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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Albert Camus - Uma tragédia da felicidade

"A lucidez é a ferida mais próxima do sol"

- A estrada era direita, seca, deserta.
- Deserta, seca, direita. É o destino.
- É o destino.



Albert Camus: 1913-1960. Una Tragedia de la Felicidad from A Parte Rei on Vimeo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O caminho do meio

Jesus, Judas e Pedro caminham pela Judeia e deparam com um rio caudaloso. Judas diz:
-É pá! Que rio! Como vamos atravessar, mestre?
- Caminhando sobre as águas, Judas.
- Oh Cristo, olha que eu não sei nadar, retorque Judas!
- Oh homem de pouca fé, confia em mim e não te afogarás!
Avança Pedro e atravessa, quase caminhando sobre as águas, com a água apenas pelos tornozelos. A seguir vai Jesus e, como era seu costume, caminha calmamente sobre as águas.
Judas começa por sua vez a travessia. Desconfiado, como sempre. Com medo de se afogar. Dá um passo e já tem a água pelos joelhos... Diz, assustado:
- Oh Cristo, olha que eu não sei nadar!
- Oh homem de pouca fé, confia em mim e não te afogarás!
Dá outro passo e já tem água pela cintura. Com a voz esganiçada diz:
- Oh Cristo, olha que eu já te disse que não sei nadar!
- Oh homem de pouca fé, confia em mim, não te afogarás!
Dá mais um passo e já só tem a cabeça fora de água. Com Judas quase a afogar-se diz Pedro para Jesus:
- Ó mestre, ensina-lhe o caminho pelas pedras ou ele afoga-se mesmo!

P.S.: O bom senso manda ir pelo caminho das pedras, o caminho do meio, o caminho do meio-dia de Albert Camus, mas sei que certas pessoas simplesmente não conseguem ir por aí...
Quanto a mim o faço o que me custar menos, o que maximizar a minha liberdade e autonomia. Em cada caso reservo-me o direito de decidir: umas vezes as pedras, outras aprender a nadar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

As mulheres de Camus ( II )

Quando no futuro se falar em D. Juan vai-se falar em Albert Camus. Principalmente pela vida que viveu mas também pelo capítulo que dedica ao Burlador de Sevilha em O mito de Sísifo.
Camus não é um sedutor qualquer, ele é o que é perdoado facilmente pelas suas conquistas: o grande sedutor. As mulheres perdoam aos grandes sedutores e apenas se sentem usadas pelos medíocres.
Para quem não gosta de sedutores deixo o link do artigo do Guardian, aqui . Acho-o mal escrito e cheio de incorreções mas vai acalmar os corações das senhoras e senhores que acham que o amor é lindo se for um homem e uma mulher, somente.
Fica de seguida uma recente entrevista da filha, Catherine Camus, a um jornal catalão, Las mujeres de Camus e um texto sobre a biografia de Oliver Todd, “Camus and his Women”.

As mulheres de Camus

texto original de  Héctor Aguilar Camín

"Nos últimos dias de Dezembro de 1959 o escritor Albert Camus, que havia ganho o prémio Nobel dois anos antes, escreveu 4 cartas de urgência amorosa.
Preparava o seu regreso a Paris depois de umas férias com a sua esposa e os seus filhos na casa da família em Lourmarin, onde se havia refugiado para começar a escrita de um projecto tão ambicioso como Guerra e paz, de Tolstoi.
Em 29 de Dezembro escreveu: “Esta terrível separação fez-nos pelo menos sentir como nunca a constante necessidade que temos um do outro”.
Em 30 de Dezembro escreveu: “Só para dizer-te que chego Terça-Feira de carro. Faz-me tão feliz a ideia de ver-te outra vez que me rio enquanto escrevo”.
Em 31 de Dezembro escreveu: “Vejo-te na Terça-Feira, meu amor, e já te beijo antecipadamente e te bendigo desde o fundo do meu coração”.
Uma carta mais estabelecia as datas de um encontro prometido em Nova York.
O notável destas cartas de fervor extraconjugal é que estavam dirigidas não a uma mas sim a quatro mulheres diferentes.
A primeira, uma jovem pintora dinamarquesa, chamada Mi, a quem Camus havia seduzido no Café de Fiore. A segunda, uma actriz e directora de teatro de vanguarda, Catherine Sellers, cujo marido faria mais tarde para a BBC o papel masculino da adaptação cinematográfica de A queda [autor: Albert Camus]. A terceira, María Casares, a actriz espanhola consagrada em França, com quem Camus mantinha uma relação amorosa há já dezasseis anos.
A viagem planeada a Nova York era para encontrar Patricia Blake, uma editora da revista Vogue que Camus tinha conhecido e conquistado numa viajem aos Estados Unidos em 1946.
Camus não foi a nenhum destes encontros. No dia 2 de Janeiro de 1960 dirigia-se a eles rumo a París, a bordo do potente carro Facel Vega do seu amigo Michel Gallimard, que conduzia com Camus ao lado, e a sua esposa, sua filha e cão no banco traseiro.
Depois de jantar e dormir em Sens, no dia seguinte, no quilómetro 25 de estrada de Paris, o Facel Vega derrapou, saiu da estrada, bateu numa árvore, depois bateu noutra e terminou a sua deriva. As mulheres saíram ilesas, Michel ficou mortalmente ferido, Camus morreu imediatamente. O cão desapareceu.
Quando morreu, Camus tenía 46 anos, estava na plenitude do seu talento literário e da sua expansão vital, a vida entrava e saía em grandes avenidas por ele, quando o rostro do absurdo, ao que havia olhado sem titubear toda a sua vida, o surpreendeu no caminho."

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Estado de Sítio



Página
13 Homens falando: "A Espanha não, homem, a Espanha não!"
17 Nada: "Eu, Nada (...) bêbado por desdém de todas as coisas."
17 Nada: "a vida vale a morte, o homem é feito de madeira de que se fazem as fogueiras."
18 Nada: "Não vocês não estão na ordem, vocês estão na fila. bem alinhados, de ar tranquilo, vocês estão maduros para a calamidade."
18 Nada: "Li nos livros que vale mais ser cúmplice do céu que sua vítima."
21 Nada: "E nada desta Terra, nem rei, nem cometa, nem moral, estarão nunca acima de mim!"
Página
31
Diego:
"Cem anos depois de eu morrer
Poodia a Terra perguntar-me
Se eu já te tinha esquecido
Que eu responderia ainda não!"
67 O Coro: "O nosso coração não era inocente mas amávamos o Mundo e os seus Verões." 
81 Nada: "Estou farto de dizer que não estou morto!"
86 A Morte: "A nossa convicção é que vocês são culpados"
98 Mulher: "A justiça é as crianças comerem o que têm na vontade e não terem frio. A justiça é os meus meninos viverem. Deitei-os ao Mundo numa Terra de alegria. O mar deu-lhes a água do baptismo. Eles não têm precisão de outras riquezas. Não peço para eles senão o pão de cada dia e o sono dos pobres. Não é pedir muito, mas é isso que vocês me recusam. E se recusarem aos infelizes o pão, não haverá luxo, nem lindas falas, nem promessas misteriosas que façam perdoar uma coisa tal."
Nada: "Deveis preferir viver de joelhos a morrerem de pé, para que o universo encontre a sua ordem..."
104 O Juiz: "Se o crime se torna lei, deixa de ser crime"
110 A mulher do juiz: "... o direito (...) está do lado dos que sofrem, gemem e esperam. Não está, não pode estar, com os que calculam e amontoam."
111 A mulher do juiz, adúltera, para o juiz:
"... sei, na minha miséria, que a carne tem as suas faltas, enquanto o coração tem os seus crimes."
117 Diego, marcado pela peste, para a sua amada Vitória: "Morre ao menos comigo."
129 A Morte: "É o meu rol de lavadeira! Eis tudo!"
133 Diego: "Cada um de nós está só por causa da cobardia dos outros."
135 A Morte: "... bastou sempre que um Homem dominasse o seu medo e se revoltasse para que a máquina começasse a ranger. Não digo que ela chegue a parar, não é caso para isso. Mas , enfim, a máquina range e, algumas vezes, acaba mesmo por se avariar."
143 O Coro: "Nós temos sempre pago tudo com a moeda da miséria. É na verdade necessário pagar com a moeda do nosso sangue? "
154 Diego: "Nem medo nem ódio. Silêncio. é essa a nossa vitória.
154 A Peste: "Eu sou aquele que azeda o vinho e seca os frutos. Eu mato o ramo de vinha se ele quer dar uvas, reverdeço-o se o querem utilizar para o lume. Tenho horror às vossas alegrias simples. Tenho horror a este país [Espanha] onde se pretende ser livre sem ser rico. Tenho as prisões, os carrascos, a força, o sangue! A cidade será arrasada e, sobre os seus escombros, a história agonizará enfim no belo silêncio das sociedades perfeitas. Solêncio, pois, ou esmago tudo."
162 A Peste: "Ninguém pode ser feliz sem fazer mal aos outros. É a justiça deste Mundo. "
162 Diego: "Não. Conheço a receita. É preciso matar para suprimir o assassínio, ser violento para curar a injustiça. Há séculos que isso dura! Há séculos que os senhores da tua raça apodrecem a chaga do Mundo sob pretexto de curá-la, e continuam a gabar a sua receita, porque ninguém lhes ri na cara."
164 Diego: "Os escravos estão nos tronos."
165 Diego: "É a sua mediocridade  que me irmana a eles [os Homens]. E se eu não for fiel à pobre verdade que com eles compartilho, como o seria ao que tenho de mais solitário?"
165 Diego: "Desprezo apenas os carrascos."
167 A Peste para Diego: "Vá! Sofre um pouco antes de morrer. "
168 A Morte para a Peste: "Antes de ti eu era livre e associada ao acaso. Ninguém me detestava então. "
169 A Morte: "Eu amo aqueles que marcam encontro. "
171 A Peste: "O ideal é obter uma maioria de escravos com o auxílio de uma minoria de mortos bem escolhidos. "
171 A Morte: "Triunfaremos de tudo, excepto do orgulho "
171 A peste: "Honra aos estúpidos porque eles preparam os meus caminhos"
173 Vitória: "Ninguém tem o direito de estar contente e morrer. "
173 Vitória para Diego por este não ter trocado a Terra por ela: "Não. Era preciso escolher-me contra o próprio céu. Era preciso preferir-me à Terra inteira."
174 Diego: "Nós, os homens, nunca fomos capazes senão de morrer. "
175 A Morte: "A Terra é meiga para aqueles que muito a amaram."
176 Nada: "Atenção, vêm aí os que escrevem a história" "
177 Nada: "... aprendereis um dia que não se pode viver bem quando se sabe que o homem não é nada e que a face de Deus é hedionda."
177 O Pescador: "A vaga enorme, das profundidades, alimentada no amargor das águas, há-de arrasar as vossa cidades horríveis. "

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Um bom resumo da peça pode ser lido aqui

O Mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo

Albert Camus


UM RACIOCÍNIO ABSURDO

As páginas que se seguem tratam de uma sensibilidade absurda que se pode encontrar esparsa em nosso século — e não de uma filosofia absurda que o nosso tempo, para sermos claros, não conheceu. É, portanto, de uma honestidade primordial assinalar, logo de início, o que elas devem a certos espíritos contemporâneos. Minha intenção de ocultá-los é tão pequena, que eles se verão todos citados e comentados ao longo da obra. Mas é proveitoso observar, ao mesmo tempo, que o absurdo, tomado até aqui como conclusão, é considerado neste ensaio como um ponto de partida. Nesse sentido, pode-se dizer o quanto há de provisório na minha ponderação: nada se saberia conjeturar na posição a que ela obriga. Aqui somente se encontrará a descrição, em estado puro, de uma doença do espírito. [1] Nenhuma metafísica, nenhuma crença estão misturadas com isso, no momento. São os limites e o compromisso único deste livro.

O absurdo e o suicídio

Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, já que ela vai preceder o gesto definitivo. Estão aí as evidências que são sensíveis para o coração, mas que é preciso aprofundar para torná-las claras à inteligência.
Se me pergunto em que julgar se uma questão é mais urgente do que outra, respondo que

sábado, 2 de junho de 2012

Núpcias em Tipasa

Na Primavera Tipasa é habitada pelos deuses e os deuses falam no sol, no odor dos absintos, no mar revestido por uma couraça de prata, no céu de um azul inclemente, nas ruínas cobertas de flores e na luz que jorra aos borbotões por entre as pedras amontoadas. Em certas horas o campo fica negro de sol. Os olhos tentam inutilmente perceber outra que não sejam as gotas de luz e as cores que tremem na beira dos cílios. O odor intenso das plantas aromáticas arranha a garganta e sufoca, no calor descomunal. A muito custo, no fundo da paisagem, consigo vislumbrar a massa escura do Chenoua, que se enraíza nas colinas que circundam a aldeia, estremece com um ritmo seguro e pesado, para ir agachar-se no mar.
Chegamos pela aldeia que se abre sobre a baía. Entramos num mundo amarelo e azul, onde nos acolhe o suspiro perfumado e acre da terra estival da Argélia. Por toda a parte, as buganvílias, de um rosa avermelhado, irrompem do alto dos muros das casas de campo; nos jardins, hibiscos de um vermelho ainda pálido, uma profusão de rosas-chá, espessas como um creme, e orlas delicadas de longos íris azuis. Todas as pedras estão quentes. No momento em que descemos do ônibus cor de botão-de-ouro, os açougueiros, em suas carroças vermelhas, fazem o costumeiro giro matinal, e o toque de suas cometas chama os habitantes.
A esquerda do porto, uma escada de pedras secas leva às ruínas, por entre os lentiscos e as giestas. O caminho passa diante de um pequeno farol, para mergulhar logo depois em pleno campo. A partir desse farol, já se vêem as grandes plantas gordurosas, de flores arroxeadas, amarelas e vermelhas, descendo em direção aos primeiros rochedos, que o mar suga com um rumor de beijos. De pé, ao vento leve, sob o sol que nos aquece um só lado do rosto, contemplamos a luz que baixa do céu, o mar sem uma ruga e o sorriso de seus dentes resplandecentes. Antes de entrar no reino das ruínas, somos espectadores pela última vez.
Ao fim de alguns passos, os absintos agarram-se a nossa garganta. Seu pêlo cinzento recobre as ruínas a perder de vista. Sua essência fermenta sob o

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A ordem libertária, A vida filosófica de Albert Camus

L'Ordre Libertaire de Michel Onfray
Página
14 "... como nos podemos conduzir quando não se acredita nem em Deus nem na razão."
17 Ultrapassar o nihilismo pela fidelidade à Terra, pela memória da infância, por uma inscrição na ancestralidade e uma filosofia positiva.
24 "Para ele [o filósofo] o verbo faz-se carne, acto, acção, senão não serve para nada.
25 "A lenda de Camus é negativa: ela diz mal de um homem bom- como a de Freud é positiva, diz bem de um homem mau."
27 Camus: "Há assim uma vontade de viver sem recusar nada da vida que é a virtude que honro mais neste mundo."
30
A assinatura existencial de Camus é a intolerância a toda a forma de injustiça.
33 "Não é fácil tornar-mo-nos o que somos."
35 Pena de morte: "Os homens denominam esta vingança , a justiça" ( 6 lts de sangue)
36 "... indivíduos inumanos que reprovam ao condenado a sua falta de humanidade."
40 Carregar a alma do pai.
Entrevista a Albert Camus
41 Lucien Camus: Cemitério de Saint-Brieuc, morto na batalha do Marne.
42 Louis Germain, o professor que descobre e "salva" Camus da sua condição
51 Pobre, privado de férias, Camus trabalhava enquanto os camaradas de escola se banhavam.
57 Camus escreve com o sangue.
63 Dandy, "... ele sabe que a sua vida será curta."
64 "Atrás dos belos corpos (...) encontra-se a matéria negra do mundo."
67 "O mundo é belo, e fora dele, não há salvação."
72 Nietzsche: "Nós temos a arte para não morrer da verdade."
73 Camus casa com Simone Hié
80 Camus dirá "sim" somente ao que aumenta a vida. Quanto ao resto: revolta-se.
83 Sofrer é amadurecer.
87 "A filosofia foi, durante séculos, uma arte de viver, de viver bem, de viver melhor."
88 Estoicismos de Nietzsche e de Camus.
90 "Camus pode bem persistir em negar a origem autobiográfica de toda a escrita"
91 "Ter medo de morrer seria ter medo da vida."
91 " ... a doença é o que fazemos dela."
92 "Inventar novas possibilidades de existência. E vivê-las."
94
95
O filósofo artista. A arte.
96 O grande "sim" deve ser um sim à vida.
97  Filosofia francesa.
101 A injustiça maior? A pobreza sem o sol.
109 "Não há vergonha em ser feliz. Mas hoje o imbecil é rei, e chamo imbecil àquele que tem medo de desfrutar.
109 "... monoteísmo que opõe Deus à natureza e portanto opõe Deus aos homens."
110 "... o ofício de homem (...) ser feliz."
112 Definição de pecado: "perder esta vida".
115 O dionisismo argelino é a solução para o nihilismo europeu.
120 Jean Grenier (...) "não se coibindo de saber pelos outros aquilo que não se sabe por si mesmo..."
133 Escrever para pensar e depois rasgar.
151 A esquerda dionisíaca diz "sim", (...) a esquerda do ressentimento diz "não".
152 Nietzsche prevê a deriva totalitária do comunismo.
153 Camus é um homem de fidelidade e não de ressentimento
155 Marx
157 A amizade: "amar a todos é não amar ninguém" (o cristianismo)
160 Espanha
164 O artista é o antídoto da história.
166 Ver Weber: a ética de convicção e a ética de responsabilidade.
167 Camus viveu30 anos sem cometer erros políticos e naqueles tempos houve tantas ocasiões para falhar.
171 O teatro é o lugar da verdade, ainda mais do que o mundo.
183 Camus é duas vezes condenado à morte: a sociedade não o quer nem como professor nem como soldado.
187 "As ideias são o contrário do pensamento.".
191 O super-homem é a antítese do nazi.
191 Nietzsche é anti-antissemita.
193 O soberano bem: a sabedoria
194 "Conhecer o Mundo, querer o Mundo, amar o Mundo, contentar-se com ele, nunca recriminar contra ele, desejá-lo tal como é, e, consequência destas práticas teóricas e existenciais, desfrutar do Mundo, encontrar-se nele como peixe na água, sem jamais se questionar das suas relações com o Mundo, eis por palavras toda a sabedoria." (Para outra versão de sabedoria clicar aqui)
209 Cala-te pulmão. O desejo de morrer (para deixar de sofrer de tuberculose)  em Camus.
210 As verdadeiras questões da vida. "Desde logo, que vale a vida? Deve-mos vivê-la? E se sim, porque razões? O suicídio é a ..."

211 "Nós não saimos do absurdo, façamos o que fizermos."
212 "...querer o querer que nos quer."   
212 Só há um dever, o dever de amar, eis toda a moral para Camus.
214 A Europa do terror.
224 Sartre e os judeus peludos.
235 O poder contido por uma ética define a ordem libertária.
239 "Não se pode ser feliz sem os outros ou contra eles".
240 "A peste" começou para o seu autor (Camus) uma carreira de solidão". R. Barthes
247 Darwinismo de direita (esquerda) tem origem na pulsão de morte (vida) e define os liberais (libertários).
250 A peste: o bacilo é ontológico e as razias são políticas.
258 Cristo foi crucificado lutando contra o "Vaticano".
259 O resistente
277 Camus não esconde os seus enganos para não alimentar a lenda.
281 Porque sou anarquista
282 Trotsky e a moral revolucionária (cinismo vulgar)
283 Marx vs Camus
285 A "imparcialidade" de Pio XII, o papa nazi."Mein Kampf" nunca foi colocado no Index, todas as obras de Sartre e Beauvoir o foram; nenhum nazi foi excomungado, todos os comunistas o foram...
286 "Todo o poder vem de Deus" (S. Paulo)
Menos o poder comunista na URSS ou noutro lugar, claro!
288 "O dinheiro tem deveres", o colaboracionismo dos ricos.
292 Avião para os reportados de honra.
295 No fim da 2ª guerra mundial Camus vacila como abolacionista.
298 A "rosetta", "não a mereci".
301 O  perdão.
305 O bem e o mal: o perdão de Camus
305 Brasillach
307 Rebatet
308 "... provocam a minha cólera: o nacionalismo, o colonialismo, a injustiça social e o absurdo do estado moderno,..."
312 A fidelidade à Terra e à paixão pelo que é.
314 Camus demorou apenas 23 meses para passar da visceralidade à razão depois do fim da barbárie nazi.
319 Camus quer uma utopia relativa, deseja que ela defina o ainda não realizado mas que seja, apesar de tudo, realizável, e não um projecto messiânico fabricado segundo o princípio das religiões que prometem o paraíso sobre a Terra para AMANHÃ.
354 O Marx dos manuscritos de 1844
375 Marx não gostava da comuna de Paris por esta não ser suficientemente marxista.
386 "Eu recuso energicamente ser considerado como um guia da classe trabalhadora."
388 Pensamento do meio dia: "... um gosto pela vida."
393 Camus "petit blanc" colonialista!!!
394 Os métodos de argumentação da guerra fria.
417 O jornalismo é o melhor ou o pior trabalho do mundo.
420 O agradecimento, em 2009, de Sylvie Gomez, a Camus, na sua tese de doutoramento.
437 "É preciso matar: abater um europeu", Sartre 
458 Ao saber-se do prémio Nobel a imprensa cobre Camus de insultos.
460 "Eu prefiro a minha mãe à justiça": Esta frase iria matar Camus mas ele ainda não o sabia.
462 Camus paga pela sua rectidão, a sua verticalidade, a justeza dos seus combates, ele paga pela sua honestidade, a sua paixão pela verdade, ele paga por ter sido resistente na hora em que muitos resistem tão pouco, ele paga pelos seus sucessos, as suas formidáveis vendas de livros, ele paga pelo seu talento, ele paga pelo seu Nobel, claro, ele paga por não ser corruptível. Ele paga por não ter necessidade de mentir traçando o seu caminho recto, ele paga pela sua juventude, beleza, o seu sucesso com as mulheres, ele paga porque a sua vida filosófica é um reparo à existência de tantos falsários,  ele paga pela sua fidelidade à sua infância, ao meio dos homens pequenos de onde veio, ele paga por não ter traído nem vendido nada, ele paga por ser um filho de pobre e ter entrado no mundo dos bem nascidos, ele paga por ter escolhido a justiça, a liberdade e o povo num universo de intelectuais fascinados pela violência, a brutalidade e as ideias, ele paga por ter sido um autodidacta com sucesso, ele paga porque sendo o filho de uma mulher analfabeta, nunca deveria ter escrito os livros reservados aos eleitos bem nascidos (...)"
467
468
A tirania da libido.
472 Charme é "uma maneira de ouvir a resposta SIM sem ter colocado uma questão clara."
474 "Porque seria preciso amar poucas vezes para amar muito".
Simone Hié
475 Francine Camus foi esposa de um homem que gostava das mulheres - incluindo a sua.
477
478
A culpa
483 Camus vaidoso: "Na modéstia sou imbatível."
485 A falta (pagã), o egoísmo...
489 Num mundo sem Deus a falta fica sem perdão.
497 A pena de morte apoia-se no erro ontológico do livre arbítrio.
497 " A pessoa humana está acima do estado."
500 100 milhões de mortos devido ao comunismo.
501 Germaine Tillion
505 Nobel para a republica espanhola.
505 Fé revolucionária.
506 A ordem anarquista é a desordem dos bem pensantes.   
510 Vitória anarquista na Catalunya
521 Peço "para ser lido com atenção".
528 Um estado anarquista.  
529 Eleições anarquistas.
529 Capitalismo anarquista.
530 O homem bom não surgirá da abolição da propriedade privada.
535 Optimista, pelo homem.
536
537
Sartre, o canalha.
(arrasador para Sartre)
540 Camus nietzschiano de esquerda
541 O pós anarquismo


   

    
     

terça-feira, 24 de abril de 2012

Uma rosa e um livro

St. Jordi em Girona.
Uma rosa, um livro e o mau feitio dos catalães.

domingo, 1 de abril de 2012

Calígula (de Albert Camus)


pg 22   Calígula: "Este mundo, tal como está feito, não é suportável. Tenho necessidade da lua."
     23   Calígula: "Os homens morrem e não são felizes."
     31   Calígula: "Governar é roubar"
     36   Calígula: "Os homens choram porque as coisas não são como deviam ser."
     57   Calígula: "... todas as horas ganhas sobre a morte são inestimáveis."
     61   Cherea: "Não há paixão profunda sem crueldade"
     82   Calígula: "A solidão! Que é que tu sabes da solidão? A dos poetas e a dos impotentes. A solidão? Mas qual? Ah, tu não sabes que nunca se está só! E que nos acompanha sempre o mesmo peso do passado e do futuro. "
     90   Os Patrícios: "... a verdade deste mundo que é a de não ter nenhuma..."
     93   Cipião: "Posso negar uma coisa sem (...) retirar aos outros o direito de acreditarem nela."
     110 Cherea: "Porque tenho o desejo de viver e de ser feliz."
     143 Calígula: "... não tenho só a estupidez contra mim. Tenho também a lealdade e a coragem daqueles que desejam ser felizes."
     144 Calígula: "... esta vergonhosa ternura é o único sentimento puro que a vida me deu até hoje."
     145 Calígula: "O amor não me basta"
            Calígula: "Sei que nada dura."
     146 Calígula: "... perfazer, enfim, a solidão eterna do desejo."
     147 Calígula: "... matar não é a solução."
            Calígula: "Como é desgostante, após ter desgraçado os outros, sentir a mesma cobardia na alma. Deixá-lo, nem sequer o medo dura. Vou reencontrar esse vazio enorme que pacifica o coração."
     148 Calígula: "Ainda estou vivo."

sexta-feira, 9 de março de 2012

Camus, a ordem libertária

"Não há vergonha em ser feliz. Mas hoje o imbecil é rei, e chamo imbecil àquele que tem medo de gozar."












Fieis a si mesmos, quase todos filhos da alta burguesia, falsos, geniais, ridículos, hei-los actores em 1944...;
"Nesta foto célebre de Brassaï Camus está no atelier de Picasso do crème de la crème do momento: Sartre sentado, um olho em direcção ao fotógrafo, Lacan desfocado (nele era fatal como o destino!), Picasso de braços cruzados fixando a objectiva, Beauvoir com um sorriso malicioso, segurando um livro como um missal antes da missa, Leiris sentado de terno, e alguns outros.
Camus está de cócoras, entre Sartre e Leiris; Não olha o fotógrafo, acaricia um cão sentado no tapete diante dele. (...) No seu diário Camus escreve:
"Trabalhadores franceses - os únicos ao lado dos quais eu me sinto bem, tenho vontade de conhecer e de viver. Eles são como eu."
in L´Ordre Libertaire, Michel Onfray, Flammarion, 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As mulheres de Camus


Yannick Delneste: O seu entusiasmo sobre Camus é total. Não há nenhuma "nuance" a fazer em relação ao escritor e filósofo?
Michel Onfray: Efetivamente, ele foi um homem, um pensador, um filósofo impecável. E quando se o é, nós somo-lo em tudo. Da mesma forma que quando somos uma pessoa detestável, o somos em tudo. Quando trabalhei sobre Freud, cada vez que puxava um fio, era para descobrir uma mentira, uma mistificação, una lenda. Com Camus, é o contrário: assim que puxamos um fio, nós descobrimos um belo gesto, uma grandeza mantida secreta, um belo envolvimento escondido.


Camus and his Women

When Olivier Todd once asked Jean-Paul Sartre, Albert Camus' old Saint Germain des Pres intellectual sparring partner, which of Camus' books he liked best he said: 'The Fall, because Camus has hidden himself in it.'
With the publication of his massive biography, Albert Camus: A life, Todd does some serious unveiling of the Algiers slum kid who, at 43, became the second youngest Nobel Prize winner in history. Letters never before published reveal him as an obsessive womaniser.
The Fall (1956) is the confession of a celebrated Parisian lawyer brought to crisis when he fails to come to the aid of a drowning woman. The 'drowning woman' was Camus' second wife, Francine, who had a mental breakdown. As mother of his two children, Camus decided it would be more appropriate if her relationship with him was that of 'a sister', allowing him erotic freedom. For years she appeared to go along with this but then she cracked. Todd says that Francine said to her husband: 'You owed me that book,' and Camus had agreed.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Camus



"No inconsciente colectivo francês,  há uma espécie de paixão por este homem que era humilde, simples, impecável, vertical, que encarnava verdadeiramente o que amamos mais na França, a justiça, a verdade, os valores, a virtude, enfim esse género de coisas. O contrário de Sartre."

Entrevista a partir do minuto 11 .

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Obrigado Albert

Com uns dias de atraso sobre os 52 anos da morte do amigo Albert (04-Jan-1962), um encontro de amigos falam de um amigo. Obrigado Albert.

BIBLIOTHEQUE MEDICIS,Albert Camus por publicsenat

« Amo esta vida com sinceridade e quero falar com liberdade; ela me dá o orgulho da minha condição de homem. Contudo, já me disseram várias vezes, não há porque ficar muito orgulhoso. Sim, há de quê: este sol, este mar, o meu coração palpitante de juventude, o meu corpo com gosto de sal e o imenso cenário onde a ternura e o génio se encontram no amarelo e no azul. É para conquistar isto que tenho de aplicar toda a minha força e meus recursos. Tudo aqui me deixa intacto, não abandono nada de mim mesmo, não me cubro de nenhuma máscara: basta-me aprende pacientemente a difícil ciência de viver que vale bem todos os "saber-viver".»

«… porque negaria eu a alegria de viver, se  sei  não encerrar tudo na simples alegria de viver? Não há vergonha em ser feliz. Mas hoje o imbecil é rei, e eu chamo imbecil a todo aquele que tem medo de desfrutar.»

«Caminhamos ao encontro do amor e do desejo. Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza. Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens, tudo o mais nos parece fútil. Quando a mim, não procuro estar sozinho nesse lugar. Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor. Deixo a outros a ordem e a medida. Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e do mar. »

«Aqui, compreendo o que se denomina glória:
o direito de amar sem medida. Existe apenas um único amor neste mundo. Estreitar um corpo de mulher e também reter de encontro a si essa alegria estranha que desce do céu para o mar. Daqui a pouco, quando me atirar no meio dos absintos, a fim de que seu perfume penetre meu corpo, terei consciência, contra todos os preconceitos, de estar realizando uma verdade que é a do sol e que será também a de minha morte. Em certo sentido, é justamente a minha vida que estou representando aqui, uma vida com sabor de pedra quente, repleta de suspiros do mar e de cigarras, que agora começam a cantar. A brisa é fresca e o céu, azul. Gosto imensamente desta vida e desejo falar sobre ela com liberdade: dá-me o orgulho de minha condição de homem. »

«Sobre o mar, o silêncio enorme do meio-dia. Todo ser belo tem o orgulho natural de sua beleza, e o mundo, hoje, deixa seu orgulho destilar por todos os poros. Diante dele, por que haveria de negar a alegria de viver, se conheço a maneira de não encerrar tudo nessa mesma alegria de viver?»

«Há um tempo para viver e um tempo para testemunhar a vida.Os deuses resplandecentes do dia retornarão à sua morte quotidiana. Mas outros deuses virão. E então, para serem mais sombrias, suas faces devastadas nascerão no coração da terra.»

«Penso agora em flores, sorrisos, desejo de mulher, e compreendo que todo o meu horror de morrer está contido no meu ciúme da vida. Sinto ciúme daqueles que virão e para os quais as flores e o desejo de mulher terão todo o seu sentido de carne e de sangue. Sou invejoso porque amo demais a vida para não ser egoísta... Quero suportar a minha lucidez até o fim e contemplar a minha morte com toda a exuberância do meu ciúme e do meu horror.»
Núpcias, Albert Camus

sábado, 7 de janeiro de 2012

Albert Camus

Novo livro de Onfray.
Clicar sobre o primeiro desenho para ver uma entrevista de François Busnel a Michel Onfray.