além disso, parece haver “relações directas” entre a contracepção hormonal, a perturbação do desejo, a aversão sexual e as experiências sexuais indesejadas. Ou seja, “93% das participantes vítimas de violação apresentam disfunção sexual e aquelas que usam contraceptivo hormonal têm uma probabilidade 2,6 vezes superior de vir a sofrer de diminuição do desejo sexual, quando comparadas às que recorrem a outro método contraceptivo”".

Há uns tempos o Paulo Ribeiro Claro, publicava na SPQ, "A Química do amor".
Cito-o:
"Até recentemente assumia-se que na espécie humana o processo de selecção de parceiros era baseado essencialmente em estímulos visuais. No entanto, hoje já é mais ou menos consensual na comunidade científica que a espécie humana também tem a capacidade de distinguir o genes do parceiros através do cheiro e que a visão pode ter um papel mais secundário (A. Comfort, Likelihood of human pheromones, Nature 230 (1971) 432; A. Weller, Human pheromones – Communication through body odour, Nature 392 (1998) 126-127; K. Stern, M.K. McClintock, Regulation of ovulation by human pheromones, Nature 392 (1998) 177-179 ; A. Motluk, New Scientist, 7 (2000).
Pelo menos esta é a conclusão do teste das camisolas suadas, realizado em 1995 (C. Wedekind, T. Seebeck, F. Bettens, et al. MHC-Dependent mate preferences in humans, Proceedings of the Royal Society of London Series B-Biological Sciences 260 (1995) 245-249). Nesta experiência, um grupo de mulheres foi convidada a cheirar camisolas usadas por diferentes homens durante dois dias, manifestando depois a sua preferência. A preferência foi sempre pelos homens com perfis MCH bastante distintos dos próprios, ou seja, pelos parceiros mais adequados geneticamente.
Um resultado algo perturbador neste estudo foi o facto de as mulheres que tomavam a pílula no momento do estudo terem demonstrado preferência por odores correspondentes a perfis genéticos idênticos aos seus. É sabido que as fêmeas de rato, após engravidarem, voltam a preferir a acompanhia de indivíduos geneticamente próximos (irmãos, pais, primos... o que faz sentido em termos de protecção dos genes da família).
Embora o paralelismo deva ser feito com reservas, é possível que a pílula – ao simular na mulher alguns efeitos da gravidez – induza a mulher a preferir a companhia de indivíduos geneticamente próximos. Ou seja, dada a importância do contacto social na escolha de parceiros, a pílula pode induzir a mulher a escolher parceiros “errados”..."

domingo, 24 de março de 2013

Recordes e Curiosidades Sobre Sexo

quinta-feira, 21 de março de 2013

Demócrito de Abdera - o grande riso

Democritus, por Hendrick ter Brugghen, 1628
"... uma ética hedonista, essa ética reside na declaração da alegria (euthymía) como finalidade da moral, ao que Demócrito de Abdera acrescenta a utilidade como critério de bem."

"... uma franca e clara metafísica da esterilidade, Demócrito convida a não procriar: é impossível educar com sucesso. É uma tarefa que está acima das possibilidade de qualquer um. Ninguém consegue cumprir correctamente com ela. E uma educação frustrada, sobretudo quando se trata dos próprios filhos, é uma verdadeira fonte de chatices! (...) Para aqueles que sentem de forma mais aguda os pruridos familiares, o filosofo aconselha a adopção de um filho de outrem..."

"Não temer nada nem ninguém, nem aos deuses nem aos senhores, não empreender nenhuma tarefa que esteja acima das suas forças e dos seus meios; conhecer os seus limites e apontar ao realizável; não perder a alma em prazeres cuja satisfação leva seguramente a insatisfação; desejar o prazer da comunidade feliz consigo mesmo; não procriar nem conceber; não se comprometer nunca com os assuntos da política; não se deixar dominar pelas paixões e pulsões que desequilibram; não desejar mais do que se tem, nem afundar-se em desejos impossíveis de satisfazer; aceder às alegrias que oferece a existência na medida em que aumentem a adesão ao próprio ser; definir o útil e o prejudicial mediante a satisfação e o mal estar; esforçar-se por expulsar de si os sofrimentos rebeldes; tender à alegria..., eis aqui as regras práticas de um hedonismo que propõe um prazer delicado, subtil, elegante: o prazer supremo da autonomia, no sentido etimológico do termo. Então pode fazer a sua aparição o riso. O grande riso libertador (...) essa capacidade de rir-se do mundo tal como ele é. Só riem os que levam o mundo a sério, precisamente porque o levam a sério. Tenhamos cuidado como da peste com os filósofos incapazes de rir..."
in, As sabedorias da antiguidade, Contra-história da filosofia, tomo I,  de Michel Onfray

sábado, 16 de março de 2013

A história de O

Antes das 50 sombras era assim, o filme:

 

quinta-feira, 7 de março de 2013

De cagar a rir

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:
- Ladrões, ladrões, malditos ladrões!
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
- É um louco!
Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua. Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: 
- Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!
 Assim me tornei louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
A liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós. 
Gibran Khalil Gibran

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

As mulheres matam e matam muito

Eliane matou os dois filhos

As mulheres matam e matam muito. As primeiras vítimas de violência em Portugal são os idosos, li algures que 30% dos idosos apanham, o agressor é muitas vezes uma mulher; as segundas vítimas são as crianças, 20%?, o agressor é normalmente uma mulher - é lendária a agressão edipiana entre mães e filhas; só depois aparece a pseudo-violência de género, cerca de 10% das mulheres apanham do companheiro/marido, 2% dos homens apanham da companheira/esposa, nos casais gays a violência é superior, logo não há violência de género e sim violência doméstica.
Senhoras: Acabem com a hipocrisia. 
A violência combate-se como um todo e não privilegiando umas vítimas (as mulheres), colocando aí o foco mediático, em detrimento de outras (idosos, crianças e homens).

P.S.: A propósito da notícia "Polícia foi chamada três vezes à casa de mãe que matou os filhos"

P.P.S.: Eliane é nome de brasileira, se o é seria a 3ª brasileira a matar os filhos nos últimos meses em Portugal, das anteriores uma suicidou-se a outra não, as 3 sofriam depressões severas. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Contra-história da filosofia - O cristianismo hedonista ( vol II )

Página

PRIMEIROS TEMPOS
9O golpe de estado cristão (ano 321 DC)
10Papiro - depois pergaminho - depois papel, ocasiões para deturpar ou eliminar
19O confuso início do cristianismo
20A filosofia obedece às leis de Darwin (sem seguidores uma ideia morre)
21O nihilismo do Sec I DC
23O ataque às heresias salva as heresias
25Simão o mago, moscardo de Paulo de tarso.
26Gnósticos encráticos (ascéticos) e gnósticos licenciosos
29O amor ao próximo sob a forma de uma fogueira.
30A seita autoriza um último uso da razão (abdicar dela)
36Os gnósticos não são platónicos porque não detestam o corpo
37O cristianismo é uma gnose que deu certo
39Jesus é concebido como contemporâneo de Tibério
40O mundo (mau) foi feito por Deus
61Os cristãos paulinos apreciam a propriedade
65O reino na Terra?
72O fim pela espada de Constantino
75Como um mal nunca vem só, surge o Islão!

IDADE MÉDIA
79Jesus resgatou o pecado, de todos e para sempre.
88A única realidade que importa?
A Terra, aqui e agora.
90O outro como refém a fim de ganharmos o paraíso
91Amar o próximo tem limites
92A fogueira é a versão medieval do amor ao próximo
95Queimar até os ossos do herege é a versão medieval do amor ao próximo
102Os católicos não gostam de Walter de Holanda
110As beguinas: iletrados carentes convivem com viuvas ou ricos tentados pela vida de pobreza voluntária...
113Se a necessidade triunfa por toda a parte como imaginar que alguém seja culpado por aquilo que faz?
114Sec XII, a invenção do purgatório
122Lutero e o livre espírito
129O reino de Iavhé existiu por mais de 1000 anos
133Saduceus epicurianos atacados pelos fariseus...
134Carmina burana: epicurismo
144Lorenzo Valla, o corajoso
156O soberano bem estóico: a virtude
O prazer deve ser o guia das virtudes
164Bastam alguns arranjos para que os platónicos sejam considerados cristãos
171Erasmo: Cristo contra a Igreja
175Franciscanos não têm mulher, não têm dinheiro, não têm vontade de poder a não ser sobre si mesmos
186O corpo existe como companheiro da alma
189Epicuro - epíkouros - é aquele que salva

MONTAIGNE
191Montaigne não se ama
192Montaigne quer ser amado por si mesmo
Montaigne não se poupa
193De uma aberração a um milagre
Seis assaltos, impotência, carícias.
194A arte do minete?
195Consequências de uma educação "moderna"
198"Plano de estudos", Erasmo
201Escrever, escrever e ainda escrever...
206Montaigne quer conhecer homens inteligentes, mulheres belas e honestas.
207"Os ensaios", uma imensa gargalhada
208Que sei eu? A busca de si mesmo
210Cego sim,surdo sim, mas nunca mudo!
211Montaigne nunca suprime
213Pilhar as flores dos antigos para fazer o seu mel
216Vida depois da morte?
217Platão não podia ser um amigo
Sócrates: amado
218Sócrates: duvidar muito mas não de tudo
221Epicteto: no que devemos consentir
A morte voluntária é boa
222Epicuro: moral austera, vida exemplar e virtuosa
Montaigne não pode ser epicurista porque é cristão
228Montaigne: contra a virgindade, pelo suicídio, pelo divórcio e contra a dor salvífica
229O paraíso dos cristãos? Risível tal como o dos muçulmanos
234
A impostura das religiões
235Não existe essência
236A verdade das verdades é o tempo que passa.
O poder da palavra
237O uso do mundo
239"Do exercício", Cap. VI do Livro II, o acidente de cavalo de Montaigne
242Médicos são seres inúteis e poderosos. Cirurgiões são pessoas sérias.
244A alma...
245Elogio da esterilidade
247A diversão é útil para evitar as doenças da alma
251Filosofar é aprender a morrer
252Durante e depois da morte a consciência já não está presente para dar á dor a sua espessura
254Se o problema [os homens morrem] não mudou porque haveriam de mudar as soluções?
255As religiões, essas ficções, acrescentam misérias às misérias que pretendiam curar.
259O prazer é o bem supremo
260Porque vamos morrer, desfrutemos
264Montaigne, um corno sábio
268Para dizer o quê? O elogio dos simples
Amizade, mulheres e livros
272A arte do minete?
274Feminismo de Montaigne
275Casal ataráxico
277A construção de uma ética
A morte é o grande problema
292Marie de Gournay
3031676, entrada no INDEX

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A casa das belas adormecidas

Uma história curiosa que gira à volta do Inverno do desejo de um homem velho.
Quando a impotência se avizinha e um homem não aprendeu a viver...