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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Que dizer perante Deus?

Stephen Fry:

Legendei.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Cosmos

"O meu pai morreu nos meus braços, vinte minutos antes do início da noite do Advento, de pé, como um carvalho fulminado ("foudroyé") que, golpeado pelo destino, tivesse-o aceite, mas recusasse-se a cair. Tomei-o nos meus braços, desenraizado da terra que acabava de abandonar, levado como Eneias levou seu pai ao deixar Troia. Então, sentei-o ao longo de um muro, depois, quando ficou claro que não voltaria, deitei-o ao comprido no chão, como para acamá-lo no nada a que ele parecia haver-se juntado sem dar-se conta."

Primeira frase do livro "Cosmos" de Michel Onfray

P.S.: Início de leitura.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Panfleto filosófico

Uma vida filosófica é possível. A filosofia existe! 

Procurei filósofos entre os docentes do DFIL/CCHLA. Não há nenhum. 


Filosofia: 
 “… nascemos filósofos e somente alguns o continuam a ser. (…) há uma grande razão nas crianças que perguntam ‘por quê’. Que querem saber. ‘Por que é que a noite é negra’; ‘por que a água molha’, ‘por que o avô morreu’; ‘por que o pequeno gato se tornou um gato velho’; ‘por que’, etc. Enfim.
As crianças colocam questões que são grandes questões de ontologia, de metafísica, de filosofia.
 Depois os pais renunciam a responder porque não têm, forçosamente sempre, os meios intelectuais, ou o tempo. 
Por vezes dizemos: não sei mas vamos encontrar numa biblioteca, vamos procurar num livro. Depois, há um momento, em que as pessoas acabam por renunciar a responder às questões. E desde que entra na escola, pedem-lhe que você responda a questões que você nunca colocou. E dizem-lhe:
 - Agora, se você quer ser um bom aluno, diga qual é o PNB de Portugal! 
 Naturalmente ninguém é levado a se colocar essa questão. Não de imediato... (…) eu digo que aprendemos na escola, coisas totalmente inúteis. Dizem-lhe: 
 - As questões que te colocaste cessa de as colocar, em troca aprende as respostas a questões que não te colocas. 
 Efetivamente isso desespera um certo número de indivíduos e alguns resistem a isso. Esses que resistem a isso, dizendo-se: 
 - Eu persisto com as minhas questões, eu quero as minhas respostas. Vou procurá-las. 
 Bem, esses são os naturais filosóficos. Em seguida podem tornar-se filósofos de profissão porque terão aprendido na Universidade quem pensou o quê, quando, como, de que forma. Depois disso, um dia talvez, escrever livros de filosofia, ser convidado do programa de François Busnel (La Grande Librairie).
Et voilá! Partimos de um questionamento de criança e acabamos um dia com um estatuto de filósofo mas o filósofo não é necessariamente, é mesmo, raramente, alguém que escreve livros de filosofia.”(1)
 Michel Onfray 

“Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, já que ela vai preceder o gesto definitivo. Estão aí as evidências que são sensíveis para o coração, mas que é preciso aprofundar para torná-las claras à inteligência.” 
O mito de Sísifo, Albert Camus 

 Há alguma semelhança entre o pensamento destes filósofos e o “linguajar” dos professores da DFIL?

 Sabem porquê?

 Não se resignem. Resistam. Busquem uma resposta. 

Uma vida filosófica é possível. 

1 - Como levar uma vida filosófica - Michel Onfray - (legendado),  https://www.youtube.com/watch?v=M24XuRMhMxA

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Coma

He stays still
He stays down
Unholy, unholy
He stays still
Stay unto me
Makes me feel unholy

Nothing (Nothing)
Now that I have nothing
(Now that I have nothing)
I resolve to be nothing
(I resolve to be nothing)
Nothing to harm me, nothing to gain
(Nothing to harm me, nothing to gain)
I resolve to be nothing

Nothing (Nothing) Now that I have nothing
(Now that I have nothing)
I resolve to be nothing
(I resolve to be nothing)
Nothing to harm me, nothing to gain
(Nothing to harm me, nothing to gain)
I resolve to be nothing

Nothing (Nothing)
Nothing (Nothing)
He stays still
Stay unto me
Makes me feel unholy
Makes me feel unholy


We stay, no cause, stay
We stay, no cause, stay
We stay (Makes me feel unholy)
No cause, stay
We stay (Makes me feel unholy)
No cause, stay
We stay (Makes me feel unholy)
No cause, stay
(Unholy), No!

Azam Ali 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Vergonha alheia.

Quando a tugalha fala grosso


Portugal é historicamente devedor e cronicamente de imigração para pagar a dívida que, nos poucos momentos da sua história que é credor ou que acolhe imigrantes, se comporta como um canalha arrogante. Não é uma enorme estupidez maltratar quem no futuro nos vai emprestar dinheiro ou casa?
A Tugalândia compra histórica e sistematicamente mais do que vende ao mundo porque a tugalha vive em terra pobre e gosta de consumir o que não produz, nada demais, há muitos outros povos assim, mas isso se paga SEMPRE. E para pagar a diferença do que consome sem produzir, que é que a tugalha tem para vender que o mundo queira comprar?
CARNE HUMANA!
Sim, os tugas especializaram-se em vender carne humana tal como os suíços se especializaram em vender relógios ou os suecos em vender madeira...
Eu sei que soa horrível e é horrivel. Uma vergonha nacional de que não se fala em Portugal e que "outros" ainda não falam.
Vamos aos meus dados, imperfeitos e pejados de erros históricos:
De 1430 - 1530 a tugalha vendeu os seus próprios filhos...
De 1530 a 1889 a tugalha comprava/catava pretos em África e revendia a bom preço nas Américas (enquanto continuava a vender alguns filhos)...
A partir de 1889 já ninguém comprava pretos e recomeçaram as vendas de filhos em larga escala, quem nunca leu "A selva" pode ver o filme: eloquente...
 .
Destinos de "imigração":
De 1850 a 1900 vendeu a carne dos filhos para o Brasil;
De 1900 a 1930 vendeu a carne dos filhos para os EUA;
De 1950 a 1970 vendeu a carne dos filhos para a França e Alemanha enquanto "emprestava" filhos a Angola e Moçambique - mais tarde seriam devolvidos, penso que foi a única devolução histórica;
De 1975 a 1985 vendeu a carne dos filhos para a Suíça;
De 2005 a 2015 a festa é grande e os compradores são mais que muitos, Angola, Brasil, Península Arábica, Moçambique, Brasil, Suíça e Inglaterra.
Os próximos compradores em grosso serão Canadá e Alemanha...
As vendas atuais têm de ser em grande escala porque os filhos que saem mandam muito menos dinheiro para casa (comprar casa na Madalena ou uma bicicleta em Lisboa é enviar dinheiro para casa).
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Quereis fazer o favor de acordar ou estais bem assim?
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P.S.: Diz a wikipedia que "Quando as exportações são maiores que as importações registra-se um superavit na balança, e quando as importações são maiores que as exportações registra-se um déficit. Normalmente, uma balança comercial deficitária implica uma balança corrente também ela deficitária, pois balança comercial é comumente a componente com maior peso na balança corrente. Contudo, o déficit comercial pode ser compensado com os superávits das restantes balanças correntes. Tal foi o caso de Portugal durante grande parte da segunda metade do século XX com as remessas dos emigrantes, que são contabilizadas na balança de transferências correntes."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Universidade Popular

Surpreendente trabalho.

https://www.youtube.com/watch?v=38ebm30VTrU

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Albert Camus - Uma tragédia da felicidade

"A lucidez é a ferida mais próxima do sol"

- A estrada era direita, seca, deserta.
- Deserta, seca, direita. É o destino.
- É o destino.



Albert Camus: 1913-1960. Una Tragedia de la Felicidad from A Parte Rei on Vimeo.

domingo, 14 de dezembro de 2014

11 - Não procrirás!

Fazer um filho é sinal da nossa falta de bom senso. Uma evidência da nossa incapacidade de julgar e tomar decisões acertadas na vida.
É errado e desnecessário fazer pessoas que vão ter de lutar por sobreviver, trabalhar toda a vida, ter doenças e dores intensas para finalmente definharem e morrerem sofrendo física e psiquicamente.
A maternidade e a paternidade são crimes que merecem um castigo justo: prisão perpétua.
As mães e pais que não se sacrificarem como escravos pelos seus filhos devem ser chicoteados em praça pública como se fazia antigamente aos cativos fugidos..

Os filhos nada devem aos pais pelos seus cuidados, porque nada se deve a um criminoso que cumpre escrupulosamente a sua pena. 

Como cidadão, o bom filho é aquele que faz os pais pagarem duramente pelo seu crime para que sirva de exemplo a toda a sociedade, desencorajando assim que se continue a cometer esse crime.



"...Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."
Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

P.S.: Falo apenas da escolha racional de procriar, um gesto moral. Se é um gesto instintivo e automático, pura potencia de existir, como aquela que anima uma coelha ou uma capivara, eu aceito: a potência de existir é amoral, todo o julgamento moral sobre ela é ridículo e uma estultícia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sobre o amor

"...uma mulher é virtuosa enquanto não tem uma boa oportunidade de deixar de o ser."
 Montaigne 


Este post é integralmente pro domo sua e a universalidade um disfarce retórico. Quase sempre é assim mesmo que finjamos não o ser. Toda a filosofia provém de um corpo: é a carne que filosofa.
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Sou um homem que gosta muito de mulheres e a maioria das mulheres não suporta homens que gostem de mulheres. Uma mulher gosta de um homem que goste dela (diferente de gostar de mulheres) mas vai detestá-lo quando descobrir que ele gosta também da moça da padaria, da colega de trabalho dela - que ela detesta -, da irmã dela, da prima e da avó!
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Se olharmos uma criança de leite retiramos os "ensinamentos" essenciais sobre o amor que temos. O amor da cria pela mãe é simples, egoísta, possessivo, exclusivista, chantagista, IMORAL e cruel até à náusea. É espantoso como possam ver beleza nesse amar. Se pudesse, ela apertaria o botão atómico e destruiria tudo à volta deles para defender seu amor. Que lindo, não é?
E o bebé aperta o botão, os seus meios é que são limitados! Perder a mãe deixa-o em pânico e os outros que disputam a atenção dela são esquartejados sem piedade na vontade e na fantasia, felizmente, quase impotente.
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Vos dais conta do ridículo do nosso amar?
É que para a criança de leite esse amar infantil faz sentido, se perdesse a mãe MORRIA. Mas nós em adultos não evoluímos: amamos como crianças. O nosso amor adulto segue o modelo infantil do amor pela nossa mãe. Já não morremos se perdermos o/a amado/a mas nos comportamos como se ainda assim fosse! Ridículos e infantis...
Mesmo que esse amar infantil fosse a única forma de amar que a maioria das pessoas é capaz, isso não o faria menos animal, instintivo e IMORAL. A natureza não é moral, nós é que o podemos decidir sê-lo.
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Essa imoralidade não precisa ser ensinada, o que tem de ser ensinado é o amar como adultos. Não o é. A pintura, a literatura, o cinema, TUDO e todos fazem a apologia do amor infantil. As personagens dos mitos e da arte todas amam como crianças.
Por favor cresçam e façam-se adultos.
Responsáveis.
Responsáveis pela vossa felicidade se forem felizes e pela vossa infelicidade se forem infelizes.
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Quanto a mim sei que todos podemos ser poliamorosos. Só há, simultaneamente, respeito por nós mesmos e pelos outros no poliamor. Como é costume, Jeová pode esperar, porque ainda estamos vivos.

“Se me pressionarem para dizer por que o amava, sinto que isso só pode
 ser expresso respondendo: ‘Porque era ele; porque sou eu’”
Montaigne

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Cosmos (FR)

Life is a too short poem for evolutions.
 23-Jun-2014

Cromlech des Almendres 
Solstice d'été, mon 47 ème, dans le   Cromlech des Almendres *.

47 cycles de la matière de la Terre, elle s'est composé et recomposé pour moi, naturellement et parfaitement; Cependant RIEN n'a changé dans le Cosmos ...
Dans ce silence total,  plombé, à la fois décevant et rassurant, nous sommes uniques. Dans un ciel vide nous sommes notre propriété exclusive.

En temps préhistoriques nous étions trop similaires à ce que nous sommes aujourd'hui. Un autre chaman assis au même endroit il y a 7000 années a eu  la même certitude que moi: la circularité du temps, la fragilité de la vie, sa continuité de cette plante la plus humble au plus puissant animal, la stabilité du Cosmos et le silence des cieux.

Nous sommes matière pensante pour de nombreux millénaires. Mais nous ne sommes pas La matière pensante. Le Cromlech des Almendres pointe dans une direction cosmique sur la quelque un autre chaman, à son "Cromlech" aux environs d'Aldebaran se trouve en regardant vers l'étoile que nous appelons le soleil et il pense ...

Cromlech des Almendres 
Une belle conception du cosmos fait l'économie du christianisme, très faible cosmologiquement  où  un Dieu  ex-maquina  tout règle comme un contremaître en charge de tout ce qu'il y a, sans fluxes, sans aucune interdépendances, sans vie. Le Cosmos est un endroit mort pour les chrétiens. Pour moi, c'est un lieu de flux permanent de matière et d'énergie. Dense, amoral,  sans celui qui lui garantit l'ordre, mais profondément ordonnée et stable.
Estrutura do Cromeleque dos Almendres





La modernité est un mensonge persistant et
pathétique. Il n'y a jamais eu aucune évolution parce que le corps, la grande vérité nietzschéenne, n'a jamais évolué. Dans cette Lisbonne d'aujourd'hui des bébés naissent  profondément pré-historiques,  100% égaux à ceux qui sont nés dans les cavernes voisines a  Almendres il y a 7000 ans  ...



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(*) Je n'ai pas été dans ce solstice dans Almendres.

Cosmos

Life is a too short poem for evolutions.
23-Jun-2014

Cromeleque dos Almendres
Esta é uma nota de rodapé cósmica ao Solstício de Verão de 2014 no Cromeleque dos Almendres*, o meu 47º. 

Em 47 ciclos da terra a matéria se compôs e se recompôs em mim na mais perfeita ordem e naturalidade; no Cosmos NADA se modificou...
Neste total e plúmbeo silêncio, simultaneamente decepcionante e  reconfortante, somos únicos. Num céu vazio somos nossa propriedade exclusiva.
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Nos tempos pré-históricos éramos demasiado semelhantes ao que somos hoje. Outro xamã se sentou neste lugar há 7000 anos e teve as mesmas certezas que eu: a circularidade do tempo, a fragilidade da vida, a continuidade desta desde a erva mais humilde ao animal homem, a estabilidade do Cosmos e o silêncio dos céus.

Somos matéria pensante mas não somos a única matéria pensante, o Cromeleque dos Almendres aponta numa direção cósmica em que algures outro xamã, no seu "Cromeleque" nas vizinhanças da Aldebarã,  se senta olhando na direção da estrela a que nós chamamos sol e me pensa tal como eu o penso a ele.
Cromeleque dos Almendres
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Uma concepção adulta e saudável do Cosmos faz a economia do cristianismo, fraquíssimo cosmologicamente em que um Deus faz-tudo é o capataz e encarregado do que há, sem fluxos, sem interdependências, sem vida. O Cosmos é um lugar morto para os cristãos. Para mim é um lugar de permanente fluxo de matéria e energia. Denso, amoral, sem nenhum Ente que lhe garanta a ordem mas profundamente ordenado e estável.
Estrutura do Cromeleque dos Almendres





A modernidade é uma mentira persistente e  patética. Não há nem nunca houve evolução alguma, porque o corpo, a grande verdade nietzschiana, não evoluiu nunca. Nas maternidades desta Lisboa de hoje nascem bebés pré-históricos, 100% iguais aos que nasciam nas cavernar vizinhas a Almendres há 7000 anos...



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(*) Estive e não estive neste solstício nos Almendres.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Não acrescentes negatividade à negatividade que já existe

Uma história, comum a quem foi encornado, mostra como Montaigne agia: ver, ouvir, não dizer nada, certamente, mas - método supremo... - mostrar que se sabe, depois não dizer nada.
Quando o seu irmão morre num acidente de jogo de péla , procuram por todo o lado a sua corrente de ouro para as partilhas da herança. Sem a encontrarem.
Como irmão mais velho, Montaigne preside à partilha. Pede que se procure no cofre da sua própria mulher.
De facto a jóia está lá!
Antoinette, mãe do filósofo, salva a honra da nora assumindo que foi ela que arrumou a jóia aí. Montaigne aceita a explicação, mas faz essa versão dos acontecimentos ser registada por um notário, tendo os 3 irmãos como testemunhas...
Nos Ensaios (...) Montaigne teoriza sobre a condição de corno, esclarecendo que toda a gente já foi, é ou será encornado. Ou então toda a gente encornou, encorna ou encornará. Não há por que se melindrar por tão pouco!
Em primeiro lugar a honestidade não é a coisa mais bem distribuída do mundo; em seguida, uma mulher é virtuosa enquanto não tem uma boa oportunidade de deixar de o ser. O mesmo vale para os homens.
O essencial, acrescenta o sábio bem informado - por ter sido encornado e por ter ele próprio encornado! - é a discrição. Não acrescentar mais negatividade à negatividade que já existe.

Tradução livre a partir da biografia de Montaine em:
 "Contra-história da filosofia", Vol II, de Michel Onfray

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Outro sábio, escutem-o:

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Porque a Beleza Importa (Why Beauty Matters)

A ver:


Roger Scruton

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Declaração de Cambridge


Declaração de Cambridge sobre Consciência


Neste dia de 07 de julho de 2012, um grupo proeminente de neurocientistas cognitivos, neurofarmacologistas, neurofisiologistas e neurocientistas computacionais reuniram-se na Universidade de Cambridge para reavaliar os substratos neurobiológicos da experiência da consciência e comportamentos relacionados, em animais humanos e não-humanos. Ainda que a investigação comparativa neste área seja muito dificuldade pela incapacidade de animais não humanos - e frequentemente humanos - para clara e prontamente comunicarem seus estados internos, as seguintes observações podem ser feitas inequivocamente:

*O campo da investigação sobre a Consciência está evoluindo rapidamente. Novas técnicas e estratégias de investigação para animais humanos e não-humanos foram desenvolvidas em número abundante. Consequentemente, um maior número de dados é disponibilizado com mais facilidade, o que obriga a uma reavaliação periódica de preconcepções que persistem neste campo. Estudos de animais não-humanos mostraram circuitos cerebrais homólogos correlacionados com a experiência e a percepção da consciência podem ser seletivamente acessadas e manipuladas para compreender se são de fato necessários à referida experiência. Além disso, novas técnicas não invasivas estão já disponíveis para mapear os correlativos da consciência nos humanos. 




*Os substratos neuronais não parecem limitar-se às estruturas corticais. De fato, redes neuronais subcorticais que são estimuladas durante a vivência de estados afetivos em humanos, são também criticamente importantes enquanto geradoras de comportamentos emocionais em animais. A estimulação artificial das mesmas regiões do cérebro gera comportamentos e estados sentimentais correspondentes em ambos, animais humanos e não-humanos. Sempre que suscitamos comportamentos emocionais instintivos em cérebros de animais não-humanos, muitos dos comportamentos subsequentes são consistentes com a experiência de estados sentimentais, incluindo os estados internos compensatórios ou punitivos. Os sistemas associados ao afeto estão concentrados nas regiões subcorticais onde abundam as homologias neuronais. Ademais, os circuitos neuronais que suportam estados comportamentais/eletrofisiológicos de atenção, sono e tomada de decisão, parecem ter surgido tão cedo, no processo evolutivo, quanto a ramificação dos invertebrados, sendo evidentes em insetos e moluscos cefalópodes (e.g.: polvo). 

*As aves parecem oferecer, de forma surpreendente, através do seu comportamento, da sua neurofisiologia, e da sua neuroanatomia, um processo de evolução paralela da consciência. Evidências de níveis de consciência próximo dos humanos têm sido, da forma mais dramática, observadas em papagaios cinzentos africanos. As redes e microcircuitos emocionais e cognitivos de aves e mamíferos parecem ser bastante mais homólogos do que previamente se pensou. Além disso, certas espécies de aves, como foi demonstrado nos padrões neurofisiológicos dos mandarins, exibem padrões neuronais de sono idênticos aos dos mamíferos, incluindo o sono REM, que se pensava exigirem o neocórtex dos mamíferos. As magpies [uma espécie de pombo], em particular, exibiram impressionantes similaridades com humanos, grandes símios, golfinhos e elefantes em estudos de auto reconhecimento da sua imagem refletida num espelho. 

* Nos humanos, o efeito de certos alucinógenos parece estar associado com uma disrupção no processamento cortical de feedforward e feedback. Intervenções farmacológicas em animais não-humanos com compostos conhecidos por afetarem o comportamento humano, podem conduzir a perturbações similares no comportamento dos animais não-humanos. Nos humanos, existem evidências que sugerem que a consciência de algo, tal como na consciência visual, está correlacionada com a atividade cortical, o que não exclui possíveis contribuições do processamento subcortical ou cortical primitivo. Evidências de que sentimentos de animais humanos e não-humanos emergem de redes cerebrais subcorticais homólogas fornecem evidências de qualia afetivas fundamentais evolutivamente partilhados. 

Declaramos o seguinte: “A ausência de neocórtex não parece excluir um organismo da possibilidade de experienciar estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não-humanos possuem os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência em linha com a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são únicos na posse dos substratos neurológicos que geram consciência. Animais não-humanos, abarcando todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, incluindo os polvos, também possuem estes substratos neurológicos”

Original em inglês:

The Cambridge Declaration on Consciousness ** 

On this day of July 7, 2012, a prominent international group of cognitive neuroscientists, neuropharmacologists, neurophysiologists, neuroanatomists and computational neuroscientists gathered at The University of Cambridge to reassess the neurobiological substrates of conscious experience and related behaviors in human and non-human animals. While comparative research on this topic is naturally hampered by the inability of non-human animals, and often humans, to clearly and readily communicate about their internal states, the following observations can be stated unequivocally:  

*The field of Consciousness research is rapidly evolving. Abundant new techniques and strategies for human and non-human animal research have been developed. Consequently, more data is becoming readily available, and this calls for a periodic reevaluation of previously held preconceptions in this field. Studies of non-human animals have shown that homologous brain circuits correlated with conscious experience and perception can be selectively facilitated and disrupted to assess whether they are in fact necessary for those experiences. Moreover, in humans, new non-invasive techniques are readily available to survey the correlates of consciousness.  

*The neural substrates of emotions do not appear to be confined to cortical structures. In fact, subcortical neural networks aroused during affective states in humans are also critically important for generating emotional behaviors in animals. Artificial arousal of the same brain regions generates corresponding behavior and feeling states in both humans and non-human animals. Wherever in the brain one evokes instinctual emotional behaviors in non-human animals, many of the ensuing behaviors are consistent with experienced feeling states, including those internal states that are rewarding and punishing. Deep brain stimulation of these systems in humans can also generate similar affective states. Systems associated with affect are concentrated in subcortical regions where neural homologies abound. Young human and nonhuman animals without neocortices retain these brain-mind functions. Furthermore, neural circuits supporting behavioral/electrophysiological states of attentiveness, sleep and decision making appear to have arisen in evolution as early as the invertebrate radiation, being evident in insects and cephalopod mollusks (e.g., octopus). 

* Birds appear to offer, in their behavior, neurophysiology, and neuroanatomy a striking case of parallel evolution of consciousness. Evidence of near human-like levels of consciousness has been most dramatically observed in African grey parrots. Mammalian and avian emotional networks and cognitive microcircuitries appear to be far more homologous than previously thought. Moreover, certain species of birds have been found to exhibit neural sleep patterns similar to those of mammals, including REM sleep and, as was demonstrated in zebra finches, neurophysiological patterns, previously thought to require a mammalian neocortex. Magpies in particular have been shown to exhibit striking similarities to humans, great apes, dolphins, and elephants in studies of mirror self-recognition.  

*In humans, the effect of certain hallucinogens appears to be associated with a disruption in cortical feedforward and feedback processing. Pharmacological interventions in non-human animals with compounds known to affect conscious behavior in humans can lead to similar perturbations in behavior in non-human animals. In humans, there is evidence to suggest that awareness is correlated with cortical activity, which does not exclude possible contributions by subcortical or early cortical processing, as in visual awareness. Evidence that human and nonhuman animal emotional feelings arise from homologous subcortical brain networks provide compelling evidence for evolutionarily shared primal affective qualia. 

We declare the following: “The absence of a neocortex does not appear to preclude an organism from experiencing affective states. Convergent evidence indicates that non-human animals have the neuroanatomical, neurochemical, and neurophysiological substrates of conscious states along with the capacity to exhibit intentional behaviors. Consequently, the weight of evidence indicates that humans are not unique in possessing the neurological substrates that generate consciousness. Nonhuman animals, including all mammals and birds, and many other creatures, including octopuses, also possess these neurological substrates.” 

** The Cambridge Declaration on Consciousness was written by Philip Low and edited by Jaak Panksepp, Diana Reiss, David Edelman, Bruno Van Swinderen, Philip Low and Christof Koch. The Declaration was publicly proclaimed in Cambridge, UK, on July 7, 2012, at the Francis Crick Memorial Conference on Consciousness in Human and non-Human Animals, at Churchill College, University of Cambridge, by Low, Edelman and Koch. The Declaration was signed by the conference participants that very evening, in the presence of Stephen Hawkin, in the Balfour Room at the Hotel du Vin in Cambridge, UK. The signing ceremony was memorialized by CBS 60 Minutes

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Carta a Meneceu

Preciosidade, em 11 páginas a receita para ser feliz:

Carta Sobre a Felicidade
ou a conduta humana para a saúde da alma


Sinopse
Esta carta é uma decidida exortação à prática da filosofia, onde se promove esta disciplina como tendo uma única meta: tornar feliz o Homem que a pratica durante o percurso da sua existência, desde a mais tenra juventude até à idade mais avançada. 
No texto a morte é-nos apresentada como o maior e o mais aterrador dos males. Como é necessário vencer esse medo da morte; ninguém deve temê-la, dado que não temos vantagem nenhuma em viver eternamente; o que nos importa não é a duração mas a qualidade da vida. 
Também são abordadas as diversas formas do desejo, acompanhadas por uma necessidade imperiosa de controlá-lo, tendo por objectivo a saúde do corpo, quanto a tranquilidade da alma, o que não deixa também de ser uma boa definição do próprio prazer, tal como Epicuro o concebe. 
Por fim, aborda-se o homem sábio, e para Epicuro este nunca deverá acreditar no destino e na sorte, como se estes fossem fatalidades inabaláveis e sem esperança, deixando despontar aqui a crença do autor, sobretudo na vontade e na liberdade do Homem.


P.S.: Uma tradução da carta pode ser lida aqui, http://carmencarmina.blogspot.pt/2011/12/morte-nao-nos-diz-respeito-carta.html

terça-feira, 18 de junho de 2013

O cão sábio

Certo dia um cão sábio passou por um grupo de gatos. À medida que se aproximava, percebeu que estavam muito concentrados no que estava acontecendo entre eles e não lhe prestavam a menor atenção. Decidiu então parar e escutar o que diziam. Do meio deles levantou-se um gato grande e solene que olhou
para todos e disse:
- Irmãos, rezem, e depois rezem de novo e outra vez ainda, sem duvidar; e então, em verdade lhes digo, vai chover rato.
Ao ouvir isso, o cachorro riu deles por dentro e afastou-se, pensando:
- Oh, gatos cegos e insensatos! Pois não está escrito e eu não sei, e meus antepassados antes de mim não sabiam, que o que chove quando rezamos e suplicamos com fé não são ratos, e sim ossos?


[Khalil Gibran, O louco, trad. Dinah Abreu Azevedo, São Paulo, Aquariana, 2003 (Lado B), p. 19] 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O belo e a consolação - Van De Schoonheid en de Troost

O mais belo e espantoso programa alguma vez feito em televisão!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tornar a razão popular

Estamos rodeados de mitos, intuições mal formadas e superstições diversas. Fazem-se as afirmações mais extraordinárias e fornecem-se provas aristotélicas débeis, indícios diáfanos, sinais ambíguos...
"Deus é bom", porque os antigos disseram. "Há fantasmas" porque ouvi barulhos em casa... e por ai fora.
Todos esquecem que afirmações extraordinárias exigem provas igualmente extraordinárias!
A razão é a única arma que temos, nada mais. Essa estranha ferramenta que se contradiz logo que se afirma é o único salva-vidas à nossa disposição, poucos o apanham e quase sempre sem admitirem preferir morrer afogados.







Pag 9 - A ignorância prende e o saber liberta
     13 - A universidade francesa de hoje continua cousiniana
     37 - A filosofia como substituto actual dos grandes discursos totalizantes (psicanálise, marxismo, cristianismo)
     38 - A Bíblia e O Capital empalidecem enquanto o Corão brilha.
     39 - A crescente demanda de filosofia.
     57 - "Aquilo que tem o seu preço tem pouco valor." Nietzsche
     68 - A desmonetização da palavra, um sinal da barbárie dosa nossos tempos.
     72 - A prova do filósofo é a sua vida filosófica.
     75-76 - O povo "horroroso"
     91 - Epicuro: A amizade é a conjugação de duas forças para melhor alcançar o projecto de uma vida bem sucedida.
    95 - Fazer a revolução sem tomar o poder.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A natureza das coisas

Um livro oferecido. Um livro a ler, lentamente.
A Natureza Das Coisas, de Lucrécio

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O corpo é a grande verdade


"Tu dizes «eu» e orgulhas-te desta palavra. Mas há qualquer coisa de maior, em que te recusas a aceditar, é o teu corpo e a sua grande razão; ele não diz Eu, mas procede como Eu. Aquilo que a inteligência pressente, aquilo que o espírito reconhece nunca em si tem o seu fim. Mas a inteligência e o espírito quereriam convencer-te que são o fim de todas as coisas; tal é a sua soberba.
Inteligência e espírito não passam de instrumentos e de brinquedos; o Em si está situado para além deles. O Em si informa-se também pelos olhos dos sentidos, ouve também pelos ouvidos do espírito.
O Em si está sempre à escuta, alerta; compara, submete; conquista, destrói. Reina, e é também soberano do Eu. Por detrás dos teus pensamentos e dos teus sentimentos, meu irmão, há um senhor poderoso, um sábio desconhecido: chama-se o Em si. Habita no teu corpo, é o teu corpo.
Há mais razão no teu corpo do que na própria essência da tua sabedoria. E quem sabe por que é que o teu corpo necessita da essência da tua sabedoria?"

Nietzsche, in Assim Falava Zaratustra