terça-feira, 30 de julho de 2013

- Eu até nem gosto disto...

Todos os dias o coelho passava pela toca do lobo e vendo os lobinhos perguntava:

- O vosso pai onde está?
Os lobinhos respondiam-lhe que o pai lobo não estava ao que o coelho dizia:
- Façam o favor de lhe dizer que o coelho passou por aqui e que qualquer dia o enraba.
Os lobinhos ouviam e ficavam numa grande choradeira.
A cena repetia-se até que um dia o lobo, farto das fanfarronices do coelho, perguntou aos lobinhos:
- A que horas é que esse cabrão do coelho passa por aqui?
Os filhotes disseram-lhe e, no dia seguinte, o lobo resolveu esconder-se. Quando o coelho chegou e depois de fazer a pergunta sacramental, o lobo saiu do esconderijo a  gritar:
- Enraba-me lá se fores capaz!!!
O coelho vê o lobo e desata a fugir a toda a velocidade. O lobo furioso sai atrás dele, mas o coelho passa debaixo de um velho tronco de árvore furado.
Cego de raiva o lobo não vê o tronco e fica preso nele.
O coelho, nas calmas, aproxima-se do lobo preso, levanta-lhe a cauda, olha para o olho do cú e diz:
- Eu até nem gosto disto mas prometi aos miúdos!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Gatinha




"Há dois meios de refúgio contra as misérias da vida: música e gatos." 
Albert Schweitzer

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Carta a Meneceu

Preciosidade, em 11 páginas a receita para ser feliz:

Carta Sobre a Felicidade
ou a conduta humana para a saúde da alma


Sinopse
Esta carta é uma decidida exortação à prática da filosofia, onde se promove esta disciplina como tendo uma única meta: tornar feliz o Homem que a pratica durante o percurso da sua existência, desde a mais tenra juventude até à idade mais avançada. 
No texto a morte é-nos apresentada como o maior e o mais aterrador dos males. Como é necessário vencer esse medo da morte; ninguém deve temê-la, dado que não temos vantagem nenhuma em viver eternamente; o que nos importa não é a duração mas a qualidade da vida. 
Também são abordadas as diversas formas do desejo, acompanhadas por uma necessidade imperiosa de controlá-lo, tendo por objectivo a saúde do corpo, quanto a tranquilidade da alma, o que não deixa também de ser uma boa definição do próprio prazer, tal como Epicuro o concebe. 
Por fim, aborda-se o homem sábio, e para Epicuro este nunca deverá acreditar no destino e na sorte, como se estes fossem fatalidades inabaláveis e sem esperança, deixando despontar aqui a crença do autor, sobretudo na vontade e na liberdade do Homem.


P.S.: Uma tradução da carta pode ser lida aqui, http://carmencarmina.blogspot.pt/2011/12/morte-nao-nos-diz-respeito-carta.html

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Foo

Duas formigas chinesas encontram-se num carreiro de formigas e cumprimentam-se. Diz a primeira:
- Olá!
- Olá!
- Como te chamas?
- Foo.
- Foo? Foo quê?
- Foo Miga.
- Ah...
- Pois.
- E tu, como te chamas?
- Ôta!
- Ôta? Ôta quê?
- Ôta Foo Miga!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A mulher

Na literatura persa antiga, nos tempos da velha Babilónia, surgiu a literatura escrita em tabuinhas de argila.
Além da história de Jó e de Noé (Gilgamesch) há uma história de uma Eva:
Depois de fazer o homem e o colocar no paraíso Deus logo percebe que ele está entediado, triste e solitário. Chama-o e diz: 
- Para suavizar o seu tédio vou criar para ti um ser que será em tudo o contrário de ti, diante do qual jamais sentirá tédio.
Cria a mulher e a dá ao homem. Esse primeiro homem haveria de descobrir o que é o inferno e o paraíso ao mesmo tempo.
Depois de três dias ele volta com a mulher e diz a Deus:
- Olha senhor, vim devolver este ser insuportável! É totalmente irracional e emocional. Fala demais. Reclama de tudo. E quando fala não utiliza a razão.
- Tudo bem, diz o senhor, como quiser.
O homem vai embora sozinho. Mas volta três dias depois e diz:
- Olha senhor, não posso ficar sem ela. Tem num jeito de falar certas coisas. Um jeito de olhar quando vira o rosto. E... outras coisitas mais.
E o homem a levou de volta. Três dias depois voltou e diz ao senhor:
- Olha senhor! Não posso mais! Não tem mesmo jeito! Não tenho mais paz!
Disse-lhe o senhor:
- Leve-a. Não pode mais viver com ela, e nem sem ela.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Viajar

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.
Amyr Klink

terça-feira, 2 de julho de 2013

Peidon Eros - 17 anos

No coração da noite

Sobram cardos e flores;

no meu navegas tu

sempre jovem, sempre bela;

Um fiozinho de sangue oscuro

a correr-te pelo pescoço

e sei que já não és daqui,

deitada,  deixaste de ser minha...

- um vestido amarelo com margaridas.


Ali, naquele chão de elefantes,

soube que te procuraria sempre

para te encontrar por vezes

até me cansar algum dia de me perder tanto de ti

e então me perder de tudo o resto.

Lisboa, 30 de Junho de 2013

Cristal


Não busques nos meus lábios a tua boca,

 nem diante do portão o forasteiro,

 nem no olho a lágrima.


 Sete noites mais alto muda o vermelho para púrpura,

 sete corações mais fundo bate a mão à porta,

 sete rosas mais tarde rumoreja a fonte

Paul Celan