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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Que dizer perante Deus?

Stephen Fry:

Legendei.

sábado, 16 de abril de 2016

A maior mentira da Humanidade

Não encontrei falhas neste documentário.

 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Vergonha alheia.

Quando a tugalha fala grosso


Portugal é historicamente devedor e cronicamente de imigração para pagar a dívida que, nos poucos momentos da sua história que é credor ou que acolhe imigrantes, se comporta como um canalha arrogante. Não é uma enorme estupidez maltratar quem no futuro nos vai emprestar dinheiro ou casa?
A Tugalândia compra histórica e sistematicamente mais do que vende ao mundo porque a tugalha vive em terra pobre e gosta de consumir o que não produz, nada demais, há muitos outros povos assim, mas isso se paga SEMPRE. E para pagar a diferença do que consome sem produzir, que é que a tugalha tem para vender que o mundo queira comprar?
CARNE HUMANA!
Sim, os tugas especializaram-se em vender carne humana tal como os suíços se especializaram em vender relógios ou os suecos em vender madeira...
Eu sei que soa horrível e é horrivel. Uma vergonha nacional de que não se fala em Portugal e que "outros" ainda não falam.
Vamos aos meus dados, imperfeitos e pejados de erros históricos:
De 1430 - 1530 a tugalha vendeu os seus próprios filhos...
De 1530 a 1889 a tugalha comprava/catava pretos em África e revendia a bom preço nas Américas (enquanto continuava a vender alguns filhos)...
A partir de 1889 já ninguém comprava pretos e recomeçaram as vendas de filhos em larga escala, quem nunca leu "A selva" pode ver o filme: eloquente...
 .
Destinos de "imigração":
De 1850 a 1900 vendeu a carne dos filhos para o Brasil;
De 1900 a 1930 vendeu a carne dos filhos para os EUA;
De 1950 a 1970 vendeu a carne dos filhos para a França e Alemanha enquanto "emprestava" filhos a Angola e Moçambique - mais tarde seriam devolvidos, penso que foi a única devolução histórica;
De 1975 a 1985 vendeu a carne dos filhos para a Suíça;
De 2005 a 2015 a festa é grande e os compradores são mais que muitos, Angola, Brasil, Península Arábica, Moçambique, Brasil, Suíça e Inglaterra.
Os próximos compradores em grosso serão Canadá e Alemanha...
As vendas atuais têm de ser em grande escala porque os filhos que saem mandam muito menos dinheiro para casa (comprar casa na Madalena ou uma bicicleta em Lisboa é enviar dinheiro para casa).
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Quereis fazer o favor de acordar ou estais bem assim?
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P.S.: Diz a wikipedia que "Quando as exportações são maiores que as importações registra-se um superavit na balança, e quando as importações são maiores que as exportações registra-se um déficit. Normalmente, uma balança comercial deficitária implica uma balança corrente também ela deficitária, pois balança comercial é comumente a componente com maior peso na balança corrente. Contudo, o déficit comercial pode ser compensado com os superávits das restantes balanças correntes. Tal foi o caso de Portugal durante grande parte da segunda metade do século XX com as remessas dos emigrantes, que são contabilizadas na balança de transferências correntes."

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Cosmos (FR)

Life is a too short poem for evolutions.
 23-Jun-2014

Cromlech des Almendres 
Solstice d'été, mon 47 ème, dans le   Cromlech des Almendres *.

47 cycles de la matière de la Terre, elle s'est composé et recomposé pour moi, naturellement et parfaitement; Cependant RIEN n'a changé dans le Cosmos ...
Dans ce silence total,  plombé, à la fois décevant et rassurant, nous sommes uniques. Dans un ciel vide nous sommes notre propriété exclusive.

En temps préhistoriques nous étions trop similaires à ce que nous sommes aujourd'hui. Un autre chaman assis au même endroit il y a 7000 années a eu  la même certitude que moi: la circularité du temps, la fragilité de la vie, sa continuité de cette plante la plus humble au plus puissant animal, la stabilité du Cosmos et le silence des cieux.

Nous sommes matière pensante pour de nombreux millénaires. Mais nous ne sommes pas La matière pensante. Le Cromlech des Almendres pointe dans une direction cosmique sur la quelque un autre chaman, à son "Cromlech" aux environs d'Aldebaran se trouve en regardant vers l'étoile que nous appelons le soleil et il pense ...

Cromlech des Almendres 
Une belle conception du cosmos fait l'économie du christianisme, très faible cosmologiquement  où  un Dieu  ex-maquina  tout règle comme un contremaître en charge de tout ce qu'il y a, sans fluxes, sans aucune interdépendances, sans vie. Le Cosmos est un endroit mort pour les chrétiens. Pour moi, c'est un lieu de flux permanent de matière et d'énergie. Dense, amoral,  sans celui qui lui garantit l'ordre, mais profondément ordonnée et stable.
Estrutura do Cromeleque dos Almendres





La modernité est un mensonge persistant et
pathétique. Il n'y a jamais eu aucune évolution parce que le corps, la grande vérité nietzschéenne, n'a jamais évolué. Dans cette Lisbonne d'aujourd'hui des bébés naissent  profondément pré-historiques,  100% égaux à ceux qui sont nés dans les cavernes voisines a  Almendres il y a 7000 ans  ...



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(*) Je n'ai pas été dans ce solstice dans Almendres.

Cosmos

Life is a too short poem for evolutions.
23-Jun-2014

Cromeleque dos Almendres
Esta é uma nota de rodapé cósmica ao Solstício de Verão de 2014 no Cromeleque dos Almendres*, o meu 47º. 

Em 47 ciclos da terra a matéria se compôs e se recompôs em mim na mais perfeita ordem e naturalidade; no Cosmos NADA se modificou...
Neste total e plúmbeo silêncio, simultaneamente decepcionante e  reconfortante, somos únicos. Num céu vazio somos nossa propriedade exclusiva.
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Nos tempos pré-históricos éramos demasiado semelhantes ao que somos hoje. Outro xamã se sentou neste lugar há 7000 anos e teve as mesmas certezas que eu: a circularidade do tempo, a fragilidade da vida, a continuidade desta desde a erva mais humilde ao animal homem, a estabilidade do Cosmos e o silêncio dos céus.

Somos matéria pensante mas não somos a única matéria pensante, o Cromeleque dos Almendres aponta numa direção cósmica em que algures outro xamã, no seu "Cromeleque" nas vizinhanças da Aldebarã,  se senta olhando na direção da estrela a que nós chamamos sol e me pensa tal como eu o penso a ele.
Cromeleque dos Almendres
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Uma concepção adulta e saudável do Cosmos faz a economia do cristianismo, fraquíssimo cosmologicamente em que um Deus faz-tudo é o capataz e encarregado do que há, sem fluxos, sem interdependências, sem vida. O Cosmos é um lugar morto para os cristãos. Para mim é um lugar de permanente fluxo de matéria e energia. Denso, amoral, sem nenhum Ente que lhe garanta a ordem mas profundamente ordenado e estável.
Estrutura do Cromeleque dos Almendres





A modernidade é uma mentira persistente e  patética. Não há nem nunca houve evolução alguma, porque o corpo, a grande verdade nietzschiana, não evoluiu nunca. Nas maternidades desta Lisboa de hoje nascem bebés pré-históricos, 100% iguais aos que nasciam nas cavernar vizinhas a Almendres há 7000 anos...



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(*) Estive e não estive neste solstício nos Almendres.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A mulher

Na literatura persa antiga, nos tempos da velha Babilónia, surgiu a literatura escrita em tabuinhas de argila.
Além da história de Jó e de Noé (Gilgamesch) há uma história de uma Eva:
Depois de fazer o homem e o colocar no paraíso Deus logo percebe que ele está entediado, triste e solitário. Chama-o e diz: 
- Para suavizar o seu tédio vou criar para ti um ser que será em tudo o contrário de ti, diante do qual jamais sentirá tédio.
Cria a mulher e a dá ao homem. Esse primeiro homem haveria de descobrir o que é o inferno e o paraíso ao mesmo tempo.
Depois de três dias ele volta com a mulher e diz a Deus:
- Olha senhor, vim devolver este ser insuportável! É totalmente irracional e emocional. Fala demais. Reclama de tudo. E quando fala não utiliza a razão.
- Tudo bem, diz o senhor, como quiser.
O homem vai embora sozinho. Mas volta três dias depois e diz:
- Olha senhor, não posso ficar sem ela. Tem num jeito de falar certas coisas. Um jeito de olhar quando vira o rosto. E... outras coisitas mais.
E o homem a levou de volta. Três dias depois voltou e diz ao senhor:
- Olha senhor! Não posso mais! Não tem mesmo jeito! Não tenho mais paz!
Disse-lhe o senhor:
- Leve-a. Não pode mais viver com ela, e nem sem ela.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O cão sábio

Certo dia um cão sábio passou por um grupo de gatos. À medida que se aproximava, percebeu que estavam muito concentrados no que estava acontecendo entre eles e não lhe prestavam a menor atenção. Decidiu então parar e escutar o que diziam. Do meio deles levantou-se um gato grande e solene que olhou
para todos e disse:
- Irmãos, rezem, e depois rezem de novo e outra vez ainda, sem duvidar; e então, em verdade lhes digo, vai chover rato.
Ao ouvir isso, o cachorro riu deles por dentro e afastou-se, pensando:
- Oh, gatos cegos e insensatos! Pois não está escrito e eu não sei, e meus antepassados antes de mim não sabiam, que o que chove quando rezamos e suplicamos com fé não são ratos, e sim ossos?


[Khalil Gibran, O louco, trad. Dinah Abreu Azevedo, São Paulo, Aquariana, 2003 (Lado B), p. 19] 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A igreja não quer que as pessoas cresçam

Quando se explora e se conhece os homens que crêem. Quando se percebe a profunda religiosidade do outro e somos suficientemente humildes para achar que seria muita sorte ter nascido no lugar que nascemos, lendo os livros sagrados que lemos, e que a fé dos outros é tão intensa como a nossa apesar de eles acreditarem num Deus com cabeça de elefante, dá nisto: 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Contra-história da filosofia - O cristianismo hedonista ( vol II )

Página

PRIMEIROS TEMPOS
9O golpe de estado cristão (ano 321 DC)
10Papiro - depois pergaminho - depois papel, ocasiões para deturpar ou eliminar
19O confuso início do cristianismo
20A filosofia obedece às leis de Darwin (sem seguidores uma ideia morre)
21O nihilismo do Sec I DC
23O ataque às heresias salva as heresias
25Simão o mago, moscardo de Paulo de tarso.
26Gnósticos encráticos (ascéticos) e gnósticos licenciosos
29O amor ao próximo sob a forma de uma fogueira.
30A seita autoriza um último uso da razão (abdicar dela)
36Os gnósticos não são platónicos porque não detestam o corpo
37O cristianismo é uma gnose que deu certo
39Jesus é concebido como contemporâneo de Tibério
40O mundo (mau) foi feito por Deus
61Os cristãos paulinos apreciam a propriedade
65O reino na Terra?
72O fim pela espada de Constantino
75Como um mal nunca vem só, surge o Islão!

IDADE MÉDIA
79Jesus resgatou o pecado, de todos e para sempre.
88A única realidade que importa?
A Terra, aqui e agora.
90O outro como refém a fim de ganharmos o paraíso
91Amar o próximo tem limites
92A fogueira é a versão medieval do amor ao próximo
95Queimar até os ossos do herege é a versão medieval do amor ao próximo
102Os católicos não gostam de Walter de Holanda
110As beguinas: iletrados carentes convivem com viuvas ou ricos tentados pela vida de pobreza voluntária...
113Se a necessidade triunfa por toda a parte como imaginar que alguém seja culpado por aquilo que faz?
114Sec XII, a invenção do purgatório
122Lutero e o livre espírito
129O reino de Iavhé existiu por mais de 1000 anos
133Saduceus epicurianos atacados pelos fariseus...
134Carmina burana: epicurismo
144Lorenzo Valla, o corajoso
156O soberano bem estóico: a virtude
O prazer deve ser o guia das virtudes
164Bastam alguns arranjos para que os platónicos sejam considerados cristãos
171Erasmo: Cristo contra a Igreja
175Franciscanos não têm mulher, não têm dinheiro, não têm vontade de poder a não ser sobre si mesmos
186O corpo existe como companheiro da alma
189Epicuro - epíkouros - é aquele que salva

MONTAIGNE
191Montaigne não se ama
192Montaigne quer ser amado por si mesmo
Montaigne não se poupa
193De uma aberração a um milagre
Seis assaltos, impotência, carícias.
194A arte do minete?
195Consequências de uma educação "moderna"
198"Plano de estudos", Erasmo
201Escrever, escrever e ainda escrever...
206Montaigne quer conhecer homens inteligentes, mulheres belas e honestas.
207"Os ensaios", uma imensa gargalhada
208Que sei eu? A busca de si mesmo
210Cego sim,surdo sim, mas nunca mudo!
211Montaigne nunca suprime
213Pilhar as flores dos antigos para fazer o seu mel
216Vida depois da morte?
217Platão não podia ser um amigo
Sócrates: amado
218Sócrates: duvidar muito mas não de tudo
221Epicteto: no que devemos consentir
A morte voluntária é boa
222Epicuro: moral austera, vida exemplar e virtuosa
Montaigne não pode ser epicurista porque é cristão
228Montaigne: contra a virgindade, pelo suicídio, pelo divórcio e contra a dor salvífica
229O paraíso dos cristãos? Risível tal como o dos muçulmanos
234
A impostura das religiões
235Não existe essência
236A verdade das verdades é o tempo que passa.
O poder da palavra
237O uso do mundo
239"Do exercício", Cap. VI do Livro II, o acidente de cavalo de Montaigne
242Médicos são seres inúteis e poderosos. Cirurgiões são pessoas sérias.
244A alma...
245Elogio da esterilidade
247A diversão é útil para evitar as doenças da alma
251Filosofar é aprender a morrer
252Durante e depois da morte a consciência já não está presente para dar á dor a sua espessura
254Se o problema [os homens morrem] não mudou porque haveriam de mudar as soluções?
255As religiões, essas ficções, acrescentam misérias às misérias que pretendiam curar.
259O prazer é o bem supremo
260Porque vamos morrer, desfrutemos
264Montaigne, um corno sábio
268Para dizer o quê? O elogio dos simples
Amizade, mulheres e livros
272A arte do minete?
274Feminismo de Montaigne
275Casal ataráxico
277A construção de uma ética
A morte é o grande problema
292Marie de Gournay
3031676, entrada no INDEX

sábado, 13 de outubro de 2012

Deus mandou matar Malala

Malala Yousufzai – foto Nighat Dad
Numa longa mensagem enviada há quase 1400 anos, Deus, mandou matar Malala.
Em vez de ser ele a fazer o trabalho sujo, por exemplo fazer explodir a cabeça da miúda, como uma melancia, em pleno vale de Swat. Não, Deus preferiu mandar a mensagem e deixar que os assassinos fossemos nós. Deixar que a nossa ridícula razão interpretasse as suas palavras e premisse o gatilho.
E se Deus não puder ser compreendido pelos humanos?
Se todos os textos sagrados não passarem de imposturas religiosas fruto da nossa incompreensão do Criador?
E se todos os homens de Deus fossem afinal homens do Diabo?

“Apesar de ela ser nova e uma menina e de os taliban não acreditarem em ataques a mulheres, qualquer um que faça campanha contra o islão e a sharia deve ser morto, segundo a sharia”, explicava há dias o porta-voz do grupo no comunicado em que o ataque foi reivindicado. “Não é apenas permitido matar uma pessoa assim, mas obrigatório.”

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O planeta dos idiotas

domingo, 25 de dezembro de 2011

O escritor de Friburgo Michel Bavaud converte-se ao ateísmo aos 80 anos (traduzido)

O escritor cristão, chegado ao entardecer da sua vida, divorcia-se do cristianismo e fala de Deus como de “uma bela miragem"

Patrick Chuard | 12.12.2011 | 00:00

Pedagogo e escritor de Friburgo, Michel Bavaud lança uma pedra na pia de água benta. Envolvido há décadas com a Igreja católica, ele conta como se tornou ateu num livro onde acerta contas com Roma e a religião. O seu trâmite pretende ser um “sair do armário” pessoal mais do que um acto de militância, assegura ele, na sua cozinha de Treyvaux (FR) coroada ainda por um crucifixo. Diálogo com um «Indignado» da fé.



Você escreve que teria sido mais razoável deixar a fé «nas pontas dos pés, como tantos outros». Porque não o fez?
Não dizer que me tornei ateu seria uma mentira e uma cobardia. Muita gente veio ao longo dos anos pedir-me conselhos espirituais. Há religiosos entre os meus amigos. Seria desonesto não dizer o que penso realmente. Pode-se comparar com um homossexual que sente necessidade de fazer públicas as suas preferências

Uma necessidade de se confessar?
De facto, escrevi no ano 2000 no meu Epístola ao romano que apesar das minhas cóleras contra Roma, e as minhas decepções, eu continuava na Igreja. Tendo escrito isso, devo hoje ser honesto dizendo que isso mudou. Depois que me reformei, tive tempo de reflectir. A resposta às perguntas que sempre me pus veio progressivamente, como uma convicção. De alguma forma converti-me ao ateísmo.

Pode-se dizer de maneira banal que você já não vai mais à missa, eis tudo?
Ah não, eu ainda vou à missa! É um hábito, um momento de reflexão, de poesia. Há belos vitrais, um coro que não canta mal, uma atmosfera. Mas já não oiço os sermões graças à minha excelente surdez. (risos.) Ainda tenho crucifixos na minha casa, seria ridículo removê-los agora.

Mas então porque critica tão ferozmente a Igreja?
Rejeito o Vaticano, é verdade, a infalibilidade papal, a obediência cega a uma Igreja que condena, que excomunga. Já não suporto mais ser manobrado por essa autoridade, que tergiversa sobre os detalhes. O Concílio Vaticano II foi um momento de grande esperança, o início de um degelo fantástico, e depois a Igreja voltou atrás em tudo. Benedito XVI será perfeito como guarda de museu.

Advogaria pelo protestantismo?
Não, o primeiro problema, são as escrituras. Nós deveríamos reconhecer que a Bíblia, como também o Corão, não é a palavra de Deus, mas sim a dos homens. Talvez estivessem inspirados, mas se você escrever uma carta de amor, também o estará. Claro que há lá dentro belas histórias, como Jonas e a sua baleia. Isso vale por Ali Baba e os 40 ladrões, mas nem mais nem menos. A Bíblia não se aguenta de pé. É tempo de tirar a maiúscula da palavra Escrituras. E eu não concebo a teologia como outra coisa que não seja a libertação das injustiças, como um compromisso social. A oração é inútil para melhorar o mundo, para vestir os pobres e para curar os doentes.

Você acusa claramente Deus de ser um relojoeiro malfeitor!
Rejeito a existência do Deus da Bíblia, senão seria um Deus abominável. Ele teria cometido o pior genocídio da Historia ao provocar o dilúvio. Na semana passada, incinerámos a minha neta, que tinha 6 meses. Ao vê-la no CHUV com os seus aparelhos, foi insuportável. O Deus do amor não existe. Podem sempre contar-me que o mal está no mundo para permitir a liberdade do Homem, mas é inadmissível. Deus seria então um perverso. A Bíblia diz-nos que Jesus fazia milagres, então porque não move Deus nem a ponta de um dedo? Onde estão os milagres? Eu gostaria de ver os peregrinos sem pernas voltarem de Lurdes a caminhar.

Reconhecer que já não é crente foi doloroso?
Sim, recebi Deus como herança na minha educação. E é doloroso saber que esse Pai infinitamente bom não está lá. Isso deixa-vos órfãos. E depois eu sei que vou escandalizar muita gente de que gosto e continuo a gostar, tenho medo dos magoar. Depois que a o La Liberté consagrou um artigo ao meu livro, recebi em casa correios muito duros, por vezes anónimos. E os leitores do jornal não me obsolviam. As pessoas tratavam-me por renegado, infiel.

Não ganhou amigos no campo dos ateus?
Eu temo ser rejeitado pelos dois lados. Da parte dos crentes, mas também da parte dos ateus porque não sou um desses militantes que querem partir tudo. Eu, sinto-me mais próximo de um ateísmo tranquilo de um André Comte-Sponville que do dum Michel Onfray. Continuo a sonhar com uma forte religiosidade. É para inocentar Deus que eu o nego, esse Deus que tentei servir com o meu melhor e que se me tornou odioso. Mas se eu me enganei, se Deus existe, então que ele me acolha de braços abertos depois da minha morte…

Mas você continua a invocar o Deus que nega!
Continuamos ligados às coisas que amámos… Eu deixo Deus às boas, poderíamos dizer que é um divórcio amigável.

«Dieu, ce beau mirage»
Michel Bavaud. Ed. L’Aire, 2011.

P.S.: Para ouvir uma entrevista extraordinária abrir o arquivo de audio seguinte ou visitar o site da emissão:

sexta-feira, 22 de julho de 2011

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Replicas morais, Por Juan José Millás

No sabíamos que fotografía escoger para señalar que los terremotos provocan réplicas morales en lugares muy alejados de su epicentro geográfico, cuando tropezamos con la de este señor, de nombre José Ignacio Munilla, de profesión obispo, de facciones blandas, de dedos cortos (aunque gruesos), de comunión diaria y de aspecto general de exorcista. Aunque la imagen está tomada a los cuatro días del terremoto de Haití, no observan en el rostro de Munilla expresión alguna de dolor, lo que desmiente la teoría del Cuerpo Místico, según la cual todos estaríamos conectados, de modo que cuando se te cae la casa encima a ti, se me rompen las vértebras a mí. Nada de eso. Yo mismo tuve que enterarme por la radio. ¿Cómo es posible que suceda una catástrofe de ese calibre allí y no sintamos una pequeña sacudida aquí? La rabia de no haber perdido el apetito (y de que nadie lo perdiera a mi alrededor) me hundió en la miseria. Pero entonces pensé que la empatía nace precisamente de la perplejidad de la razón ante la ausencia de dolor frente al sufrimiento ajeno.
El conocimiento de que alguien idéntico a ti agonice bajo una montaña de cascotes sin que tú tengas siquiera un pequeño ataque de asma resulta intelectualmente insufrible. Ahí es donde aparece la solidaridad, que nos empuja a socorrer al desfavorecido. A menos, claro, que aparezca Munilla para poner orden en nuestras emociones. Total, que estábamos a punto de hacer una transferencia cuando, gracias a sus palabras, comprendimos que los desgraciados éramos realmente nosotros. Muchas gracias, obispo.

El País Semanal, 07-Fev-2010