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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Coma

He stays still
He stays down
Unholy, unholy
He stays still
Stay unto me
Makes me feel unholy

Nothing (Nothing)
Now that I have nothing
(Now that I have nothing)
I resolve to be nothing
(I resolve to be nothing)
Nothing to harm me, nothing to gain
(Nothing to harm me, nothing to gain)
I resolve to be nothing

Nothing (Nothing) Now that I have nothing
(Now that I have nothing)
I resolve to be nothing
(I resolve to be nothing)
Nothing to harm me, nothing to gain
(Nothing to harm me, nothing to gain)
I resolve to be nothing

Nothing (Nothing)
Nothing (Nothing)
He stays still
Stay unto me
Makes me feel unholy
Makes me feel unholy


We stay, no cause, stay
We stay, no cause, stay
We stay (Makes me feel unholy)
No cause, stay
We stay (Makes me feel unholy)
No cause, stay
We stay (Makes me feel unholy)
No cause, stay
(Unholy), No!

Azam Ali 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quatro saetas

Na voz de um cigano:



A SAETA

Disse uma voz popular
Quem me empresta uma escada
Para subir ao altar
Para tirar os cravos
De jesus, o nazareno?

Oh! a saeta ao cantar
Ao cristo dos ciganos
Sempre com sangue nas mãos
Sempre por desencravar.

Canto do povo andaluz
Que todas as primaveras
Anda pedindo escadas
Para subir à cruz.

Canto da terra minha
Que lança flores
Ao Jesus da agonia
Que é a fé dos meus anciões*.

Oh! não és tu o meu canto
Não posso cantar nem quero
A esse Jesus da cruz de madeira
Mas sim ao que andou sobre o mar.

(*) Os ciganos vivem em clã e têm respeito reverencial pelos anciões



Num dueto do autor com um brasileiro (Fagner):




O original de Joan Manuel Serrat quando ainda tinha voz: 




E uma surpreendente de Miles Davis:

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Orly - Brel & Gilbert Bécaud


Em ORLY Brel cita Gilbert Bécaud “ ...como é triste Orly ao domingo com ou sem Bécaud”. Em 1963 este cantor francês tinha feito um sucesso enorme com uma canção chamada DIMANCHE À ORLY(Domingo em Orly) onde entre muitas futilidades dizia que “ eu vou ao domingo a Orly, no aeroporto vemos os aviões voar para todos os países”.

Brel prefere falar de gente que se ama e que se despede em Orly. O texto de ORLY está no bom estilo descritivo de BREL.
Esta canção está no seu último disco . Este disco foi gravado em segredo. O cantor estava doente e não queria publicidade nenhuma. Depois da gravação feita ele voltou às Ilhas Marquesas. Apesar de tanto secretismo, antes do disco estar impresso e à venda nas lojas, já atingira o impressionante número de 1 milhão de encomendas… Facto absolutamente inédito na indústria discográfica da altura …

Orly (1977)

Serão mais de dois mil, mas eu não vejo mais que eles dois. A chuva uniu-os, parecem-se um com o outro... Serão mais de dois mil, mas eu não vejo mais que eles dois, e eu sei do que eles que falam. Ele deve estar a dizer “amo-te” e ela deve estar a dizer “amo-te”. Acredito que eles não estão a fazer promessas, um ao outro, são demasiado frágeis para serem ingratos...

Serão mais de dois mil, mas eu não vejo mais que eles dois. Subitamente ele chora, chora lágrimas como punhos... Tão enlaçados estão, que transpiram por todos os poros, arfam de esperança e não ligam aos puritanos que os olham de lado… Estes dois escorraçados, soberbos de tristeza, deixam aos cães a proeza de os julgarem...

A vida não dá brindes!... Meu Deus, como é triste Orly ao Domingo, com ou sem Bécaud...

E agora eles choram, choram os dois. Há instantes era ele... Tão abraçados que estão, não escutam mais nada a não ser os soluços um do outro... E depois, depois indefinidamente, como dois corpos que suplicam, indefinidamente, lentamente, estes dois corpos separam-se e separando-se estes dois corpos despedaçam-se, e juro-vos que gritam. E depois voltam a abraçar-se para ser de novo um só... O fogo volta, e despedaçam-se outra vez... Agarram-se pelos olhares e depois recuam como o mar que se afasta... Ele diz adeus, balbucia algumas palavras, agita uma vaga mão, e bruscamente foge. Foge sem se voltar, e desaparece engolido pela escada...

E ela, ela fica. Coração crucificado, boca aberta, sem um grito, sem uma palavra... Ela conhece a sua morte, ela acaba de se cruzar com ela. E ela volta-se, e volta-se de novo... Os seus braços caídos até ao chão. Há muito que ela sabe que é assim. A porta fechou-se, não há luz. Ela rodopia sobre si mesma e já sabe que voltará sempre. Ela perdeu homens, mas ali ela perdeu o amor. O amor disse-lhe “cá estou de novo, inútil...” Ela viverá de projectos que não são senão uma espera.
Ei-la de novo, frágil, antes que esteja à venda...

Eu estou lá, estou a segui-la, e não arrisco nada por ela... A malta vai trincar nela, como na fruta barata...

Fonte: http://cantodobrel.blogspot.pt/2010/08/orly.html

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Patti Smith - Os reis magos



A ouvir em repeat.

sábado, 7 de julho de 2012

Humanos

Ontem, a ler Charles Darwin, dei-me conta do profundo respeito e admiração que esse grande homem tinha pelos humanos. De uma forma um tanto condescendente comigo mesmo, nunca tinha lido este autor. Ao ponto de, pelas leituras de outros, o não ter em grande consideração.
Sou cínico por natureza, por isso sempre me resultou estranho que algumas pessoas (como Hobbes) achem que os homens são intrinsecamente maus e egoístas quando é evidente que somos (também) tão generosos e sociais. Tornados solitários somos profundamente infelizes. Quem leu Robinson Crusoe recorda certamente a alegria que sentiu (eu senti) quando finalmente deixou de estar só na ilha e apareceu 6ª Feira. Nunca entendi a irracionalidade dessa gente que apregoa que somos lobos uns para os outros. Finalmente, com o tempo, comecei a entender o seu ponto de vista*.

Darwin nada teve a ver com essa perversão que é o darwinismo social, de facto Darwin acreditava nos Homens e a sua filosofia testemunha a favor dos "instintos sociais" entre os animais, e portanto entre os humanos; estabelecendo que o amor e a simpatia, esses dois instintos naturais, jogaram um papel maior na construção da cultura contemporânea. Efectivamente, os animais têm prazer na companhia dos seus semelhantes, apercebem-se do perigo e combatem-no juntos, associando-se defendem-se.

É por demais evidente que "os homens têm mais a admirar que a desprezar" (A. Camus).
Assim, num relance, recordo 2 canções admiráveis, feitas por seres humanos, de uma beleza suprema, arrepiante, em português (e galego):

"Menina dos olhos tristes" "Pra Habana!" (canto V)
Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar
Este vaise i aquel vaise,
e todos, todos se van.
Galicia, sin homes quedas
que te poidan traballar.

Tés, en cambio,orfos e orfas
e campos de soledad,
e pais que non teñen fillos
e fillos que non tén pais.

E tés corazós que sufren
longas ausencias mortás,
viudas de vivos e mortos
que ninguén consolará.

















(*) O funcionamento do cérebro humano é irracional e cometemos dois erros irracionais típicos, ignoramos o que é esperado e desvalorizamos o que não vai ao encontro dos nossos preconceitos - princípio da confirmação.
Ora o que é esperado em sociedade é que as pessoas sejam educadas, que os outros carros não se cruzem na  frente do nosso, que as pessoas não se choquem nos passeios, que os nossos conhecidos nos cumprimentem, que as crianças perdidas sejam ajudadas a procurar os pais, que os cegos sejam ajudados a atravessar a rua, que os deficientes vejam as cadeiras de rodas empurradas, que sejamos excessivamente tolerantes com as chochices dos velhos e a estupidez das crianças, etc..., aquilo a que se chama civilidade, o nosso cérebro não regista estes momentos "normais".
Por outro lado há um grande grupo de pessoas que passaram a acreditar na maldade dos homens - e isso precisa ser explicado - e os media apoiam essa visão. Todos os dias se lançam dezenas de pessoas à água para salvar gente que se está a afogar, ou se evitam atropelamentos arriscando ser atropelado; milhares de pessoas ajudam cegos a atravessar a rua, outros milhares carregam compras de velhinhas, outros milhares facilitam a vida a deficientes e velhos, dezenas de adultos ajudam crianças perdidas, milhares de pessoas que têm fome e não têm dinheiro vêem a sua fome saciada, etc... e os telejornais abrem quase sempre com um assalto ou outra maldade qualquer. Pessoas que acreditam que o homem é o lobo do homem confirmam o seu preconceito, ignorando os episódios que o contrariam.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Three Little Birds (Bob Marley)

A professora de matemática pergunta ao Joãozinho:
- Joãozinho, estão três passarinhos no galho de uma árvore. O menino pega na sua espingardinha e mata um. Quantos ficam no galho?
- Nenhum, professora, responde ele.
- Como Joãozinho? Pense bem... Eram 3 passarinhos, e o menino mata um. Quantos sobram?
- Nenhum professora. Quando eu acertar no primeiro, os outros dois voam e não fica nenhum no galho.
- Bem Joãozinho, a resposta não foi correcta mas eu gosto muito da sua maneira de pensar.

- Professora, eu também tenho uma perguntinha. Ali no banco do jardim estão sentadas três raparigas. Uma está a comer um gelado, a outra está a chupar no seu gelado e a terceira está a morder no gelado. Qual delas é casada?
A professora, muito constrangida e vermelha, pensa um pouco e responde:
- Bem, acho que é a que está a chupar o gelado.
- Errado, professora. A que é casada é a que está com uma aliança no dedo, mas eu gosto muito da sua maneira de pensar...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Brel, o filósofo



Tributo de Bowie:



Amesterdão

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que cantam
Sobre os sonhos que os assombram
Ao redor de Amesterdão
No porto de Amesterdão
Há marinheiros que dormem
Como as bandeiras penduradas
Ao longo das margens escuras
No porto de Amesterdão
Há marinheiros que morrem
Cheios de cervejas e dramas
Às primeiras luzes do dia
Mas no porto de Amesterdão
Há marinheiros que nascem
No espesso calor
Dos fracos oceanos

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que comem
Sobre toalhas também brancas
De peixes gotejantes
Eles mostram os dentes
Que mastigam o destino
Que engolem a lua
Uma baforada de caras
E cheira a bacalhau
Directamente no coração das batatas fritas
Que suas grandes mãos convidam
A retornar uma vez mais
Então, levantam-se a rir
Com um ruído de tempestade
Fecham suas braguilhas
E partem arrotando

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que dançam
Esfregando suas barrigas
Nas barrigas das mulheres
Eles giram e eles dançam
Como os sóis cuspiram
Ao som rasgado
De um acordeão rançoso
Eles torcem o pescoço
Para melhor se ouvirem rindo
Até que, de repente
O acordeão morre
Em seguida, o gesto grave
Em seguida, o olhar orgulhoso
Eles trazem suas batavas
À plena luz

No porto de Amesterdão
Há marinheiros que bebem
E que bebem e bebem
E que bebem outra vez
Eles bebem à saúde
Das putas de Amesterdão
De Hamburgo ou de outro lugar
Ao fim, bebem às moças
Que dão a eles seus belos corpos
Que dão sua virtude
Por um pedaço de ouro
E quando eles estão bem bêbados
Levantam seus rostos para o céu
Assoam os narizes nas estrelas
E eles urinam como eu choro
Sobre as mulheres infiéis
No porto de Amesterdão
No porto de Amesterdão

Fonte: http://letras.terra.com.br/jacques-brel/5772/traducao.html

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Não entre tão depressa nessa noite escura (Do Not Go Gentle Into That Good Night)

Não entre tão depressa nessa noite escura;
A velhice queima e estressa ao fim do dia:
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.

Entanto sábios ao final sancionem a tarde madura
Porque suas palavras não lavraram luz, eles
Não entram tão depressa nessa noite escura.

Boa gente, ao último aceno, clama o quanto dura
A chama de seus feitos vãos valsando na angra verde,
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.

Rufiões que colhem e cantam o sol que perfura,
E aprendem, demais tarde, que o molestam em sua senda,
Não entram tão depressa nessa noite escura.

Homens graves, à morte, que vêem às escuras
Olhos cegos a chamejar meteoros e ser felizes,
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.

E tu, meu pai, lá nas tristes alturas,
Maldiz-me, bendiz-me com teu duro pranto, peço.
Não entre tão depressa nessa noite escura.
Ira, ira de encontro ao fenecer da alvura.


Tradução: Ruy Vasconcelos

domingo, 6 de novembro de 2011

8 milhas de largura



Um momento de liberdade.
Um texto e um vídeo subversivos, a beleza de um corpo com órgãos (a actriz e o cavalo urinam simultaneamente no prado).
Do outro lado os abortos conceptuais, a princesa e príncipe encantado:
Comem, defecam, urinam?
Não, que horror, claro que não! E isso trai a sua verdadeira natureza, mais uma das reencarnações recorrentes de Jesus e a virgem... estamos entendidos?

sábado, 29 de outubro de 2011

Já vou

domingo, 24 de julho de 2011

Who killed Mr. Moonlight

Somos criaturas históricas e na adolescência temos de escolher as nossas causas e os nossos hinos.
O tempo vai passando e ainda oiço estes senhores. A minha banda de eleição naqueles tempo.
Bauhaus, Burning From The Inside, 1983


Quem Matou o Senhor Luar?

Leva em conta os lagos verdes
E a idiotice dos relógios
Alguém roubou a nostalgia da escuridão
Alguém roubou a nossa inocência

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Merci

Desde os DCD até ao filmezeco hollywoodesco do Russell Crowe, tudo no que tocas parece transformar-se emocionalmente em ouro.
os deuses foram generosos em compensar a minha perda...


1. “Os trajectos do viajante coincidem sempre, secretamente, com as procuras iniciáticas que põem a identidade em jogo.”


“Não escolhemos os lugares predilectos, somos solicitados por eles. (…) Há sempre uma geografia que corresponde a um temperamento.” 

“Só nos tornamos nómadas impenitentes se instruídos na nossa carne nas horas do ventre materno, redondo como um globo, como um mapa-múndi. (…)
Cada qual dispõe de uma mitologia antiga criada pelas leituras da infância, pelas recordações de família, pelos filmes, pelas fotografias, pelas imagens de um mapa-múndi de escola pendurado ao fundo da sala de aula num dia melancólico.”
 

“Não há viagem sem o reencontro com Ítaca que imprime o verdadeiro sentido à deslocação.”



2. Lisa Gerrard