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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Decadência - Asia Ramazan Antar

Asia Ramazan Antar foi abatida mostrando as suas tranças loiras ao vento. Quando as mulheres aceitam viver e morrer como cães nos campos de batalha não é preciso lutas feministas pela igualdade, a igualdade É. O que É é e o que É tem muita força.
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Mas quase todas as mulheres e a maioria dos homens preferem a retaguarda, a paz a qualquer preço, a veadagem de não lutar pelo território e pela liberdade (a par da cobardia de deixar que outros lutem e morram, às vezes exigir mesmo que outros o façam por eles).
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Sabes o que acontecia historicamente aos homens que decidiam não lutar?
Eram botim dos vencedores, eles, as suas mulheres e filhos eram reduzidos à servidão ou à escravatura por aqueles que pegavam em armas e aceitavam o enorme risco de serem abatidos... sempre foi assim e depois deste curto e belo intervalo de tempo de parte do século XX e XXI, assim voltará a ser. As mulheres voltarão a ser o que foram: servas dos homens.
Foi esse destino de serva que Asia Ramazan Antar não escolheu e se tivesse sobrevivido à guerra haveria de ter escravos e escravas do ISIS ao seu serviço.
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O machismo e a servidão são a contrapartida pela preservação da vida. O feminismo é um paradoxo histórico, um sinal claro de sociedades opulentas, decadentes, desvirilizadas, vivendo em paz e aguardando os bárbaros que as virão reduzir a cinzas e escravizar os seus gordos. É um paradoxo por quê?
É um paradoxo porque essa opulência e paz das sociedades do Ocidente se faz exportando a miséria e a guerra para os subúrbios e para as sociedades africanas, asiáticas e latino-americanas que os sustentam.
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É claro que preferia escrever outra coisa, sou feminista, acho a igualdade entre homens e mulheres uma maravilha e uma extraordinária conquista. Mas entre os meus desejos e a verdade eu escolho a verdade. 7.000.000.000 de primatas consumistas num planeta exangue, devastado, vivendo em paz de forma duradoura? Aahahahahahah!!!

sábado, 2 de abril de 2011

Alugam-se amigos gays para consolar mulheres em crise

«Compreendemos-te inclusivamente quando nem tu te compreendes» é o seu contundente slogan.

Amigo gay

Trata-se de um serviço pensado para a heroína urbana do século XXI, a mulher que com orgulho se declara moderna, liberta, «do seu tempo» e público alvo da Cosmopolitan e da Mulher Moderna. Quantas vezes uma mulher assim, na montanha russa do êxtase e vicissitudes que é a vida, não sofreu um episódio de desengano em que chegou à conclusão de que todos os homens são uns idiotas e todas as (outras) mulheres umas cadelas? Quem não sentiu a devastadora solidão que se segue a tão drástica reflexão? Nesse ermo de adversidade, onde só a tua mãe e os teus gatos parecem perdurar como pontos de apoio válidos, uma pequena parte da população, os homossexuais, flutua num invejável limbo à margem da chusma a que acudir em busca de consolo. Não tão idiota como um homem, e nem tão cadela como uma mulher, o amigo gay está aí para escutar-te, para sintonizar a sua sensibilidade feminina com a tua dor, para criticar com igual acrimónia tanto ao porco que amavas como à puta que to arrebatou, para corroborar que tu e só tu tens razão e para dar-te conselhos sobre maquilhagem ao mesmo tempo.

E quem não tem um amigo gay, agora pode alugar um em Passagem de Peões: a tua ponte com a outra banda.

Pela pechincha de 35€ a hora, Passagem de Peões cede-te um amigo gay segundo as tuas preferências —frio mas protector?, empático e sensível?—, alguém que te consola ou que chora contigo, que te resgata do poço e que te leva às compras (pagando tu, claro). Alguém que te assessora sobre moda e complementos com a sua proverbial qualidade, mas sem, apesar disso, deixar  de dizer em todo o momento que tudo te fica maravilhosamente bem. Alguém que come gelado contigo, alguém a quem pintar as unhas dos pés, alguém que te psicanalisará e fingirá compreender tos teus actos inclusivamente  quando não  correspondem nem ao mais exíguo padrão de racionalidade. Alguém a quem poderás deixar sentar-se na tua cama com total confiança e tranquilidade que meia hora depois estarás suplicando-lhe que te faça sua sem a mais ínfima esperança de êxito. A não ser que pagues um extra.

Passagem de Peões abriu escritório em Arelho de Óbidos e em breve estará presente em todo o Portugal. Menos no Minho; aí as mulheres sabem que têm razão e ponto.
original in "el jueves" la revista que sale los miércoles

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

os homens ficam menos inteligentes após falar com mulheres atraentes

infelizmente é verdade, o que dá uma terceira razão para os homens continuarem a criar gajas boas*.

no artigo "Interacting with women can impair men’s cognitive functioning" publicado no Journal of Experimental Social Psychology, lemos esta triste verdade.

o resumo:
"... mixed-sex interactions may temporarily impair cognitive
functioning. Two studies, in which participants interacted either with a same-sex or opposite-sex other,
demonstrated that men’s (
but not women’s) cognitive performance declined following a mixed-sex
encounter. In line with our theoretical reasoning, this effect occurred more strongly to the extent that
the opposite-sex other was perceived as more attractive (Study 1), and to the extent that participants
reported higher levels of impression management motivation (Study 2). Implications for the general role
of interpersonal processes in cognitive functioning, and some practical implications, are discussed."

aqui podem consultar o artigo

contudo escapou um pormenor importante aos cientistas:
não há homens pouco atraentes em Portugal, as portuguesas é que bebem menos do que deviam...

* num post anterior escrevi:
"porque insistem os Homens em construir gajas boas?
antes de mais porque são e sempre foram gozadores de focinho de porco, estão longe de ser gourmets sexuais e depois porque a asneira é livre!"

domingo, 6 de setembro de 2009

lida da casa

vou tomar café à Brasileira do Chiado.
es
tive a aspirar a casa e a lida da casa perturbou-me!
ago
ra terei de ir espancar uma mulher para recuperar a masculinidade desvanecida pelo uso da vassoura, do pano e do aspirador.
por isso pobre rabo que
se cruzar à minha frente na Brasileira!
ai ai!
dois
dias de ui ui ui ao sentar-se!

a propósito, conhecem a história do passarinho Ui Ui ?
era u
m passarinho muito lindo que cantava muito bem e voava maravilhosamente mas ao pousar em vez de cantar piava de forma aflitiva:
ui ui ui ui ui
ui…



passarinho Ui Ui fêmea






passarinho Ui Ui macho
(a parte pintalgada são os tomates)

gajas boas

acaba o Verão e lentamente, da mesma forma que se extingue a flauta do Deus Dionísio, começa a decrescer o rácio de gajas boas (GBs) por gajas normais*.
e é fácil perceber o porquê desta diminuição, basta aprofundar um pouco mais conceito de gaja boa (GB).
gaja boa é uma noção fluida (há duas horas que penso numa axiologia minimamente consistente e nem vislumbre dela). ser gaja boa é antes de mais ser reconhecida como gaja boa.
antes de mais uma GB é uma gaja que crê ser uma gaja boa, é reconhecida pelas outras gajas como uma GB e tem algum feedback masculino, a saber, é atraente, é desejada na rua e já foi capaz de seduzir alguns homens reconhecidos como atraentes [aqui já estamos em terreno pantanoso, qualquer mulher com um bom waist-hip ratio, um rosto bonito, uns seios bem feitos, etc…, consegue produzir o mesmo efeito sem ser uma GB].
fixemos então que ser uma gaja boa é apenas sentir-se uma gaja boa.
mas o que é efectivamente uma gaja boa? como é a génese da sub-espécie?
não há geração espontânea de GBs. os responsáveis são a mamã, o papá da menina e a baixa autoestima sexual dos homens portugueses (desconhecem o poder que tem um corpo de macho, um corpo bem treinado, umas mãos hábeis e uma língua destra sobre uma mulher), sempre pródigos em salamaleques perante a remota hipótese de aconchegarem o seu José Tranquilino,, entre as coxas de uma mulher (de preferência as de uma GB).
Mas como todas as mulheres sabem uma gaja boa é quase sempre uma construção temporária, resulta de horas de caros cuidados diários e de anos de treino em esconder os defeitos físicos; rugas, veias salientes, um narizes aduncos, mãos feias, pés ossudos, celulite, cintura demasiado larga, pouco rabo, varizes, cabelo estragado, cabelo branco, dedos tortos, pernas demasiado finas ou demasiado grossas, lábios demasiado finos, etc…, uma infinidade de defeitos que reduzem rapidamente uma GB a uma gaja normal após a primeira sessão de cama. a intimidade é como o algodão, nunca engana!
acrescente-se ao acto de esconder os defeitos o de sobrevalorizar os sinais sexuais exteriores e não é nenhuma surpresa que quando acabam as férias e o Deus deixa de soprar a sua flauta comece a diminuir o número de gajas boas.
desmorona-se a construção. um libertino, um gourmet sexual (GS) não dá preferência às gajas boas, pelo contrário, com saudáveis excepções, tende a evitá-las.
e porquê?
são caras?
são difíceis de seduzir?
não, pelo contrário; há gajas boas para todas as bolsas e qualquer sedutor sabe que é mais fácil seduzir uma mulher que se considera atraente do que seduzir uma que não se considera atraente.
o gourmet sexual (GS) evita as gajas boas pela simples razão que propiciam pouco prazer na intimidade, porque são quase sempre fraquíssimas amantes quando não são mesmo casos clínicos, anorgásticas ou frígidas (há vários trabalhos que mostram que as mulheres mais atraentes têm menos relações sexuais, apesar da muito maior oferta de parceiros e tiram daí menos prazer que as mulheres menos atraentes). não sei explicar o porquê deste dados estatísticos, mas diria que não há boa amante sem sensibilidade e inteligência e em geral estas duas qualidades estão muito sub-representadas na categoria GBs mas admito que posso estar errado, de todo não é esta a minha praia.
a pergunta sacramental que homens e mulheres se deviam fazer quando se cruzam em algum lugar é:
quanto prazer me pode dar este ser?
a experiência mostra-me que as gajas boas ficam quase sempre bastante mal nesta fotografia, têm libidos objectais débeis** e libidos narcísicas fortes. são uma fonte de problemas e não de deleite para o homem-espelho que escolherem.

porque insistem os Homens em construir gajas boas?


antes de mais porque são e sempre foram gozadores de focinho de porco, estão longe de ser gourmets sexuais e depois porque a asneira é livre!



* rácio vem de razão, relação entre dois conjuntos, calcula-se fazendo a divisão entre o número de elementos de um conjunto e o número de elementos do outro. se por exemplo há uma gaja boa e uma gajas normal o rácio será 0.5 (50%); se há uma gaja boa e três gajas normais o rácio será 0.25 (25%).


** "É, (…) em Sobre o Narcisismo: uma introdução, que o conceito de narcisismo é inserido no conjunto da teoria psicanalítica, (…) Freud discute a possibilidade que a libido tem de reinvestir o ego desinvestindo o objecto. (…) quanto maior o investimento no objecto, mais se dá a retirada da libido sobre o sujeito e vice-versa.


P.S.: por definição uma mulher bela não é forçosamente uma gaja boa [basta que não acredite ser uma GB e automaticamente não o é]. é aliás curioso constatar que mulheres belíssimas não se consideram gajas boas e autênticos estafermos despidos sejam gajas boas.


P.P.S: as feias que lerem este post e ficarem deliciadas, não se precipitem já. um GS evita as feias, são difíceis de levar para a cama e é impossível tirá-las de lá!






quinta-feira, 27 de agosto de 2009






sou de facto um invejoso, como um nen petit, não posso ver nada quero-o logo!

ver WHR

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O que umas fazem por (pouco) dinheiro outras não fazem por amor!

Berlim, Agosto de 1998, tinha casado há 6 meses e eram as primeiras férias que desfrutava. férias do trabalho, férias separadas para que o casamento durasse.
vi a Mihoko no pequeno almoço no hotel. gostei imediatamente do seu jeito tradicional de ser japonesa, nada daqueles cabelos ocidentalizados e daquelas poses ridículas a imitar trejeitos na moda. sentei-me na sua mesa e fiz conversa de circunstância, nome, trabalho, ah és professora da primária, ah ensinas os meninos alemães a construir casas japonesas, ah aprendes a construir casas alemãs, ah és das montanhas do norte do Japão. mas para conhecer uma mulher rapidamente só há uma forma, possui-la. queres jantar hoje na cidade Mihoko?, conheço um restaurante na Unter den linden que faz uns hambúrgueres alemães muito bons. ela aceitou com aquela aquiescência estranha das japonesas…
mas, surpresa!; à hora combinada aparece com duas jovens japonesas, a filha do embaixador do Japão em Berlim, uma nobre, teenager de 18 anos sem interesse nenhum e a sua escrava pessoal ainda menos interessante. ai Mihoko que estás fodida!
o jantar correu mesmo mal e o meu desconforto devia ser evidente, aquela mania irritante das japonesas responderem com um humhum, meio grunhido, a cada frase que dizia, a criada que bebeu um álcool qualquer que nos ofereceram e me queria meter a língua nos ouvidos; um desastre! és japonesa Mihoko, como vais pedir-me desculpa? afinal tu perdeste a honra, tu sabes como uma mulher pode e deve pedir desculpas, Mihoko, eu também sei, sei-o desde esta manhã!
no dia seguinte de manhã tinha duas surpresas na recepção do hotel: um presente da nobre, um pacote de cigarrilhas japonês e um bilhete da Mihoko a pedir-me para voltarmos a jantar.
depois do jantar pactuado, sem rodeios, levei-a rapidamente para um pátio nas traseiras do restaurante e possuí-a no banco de trás do meu carro, um Fiat Marea espaçoso, uma delícia, todo um mundo novo, desde as cuecas estranhas (de facto eram apenas um pano largo, como os que usam os lutadores de sumo e que se prende com um alfinete) até àquela curiosa forma infantil de gemer. obrigado Mihoko estás mais do que perdoada, hei-de morrer sem nunca te esquecer. mas tu tens uma grande surpresa para mim, mostra-ma!
fomos até ao hotel e parámos no parque de estacionamento, 2 horas da madrugada, calor e silêncio ao nosso redor. despedimos-nos aqui bela menina?, a minha mulher vem visitar-me amanhã, só por milagre voltaremos a beijar-nos. agora faz-me um broche Mihoko.
estava cansado e o corpo já saciado não correspondia no seu melhor e ela perguntou-me:
- Tu gostas mesmo disto?
-Sim! e era sincero estava apenas cansado.
há muitos anos que não me vinha na boca de uma mulher (demasiadas más experiências com portuguesas recalcadas) mas tu és japonesa, como reagirás? abres a janela de repente e cospes fora em aflição? engoles? vomitas? sujas-me as calças?
vim-me na tua boca e agora?
Mihoko sentou-se direita no banco do passageiro, olhos semicerrados, quieta.
esperou que eu recuperasse e quando me inclinei para lhe beijar a boca, um beijo ritual, uma forma de dizer que o sémen é natural e bom, no beijo ela devolveu-me o meu sémen!
o gosto não era mau, pelo contrário!, mas fiz o que já tinha visto fazer tantas vezes, abria porta e cuspi.
perguntei-lhe:
-Isto é tradicional no Japão?
respondeu sem pensar, com naturalidade:
- É teu, és tu que fazes dele o que quiseres…
durante muitos anos recebi pelo Natal algum presente feito pelos alunos da Mihoko, algures numa aldeia das montanhas no norte do Japão crianças japonesas, por respeito à sua professora, faziam para me oferecer, pássaros de papel, leques de madeira, origamis… que por vergonha e respeito escondia da minha mulher.
depois a crueldade do tempo separou-nos para sempre mas na minha memória, enquanto eu for, tu e o teu broche serão eternos, Mihoko.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ou há vontade de foder ou está tudo fodido

Aos 18 anos mudei de curso da Covilhã para Coimbra e colocaram-me numa Residência Universitária, a Residência João Jacinto. Partilhava quarto com um colega muito bonito, 1m80, 27 anos, pintor, libertino, órfão de pai que todos os dias desde criança fazia o almoço à mãe e lho levava à fábrica onde ela trabalhava (era um cozinheiro como nunca vi, um génio na cozinha). Raramente dormia no quarto, havia sempre uma Maria que o queria na casa dela (casou com uma médica feia como o diabo dois anos mais tarde); penso que ainda estão casados passados 24 anos (engordou e é engenheiro), Chico é o seu nome, gostava de mulheres pequenas e magras.

Voltando à primavera de 1987, eu 19 anos, apaixono-me que nem um perdido pela beldade do curso (belíssima, loira, 1m80, inteligente, rica - andava de BMW, pintora e doida varrida).
No quarto, altas horas da noite, o Chico tenta dormir e, de candeeiro aceso, escrevo poemas de amor. Às tantas ele perde a paciência, soergue-se da cama apoiando-se no cotovelo e diz:
- O que caralho estás tu a fazer?
-Estou a escrever.
- A escrever o quê?
- Poemas...
Ele põe um sorriso trocista e diz:
- Estás apaixonado!
- Pois...
- Deixa-te de escritas, vai lá e diz-lhe que gostas dela!
- Mas... ela é muito bonita tem montes de dinheiro.
- Isso não interessa nada, o que interessa é haver vontade de foder!
Eu pensei:  "foda-se, vá-se lá ver este cabrão, é claro, todas o querem comer mas a mim não, magro, quase imberbe, pobre e sujo, isto é que é um conselho de merda, ir lá e dizer-lhe, como dizer e dizer o quê"?
E ele acrescenta:
- Ou há vontade de foder ou está tudo fodido, apaga a luz e vai dormir, deixa lá os poemas.

Esta conversa acompanhou-me toda a vida, uns anos mais tarde tentei seduzir mulheres que não me desejavam, deixei-me seduzir por mulheres que não desejava e por aí fora. percebi que o desejo se pode inventar, que se pode fazer alguém desejar-nos pela sedução; que o amor é uma grande armadilha para o desejo das mulheres, depois de se apaixonarem começam a desejar o homem que antes não lhes deixava rasto de molhado, etc... erros crassos! sempre erros crassos!

Os corpos só conhecem a sua verdade e a sua linguagem é química e subliminar, é a linguagem pura, natural, antiga, admirável, verdadeira e bestial do desejo.
Pode-se chegar a amar intensamente alguém que não desejámos mas, o Chico tinha razão:
"Ou há vontade de foder ou está tudo fodido".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Kama Sutra

Quem chega aos 30 anos sem ter lido o Kama Sutra de Vatsyayana não merece o pão que come!
Mas aqui a coisa complica-se; em geral nas livrarias o que há é textos, ao gosto do público, e vagamente inspirados no Kama Sutra de Vatsyayana.
Para começar o Kama Sutra é um livro de sutras sagrados sobre o Kama (http://en.wikipedia.org/wiki/Kama) por isso não esperem posições sexuais ou imagens de moçoilas de perna aberta. O Kama Sutra não tem imagens nem posições sexuais (*)!, se o vosso tinha dessas maxmanzices/mulhermodernices, lixo com ele!
Por puro deleite intelectual aqui ficam algumas passagens que me surpreendem, incomodam, comovem ou deliciam, começo pela introdução.


INTRODUÇÃO:
Na literatura de todos os países encontrar-se-ão um certo número de obras que versam especialmente sobre o amor. Em todas elas, este tema é analisado de maneira diferente e de diversos pontos de Vista. A presente obra tem como propósito dar uma tradução completa daquela que é considerada a obra-padrão sobre o amor na literatura sanscrítica e que tem por título Vatsyayana Kama Sutra, ou Aforismos sobre o Amor, de Vatsyayana.
A introdução apresentará os dados relativos à data em que a obra foi escrita e incluirá os comentários que lhe dizem respeito; os capítulos seguintes incluirão uma tradução da própria obra. Toma-se, contudo, conveniente fazer aqui uma breve análise de outras obras do mesmo género, compostas por autores que viveram e escreveram anos depois do desaparecimento de Vatsyayana, mas que o consideravam ainda a grande autoridade e sempre o citaram como o principal guia para a literatura erótica hindu.
Além do tratado de Vatsyayana, são as seguintes as obras sobre o mesmo tema que ainda se podem encontrar actualmente na Índia:
Ratirahasya, ou Segredos do Amor;
Panchasakya, ou As Cinco Setas;
Smara Pradipa, ou A luz, do Amor;
Ratimanjari, ou A Grinâldado Amor:
Rasnanjari; ou o Rebento do Amor;
Anulga Runga, ou o Palco do Amor, também chamada Kamaledhiplava, ou Um Barco no Oceano do Amor.

NÃO SE DEVERÃO DESFRUTAR AS SEGUINTES MULHERES:
As leprosas;
As dementes;
As mulheres que foram expulsas da sua casta;
As mulheres que revelam segredos;
As mulheres que expressam publicamente desejo de ter relações sexuais;
As mulheres extremamente brancas;
As mulheres extremamente escuras;
As mulheres que cheiram mal;
As mulheres que sejam parentes próximas;
As mulheres com quem se tenham laços de amizade;
As mulheres que vivam asceticamente;
Finalmente, as esposas de um parente, de um amigo, de um brâmane erudito ou do rei.

Os discípulos de Babhravya dizem que toda a mulher que tenha sido gozada por cinco homens pode ser justa e adequadamente desfrutada por outros. Todavia, Gonikaputra é de opinião que, mesmo neste caso, deverão exceptuar-se as mulheres de um parente, de um brâmane erudito ou de um rei.


DO MODO DE INICIAR E ACABAR A UNIÃO SEXUAL.
DIFERENTES TIPOS DE UNIÃO SEXUAL
E DE DISPUTAS AMOROSAS
Na sala do prazer, decorada com flores e aromatizada com fragrâncias, o cidadão, na companhia dos seus amigos e criados, receberá a mulher, que se apresentará adequadamente vestida e ainda fresca do banho, e convidá-la-á a descansar e a beber livremente. Fá-la-á sentar-se à sua esquerda e, tomando-lhe os cabelos e tocando-lhe também a extremidade e o laço do vestido, abraçá-la-á delicadamente com o braço direito. Ambos entabularão seguidamente uma conversa agradável sobre vários tópicos, podendo também conversar dissimuladamente acerca de coisas consideradas grosseiras ou que não deveriam, em princípio, ser mencionadas em sociedade. Poderão ainda cantar, com ou sem gestos, tocar instrumentos musicais, conversar sobre as artes e instigar-se mutuamente a beber. Finalmente, quando a mulher já não puder reter por mais tempo o seu amor e o seu desejo, o cidadão despedirá as pessoas que possam estar com ele, dando-lhes flores, unguentos e folhas de bétel; então, quando os dois ficarem sós; deverão proceder conforme o exposto nos capítulos precedentes.
Tal é o começo da união sexual. No fim da união, os amantes, com pudor e sem olharem um para o outro, deverão ir separadamente à sala de banho. Seguidamente, sentados nos lugares que ocupavam, deverão comer algumas folhas de bétel, e o cidadão, com a sua própria mão, aplicará no corpo da mulher um unguento puro de sândalo onde qualquer outra espécie. Ele enlaçá-la-á então com abraço esquerdo e, com palavras agradáveis, deve dar-lhe de beber de uma taça que segura na sua própria mão; ou poderá oferecer-lhe simplesmente água. Poderão depois comer doçarias ou qualquer outra coisa, de acordo com os seus gostos e beber sumos frescos, sopa, tisana, extractos de carne, sorvetes, sumo de manga, sumo de cidra açucarado ou qualquer coisa que seja apreciada nas diferentes regiões e conhecida por ser doce, agradável e pura. Os amantes podem também sentar-se no terraço do palácio ou da casa e apreciar o luar, entabulando uma conversa agradável. Nesta altura, enquanto a mulher se reclina no seu colo, com o rosto , virado para a Lua, o cidadão deve mostrar-lhe os diferentes planetas, a estrela de alva, a Estrela Polar e as sete Rishis, ou Ursa Maior.
Assim termina a união sexual.

São os seguintes os tipos de união sexual:
União de amor;
União de amor subsequente;
União de amor artificial;
União de amor transferido;
União à semelhança dos eunucos;
União enganosa;
União de amor espontâneo,

Quando um homem e uma mulher que se amam há algum tempo conseguem estar juntos, apesar de grandes dificuldades, ou quando um deles regressa de uma viagem, ou se reconciliam depois de uma desavença, então a união chama-se a união de amor. Os dois amantes praticam-na segundo os ditames da fantasia e durante o tempo que lhes aprouver.
Quando duas pessoas se unem enquanto o seu amor está ainda na infância, a esta união dá-se o nome de união de amor subsequente.
Quando O homem se entrega ao acto sexual excitando-se por meio das sessenta e quatro formas possíveis, como o beijo; etc., ou quando um homem e uma mulher praticam o acto carnal, conquanto na realidade estejam vinculados a pessoas diferentes, dá-se a união de amor artificial. Devem utilizar-se neste caso todos os procedimentos e meios mencionados na Kama Sutra.
Quando o homem, do principio ao fim da união carnal com uma mulher, não deixe de pensar que está gozando uma outra a quem realmente ama chama-se união de amor transferido.
A união sexual entre um homem e uma aguadeira ou uma criada de casta inferior à sua que dure até à satisfação do desejo denomina-se união à semelhança dos eunucos. Não deverão empregar-se nestas circunstâncias as carícias, os beijos e a manipulação.
A união sexual entre uma cortesã e um camponês, ou entre cidadãos e mulheres das aldeias ou de regiões limítrofes, dá-se o nome de união enganosa.
Ao acto sexual praticado por duas pessoas que se sentem mutuamente atraídas e de acordo com os seus próprios gostos chama-se união espontânea.
Assim terminam os tipos de união sexual.

Falemos agora das disputas de amor.
A mulher que ame apaixonadamente um homem não suporta que pronunciem na sua presença o nome da rival, que tenham uma conversa a seu respeito, ou ainda chamem pelo nome daquela. Se tal acontece, desencadeia-se uma grande desavença; a mulher solta gritos, encoleriza-se, desgrenha-se, bate no amante, deixa-se cair da cama ou do assento e, lançando por terra as suas grinaldas e ornamentos, jorra-se ao chão.
Nesta altura, o amante tentará aplacá-la com palavras conciliatórias, levantá-la com delicadeza e pô-la na cama. Mas ela, ignorando as perguntas dele e dominada por uma ira crescente, curvar-lhe-á a cabeça, puxando-lhe o cabelo, e, depois de lhe ter dado pontapés repetidos nos braços, na cabeça, no peito ou nas costas, dirigir-se-á para a porta do aposento. Dattaka afirma que ela deve então sentar-se com ar colérico junto da porta e derramar lágrimas; não deverá, porém, sair para não prevaricar ela própria. Algum tempo depois, quando considerar que o amante mais não pode dizer ou fazer para a conciliar, deve então abraçá-lo, falando-lhe com palavras severas e recriminatórias; mas, deixando ao mesmo tempo transparecer um vivo desejo de ter relações sexuais com, ele.
Quando a mulher se encontra na sua própria casa e discutiu com o amante, deverá procurá-lo, mostrar-lhe toda a sua cólera e deixá-lo. Depois de o cidadão haver enviado o Vita, o Vidushaka ou o Pithamarda para a apaziguar, ela deverá acompanhá-los de volta a casa e passar a noite com o ,amante.
Assim terminam as querelas de amor.

DA CONFIANÇA A INSPIRAR À JOVEM:
Durante os primeiros três dias a seguir ao casamento, marido e mulher devem dormir no chão, abster-se de prazeres sexuais e comer os seus alimentos sem os temperar, seja com álcali, seja com sal. Durante os sete dias seguintes, devem banhar-se ao som harmonioso de instrumentos musicais, adornar-se, jantar juntos e dar atenção aos seus parentes, bem como àquelas pessoas que tenham vindo assistir ao casamento. Estes conselhos destinam-se às pessoas de todas as castas. Na noite do décimo dia, o homem deve começar a falar à jovem esposa com palavras meigas, num local solitário, procurando assim inspirar-lhe confiança. Alguns autores opinam que, para a conquistar, não deve falar-lhe durante três dias, mas os discípulos de Babhravya são de opinião que, se o homem não lhe dirigir a palavra durante esse tempo, a jovem poderá sentir-se desanimada ao vê-lo inerte como uma estátua e que, desiludida, poderá desprezá-lo como a um eunuco. Vatsyayana afirma que o homem deve começar por conquistá-la e inspirar-lhe confiança, abstendo-se no entanto, a princípio, dos prazeres sexuais. As mulheres,precisamente porque são de natureza tema, precisam de prelúdios ternos; por outro lado, quando são violentadas por homens com quem ainda não se sentem muito familiarizadas, começarão a odiar subitamente as relações sexuais e por vezes mesmo o sexo masculino. O homem deverá, por conseguinte, abordar a jovem segundo as preferências dela e adoptar os procedimentos que lhe possibilitem insinuar-se cada vez mais na sua confiança. São os seguintes esses procedimentos:
Deve começar por abraçá-la da forma que ela prefira, já que isso não dura muito tempo.
Deve abraçá-la com a parte superior do corpo, porque isso é mais fácil e natural. Se a jovem já atingiu a maturidade, ou se o homem a conhece há algum tempo, pode abraçá-la à luz de um candeeiro; contudo, se não se sente muito à vontade com ela, ou se ela é muito jovem, deve então abraçá-la às escuras.
Quando a rapariga aceitar o abraço, o homem deve meter-lhe na boca uma tambula, ou uma porção de nozes e folhas de bétel; se ela o recusar, deve convencê-la a fazê-lo com palavras conciliadoras, súplicas e juramentos; finalmente deve ajoelhar-se a seus pés, já que constitui regra universal o facto de uma mulher, por mais acanhada ou zangada que possa estar, nunca deixar de ar atenção ao homem que ajoelhe a seus pés. No momento em que e esta tambula, ele deve beijar-lhe a boca terna e delicadamente, sem emitir nenhum som. Quando ela se mostrar dócil aos seus beijos, ele deve induzi-la a falar; para tanto, deve fazer-lhe perguntas sobre coisas a respeito das quais ele não saiba ou finja não saber nada e que exijam uma resposta lacónica. Se ela se conservar muda, não deve assustá-la; deve, sim, perguntar-lhe a mesma coisa muitas vezes e em tom conciliador. Se ela persistir no seu mutismo, ele deve pedir-lhe insistentemente que lhe responda, porque, como diz Ghotakamukha, «as raparigas ouvem tudo o que os homens lhes dizem, embora eles próprios não digam por vezes uma única palavra». Instigada deste modo, a jovem deve responder com acenos de cabeça; porém, se se tiver alterado com o homem, não deve sequer fazer isso. Quando o homem lhe perguntar se ela o deseja e se gosta dele, ela deve conservar-se silenciosa durante muito tempo; finalmente, instigada a responder, deverá fazê-lo favoravelmente com um aceno de cabeça. Se o homem conhecer a jovem desde antes do casamento, deve conversar com ela por intermédio de uma amiga que se lhe mostre favorável e, sendo da confiança de ambos, mantenha urna conversa entre eles. Nessas ocasiões, a rapariga deve sorrir com a cabeça baixa e, caso a amiga disser mais pela sua parte do que ela desejava que dissesse, deve censurá-la e discutir com ela. A amiga deve dizer, por brincadeira, mesmo o que a rapariga não deseja que ela diga e acrescentar: «Ela disse isso!»; ao que a rapariga replicará em tom precipitado mas cativante: «Oh, não! Eu não disse isso»; e deve então sorrir e lançar uma olhadela ocasional na direcção do homem.
Se a jovem conhecer bem o homem, deve colocar perto dele, sem nada dizer, a tambula, o unguento ou a grinalda que ele possa ter pedido, ou poderá prendê-los à parte superior das suas vestes.
O homem deve, entretanto, tocar os jovens seios da esposa, fazendo sobre eles pressão com as unhas, e, se ela o impedir, deve dizer-lhe: «Não volto a fazê-lo se me abraçares», levando-a deste modo a abraçá-lo. Enquanto ela o abraça, ele deve passar-lhe repetidamente a mão por todo o corpo. Então, suavemente, deve sentá-la no colo e tentar cada vez mais obter o seu consentimento; se ela se lhe entregar, deve assustá-la com as seguintes palavras: «Imprimirei marcas dos meus dentes e unhas nos teus lábios e seios e farei marcas idênticas no meu próprio corpo; direi os meus amigos que foste tu que as fizeste. Que dirás então?» Desta ou de outra maneira, tal como o medo e a confiança se infundem no espírito das crianças, deve o homem submetê-la aos seus desejos.
Na segunda e na terceira noite, depois de a confiança dela ter aumentado ainda mais, ele deve afagar-lhe todo o corpo com as mãos e beijá-la por toda a parte; deve também pôr as mãos sobre as coxas dela e massajá-las e, se for bem sucedido, deve então massajar-lhe a junção das coxas. Se ela tentar impedi-lo, deve indagar-lhe: «Que mal há nisso?», e persuadi-la a deixá-lo continuar. Depois de conseguir este objectivo, ele deve tocar-lhe as partes íntimas, desapertar-lhe o cinto e o laço do vestido e, levantando as suas roupas de baixo, afagar-lhe as junções das coxas desnudadas.
O homem deve fazer todas estas coisas sobre pretextos, mas não deve nessa altura iniciar a união sexual propriamente dita. Deve, a partir desse momento, ensinar-lhe as sessenta e quatro artes, dizer-lhe quanto a ama e descrever-lhe as esperanças que anteriormente alimentava em relação a ela. Deve também prometer-lhe ser fiel no futuro e dissipar todos os seus receios com respeito a mulheres rivais; por fim, depois de ter vencido a sua timidez, deve começar a gozá-la de maneira que não a amedronte. Tal é a forma de inspirar confiança a uma rapariga. Existem, além disso, alguns versículos sobre este tema, que transcrevemos:
«O homem que proceda de acordo com as inclinações da jovem deve procurar conquistá-la para que ela possa amá-lo e depositar nele a sua confiança. O homem não é bem sucedido nem seguindo cegamente a inclinação da jovem, nem opondo-se-lhe completamente; deve, por conseguinte, adoptar um meio-termo. Aquele que sabe fazer-se amar pelas mulheres, assim como contribuir para a sua dignidade e criar confiança nelas, tem assegurado o seu amor. Porém, aquele que não devota a sua atenção à jovem, pensando que ela é demasiado tímida, é desprezado por ela por não compreender o espírito feminino. Além disso, a jovem desfrutada à força por um homem que não compreenda os corações femininos toma-se nervosa, inquieta e abatida e, repentinamente, começa a detestar o homem que se aproveitou dela. Então, como o seu amor não é compreendido nem retribuído, ela desespera e abomina o sexo masculino em geral ou, odiando o seu próprio homem, recorre a outros homens.»

VATSYAYANA
E agora algumas palavras a respeito do autor desta obra, o bom e velho sábio Vatsyayana. Muito há a lamentar que a sua vida se mantenha envolta em completo mistério. No fim da parte VII, ele próprio declara que compôs a obra quando levava a vida de estudante religioso (provavelmente em Benares), inteiramente entregue à contemplação da divindade. Já deveria; portanto, ter atingido uma certa idade por essa altura, uma vez que ao longo de toda a obra ele coloca à nossa disposição os frutos da sua experiência, as suas opiniões, as quais trazem consigo mais um cunho de maturidade do que de juventude. Na verdade, é muito pouco provável que a obra tenha sido escrita por um jovem.
Num belo versículo dos Vedas dos cristãos fala-se dos defuntos, que repousam em paz e cujas obras os julguem. Na realidade, assim é; as obras dos homens de génio seguem-nos e permanecem como um tesouro perene e, embora possa haver controvérsias e discussões acerca da imortalidade do corpo ou da alma, ninguém poderá negar a imortalidade do génio, que permanece como uma brilhante estrela orientadora para a esforçada humanidade de épocas posteriores. Esta obra, que resistiu à provação dos séculos, colocou Vatsyayana entre os imortais e não poderá escrever-se melhor elegia ou elogio sobre Isto e sobre Ele do que os seguintes versos:

“Enquanto os lábios puderem beijar e os olhos ver,
Assim viverá Isto e Isto dar-te-á vida.”

Kama Sutra

Quem chega aos 30 anos sem ter lido o Kama Sutra de Vatsyayana não merece o pão que come!
Mas aqui a coisa complica-se; em geral nas livrarias o que há é textos, ao gosto do público, e vagamente inspirados no Kama Sutra de Vatsyayana.
Para começar o Kama Sutra é um livro de sutras sagrados sobre o Kama (http://en.wikipedia.org/wiki/Kama) por isso não esperem posições sexuais ou imagens de moçoilas de perna aberta. O Kama Sutra não tem imagens nem posições sexuais (*)!, se o vosso tinha dessas maxmanzices/mulhermodernices, lixo com ele!
Por puro deleite intelectual aqui ficam algumas passagens que me surpreendem, incomodam, comovem ou deliciam, começo pela introdução.


INTRODUÇÃO:
Na literatura de todos os países encontrar-se-ão um certo número de obras que versam especialmente sobre o amor. Em todas elas, este tema é analisado de maneira diferente e de diversos pontos de Vista. A presente obra tem como propósito dar uma tradução completa daquela que é considerada a obra-padrão sobre o amor na literatura sanscrítica e que tem por título Vatsyayana Kama Sutra, ou Aforismos sobre o Amor, de Vatsyayana.
A introdução apresentará os dados relativos à data em que a obra foi escrita e incluirá os comentários que lhe dizem respeito; os capítulos seguintes incluirão uma tradução da própria obra. Toma-se, contudo, conveniente fazer aqui uma breve análise de outras obras do mesmo género, compostas por autores que viveram e escreveram anos depois do desaparecimento de Vatsyayana, mas que o consideravam ainda a grande autoridade e sempre o citaram como o principal guia para a literatura erótica hindu.
Além do tratado de Vatsyayana, são as seguintes as obras sobre o mesmo tema que ainda se podem encontrar actualmente na Índia:
Ratirahasya, ou Segredos do Amor;
Panchasakya, ou As Cinco Setas;
Smara Pradipa, ou A luz, do Amor;
Ratimanjari, ou A Grinâldado Amor:
Rasnanjari; ou o Rebento do Amor;
Anulga Runga, ou o Palco do Amor, também chamada Kamaledhiplava, ou Um Barco no Oceano do Amor.

NÃO SE DEVERÃO DESFRUTAR AS SEGUINTES MULHERES:
As leprosas;
As dementes;
As mulheres que foram expulsas da sua casta;
As mulheres que revelam segredos;
As mulheres que expressam publicamente desejo de ter relações sexuais;
As mulheres extremamente brancas;
As mulheres extremamente escuras;
As mulheres que cheiram mal;
As mulheres que sejam parentes próximas;
As mulheres com quem se tenham laços de amizade;
As mulheres que vivam asceticamente;
Finalmente, as esposas de um parente, de um amigo, de um brâmane erudito ou do rei.

Os discípulos de Babhravya dizem que toda a mulher que tenha sido gozada por cinco homens pode ser justa e adequadamente desfrutada por outros. Todavia, Gonikaputra é de opinião que, mesmo neste caso, deverão exceptuar-se as mulheres de um parente, de um brâmane erudito ou de um rei.


DO MODO DE INICIAR E ACABAR A UNIÃO SEXUAL.
DIFERENTES TIPOS DE UNIÃO SEXUAL
E DE DISPUTAS AMOROSAS
Na sala do prazer, decorada com flores e aromatizada com fragrâncias, o cidadão, na companhia dos seus amigos e criados, receberá a mulher, que se apresentará adequadamente vestida e ainda fresca do banho, e convidá-la-á a descansar e a beber livremente. Fá-la-á sentar-se à sua esquerda e, tomando-lhe os cabelos e tocando-lhe também a extremidade e o laço do vestido, abraçá-la-á delicadamente com o braço direito. Ambos entabularão seguidamente uma conversa agradável sobre vários tópicos, podendo também conversar dissimuladamente acerca de coisas consideradas grosseiras ou que não deveriam, em princípio, ser mencionadas em sociedade. Poderão ainda cantar, com ou sem gestos, tocar instrumentos musicais, conversar sobre as artes e instigar-se mutuamente a beber. Finalmente, quando a mulher já não puder reter por mais tempo o seu amor e o seu desejo, o cidadão despedirá as pessoas que possam estar com ele, dando-lhes flores, unguentos e folhas de bétel; então, quando os dois ficarem sós; deverão proceder conforme o exposto nos capítulos precedentes.
Tal é o começo da união sexual. No fim da união, os amantes, com pudor e sem olharem um para o outro, deverão ir separadamente à sala de banho. Seguidamente, sentados nos lugares que ocupavam, deverão comer algumas folhas de bétel, e o cidadão, com a sua própria mão, aplicará no corpo da mulher um unguento puro de sândalo onde qualquer outra espécie. Ele enlaçá-la-á então com abraço esquerdo e, com palavras agradáveis, deve dar-lhe de beber de uma taça que segura na sua própria mão; ou poderá oferecer-lhe simplesmente água. Poderão depois comer doçarias ou qualquer outra coisa, de acordo com os seus gostos e beber sumos frescos, sopa, tisana, extractos de carne, sorvetes, sumo de manga, sumo de cidra açucarado ou qualquer coisa que seja apreciada nas diferentes regiões e conhecida por ser doce, agradável e pura. Os amantes podem também sentar-se no terraço do palácio ou da casa e apreciar o luar, entabulando uma conversa agradável. Nesta altura, enquanto a mulher se reclina no seu colo, com o rosto , virado para a Lua, o cidadão deve mostrar-lhe os diferentes planetas, a estrela de alva, a Estrela Polar e as sete Rishis, ou Ursa Maior.
Assim termina a união sexual.

São os seguintes os tipos de união sexual:
União de amor;
União de amor subsequente;
União de amor artificial;
União de amor transferido;
União à semelhança dos eunucos;
União enganosa;
União de amor espontâneo,

Quando um homem e uma mulher que se amam há algum tempo conseguem estar juntos, apesar de grandes dificuldades, ou quando um deles regressa de uma viagem, ou se reconciliam depois de uma desavença, então a união chama-se a união de amor. Os dois amantes praticam-na segundo os ditames da fantasia e durante o tempo que lhes aprouver.
Quando duas pessoas se unem enquanto o seu amor está ainda na infância, a esta união dá-se o nome de união de amor subsequente.
Quando O homem se entrega ao acto sexual excitando-se por meio das sessenta e quatro formas possíveis, como o beijo; etc., ou quando um homem e uma mulher praticam o acto carnal, conquanto na realidade estejam vinculados a pessoas diferentes, dá-se a união de amor artificial. Devem utilizar-se neste caso todos os procedimentos e meios mencionados na Kama Sutra.
Quando o homem, do principio ao fim da união carnal com uma mulher, não deixe de pensar que está gozando uma outra a quem realmente ama chama-se união de amor transferido.
A união sexual entre um homem e uma aguadeira ou uma criada de casta inferior à sua que dure até à satisfação do desejo denomina-se união à semelhança dos eunucos. Não deverão empregar-se nestas circunstâncias as carícias, os beijos e a manipulação.
A união sexual entre uma cortesã e um camponês, ou entre cidadãos e mulheres das aldeias ou de regiões limítrofes, dá-se o nome de união enganosa.
Ao acto sexual praticado por duas pessoas que se sentem mutuamente atraídas e de acordo com os seus próprios gostos chama-se união espontânea.
Assim terminam os tipos de união sexual.

Falemos agora das disputas de amor.
A mulher que ame apaixonadamente um homem não suporta que pronunciem na sua presença o nome da rival, que tenham uma conversa a seu respeito, ou ainda chamem pelo nome daquela. Se tal acontece, desencadeia-se uma grande desavença; a mulher solta gritos, encoleriza-se, desgrenha-se, bate no amante, deixa-se cair da cama ou do assento e, lançando por terra as suas grinaldas e ornamentos, jorra-se ao chão.
Nesta altura, o amante tentará aplacá-la com palavras conciliatórias, levantá-la com delicadeza e pô-la na cama. Mas ela, ignorando as perguntas dele e dominada por uma ira crescente, curvar-lhe-á a cabeça, puxando-lhe o cabelo, e, depois de lhe ter dado pontapés repetidos nos braços, na cabeça, no peito ou nas costas, dirigir-se-á para a porta do aposento. Dattaka afirma que ela deve então sentar-se com ar colérico junto da porta e derramar lágrimas; não deverá, porém, sair para não prevaricar ela própria. Algum tempo depois, quando considerar que o amante mais não pode dizer ou fazer para a conciliar, deve então abraçá-lo, falando-lhe com palavras severas e recriminatórias; mas, deixando ao mesmo tempo transparecer um vivo desejo de ter relações sexuais com, ele.
Quando a mulher se encontra na sua própria casa e discutiu com o amante, deverá procurá-lo, mostrar-lhe toda a sua cólera e deixá-lo. Depois de o cidadão haver enviado o Vita, o Vidushaka ou o Pithamarda para a apaziguar, ela deverá acompanhá-los de volta a casa e passar a noite com o ,amante.
Assim terminam as querelas de amor.

DA CONFIANÇA A INSPIRAR À JOVEM:
Durante os primeiros três dias a seguir ao casamento, marido e mulher devem dormir no chão, abster-se de prazeres sexuais e comer os seus alimentos sem os temperar, seja com álcali, seja com sal. Durante os sete dias seguintes, devem banhar-se ao som harmonioso de instrumentos musicais, adornar-se, jantar juntos e dar atenção aos seus parentes, bem como àquelas pessoas que tenham vindo assistir ao casamento. Estes conselhos destinam-se às pessoas de todas as castas. Na noite do décimo dia, o homem deve começar a falar à jovem esposa com palavras meigas, num local solitário, procurando assim inspirar-lhe confiança. Alguns autores opinam que, para a conquistar, não deve falar-lhe durante três dias, mas os discípulos de Babhravya são de opinião que, se o homem não lhe dirigir a palavra durante esse tempo, a jovem poderá sentir-se desanimada ao vê-lo inerte como uma estátua e que, desiludida, poderá desprezá-lo como a um eunuco. Vatsyayana afirma que o homem deve começar por conquistá-la e inspirar-lhe confiança, abstendo-se no entanto, a princípio, dos prazeres sexuais. As mulheres,precisamente porque são de natureza tema, precisam de prelúdios ternos; por outro lado, quando são violentadas por homens com quem ainda não se sentem muito familiarizadas, começarão a odiar subitamente as relações sexuais e por vezes mesmo o sexo masculino. O homem deverá, por conseguinte, abordar a jovem segundo as preferências dela e adoptar os procedimentos que lhe possibilitem insinuar-se cada vez mais na sua confiança. São os seguintes esses procedimentos:
Deve começar por abraçá-la da forma que ela prefira, já que isso não dura muito tempo.
Deve abraçá-la com a parte superior do corpo, porque isso é mais fácil e natural. Se a jovem já atingiu a maturidade, ou se o homem a conhece há algum tempo, pode abraçá-la à luz de um candeeiro; contudo, se não se sente muito à vontade com ela, ou se ela é muito jovem, deve então abraçá-la às escuras.
Quando a rapariga aceitar o abraço, o homem deve meter-lhe na boca uma tambula, ou uma porção de nozes e folhas de bétel; se ela o recusar, deve convencê-la a fazê-lo com palavras conciliadoras, súplicas e juramentos; finalmente deve ajoelhar-se a seus pés, já que constitui regra universal o facto de uma mulher, por mais acanhada ou zangada que possa estar, nunca deixar de ar atenção ao homem que ajoelhe a seus pés. No momento em que e esta tambula, ele deve beijar-lhe a boca terna e delicadamente, sem emitir nenhum som. Quando ela se mostrar dócil aos seus beijos, ele deve induzi-la a falar; para tanto, deve fazer-lhe perguntas sobre coisas a respeito das quais ele não saiba ou finja não saber nada e que exijam uma resposta lacónica. Se ela se conservar muda, não deve assustá-la; deve, sim, perguntar-lhe a mesma coisa muitas vezes e em tom conciliador. Se ela persistir no seu mutismo, ele deve pedir-lhe insistentemente que lhe responda, porque, como diz Ghotakamukha, «as raparigas ouvem tudo o que os homens lhes dizem, embora eles próprios não digam por vezes uma única palavra». Instigada deste modo, a jovem deve responder com acenos de cabeça; porém, se se tiver alterado com o homem, não deve sequer fazer isso. Quando o homem lhe perguntar se ela o deseja e se gosta dele, ela deve conservar-se silenciosa durante muito tempo; finalmente, instigada a responder, deverá fazê-lo favoravelmente com um aceno de cabeça. Se o homem conhecer a jovem desde antes do casamento, deve conversar com ela por intermédio de uma amiga que se lhe mostre favorável e, sendo da confiança de ambos, mantenha urna conversa entre eles. Nessas ocasiões, a rapariga deve sorrir com a cabeça baixa e, caso a amiga disser mais pela sua parte do que ela desejava que dissesse, deve censurá-la e discutir com ela. A amiga deve dizer, por brincadeira, mesmo o que a rapariga não deseja que ela diga e acrescentar: «Ela disse isso!»; ao que a rapariga replicará em tom precipitado mas cativante: «Oh, não! Eu não disse isso»; e deve então sorrir e lançar uma olhadela ocasional na direcção do homem.
Se a jovem conhecer bem o homem, deve colocar perto dele, sem nada dizer, a tambula, o unguento ou a grinalda que ele possa ter pedido, ou poderá prendê-los à parte superior das suas vestes.
O homem deve, entretanto, tocar os jovens seios da esposa, fazendo sobre eles pressão com as unhas, e, se ela o impedir, deve dizer-lhe: «Não volto a fazê-lo se me abraçares», levando-a deste modo a abraçá-lo. Enquanto ela o abraça, ele deve passar-lhe repetidamente a mão por todo o corpo. Então, suavemente, deve sentá-la no colo e tentar cada vez mais obter o seu consentimento; se ela se lhe entregar, deve assustá-la com as seguintes palavras: «Imprimirei marcas dos meus dentes e unhas nos teus lábios e seios e farei marcas idênticas no meu próprio corpo; direi os meus amigos que foste tu que as fizeste. Que dirás então?» Desta ou de outra maneira, tal como o medo e a confiança se infundem no espírito das crianças, deve o homem submetê-la aos seus desejos.
Na segunda e na terceira noite, depois de a confiança dela ter aumentado ainda mais, ele deve afagar-lhe todo o corpo com as mãos e beijá-la por toda a parte; deve também pôr as mãos sobre as coxas dela e massajá-las e, se for bem sucedido, deve então massajar-lhe a junção das coxas. Se ela tentar impedi-lo, deve indagar-lhe: «Que mal há nisso?», e persuadi-la a deixá-lo continuar. Depois de conseguir este objectivo, ele deve tocar-lhe as partes íntimas, desapertar-lhe o cinto e o laço do vestido e, levantando as suas roupas de baixo, afagar-lhe as junções das coxas desnudadas.
O homem deve fazer todas estas coisas sobre pretextos, mas não deve nessa altura iniciar a união sexual propriamente dita. Deve, a partir desse momento, ensinar-lhe as sessenta e quatro artes, dizer-lhe quanto a ama e descrever-lhe as esperanças que anteriormente alimentava em relação a ela. Deve também prometer-lhe ser fiel no futuro e dissipar todos os seus receios com respeito a mulheres rivais; por fim, depois de ter vencido a sua timidez, deve começar a gozá-la de maneira que não a amedronte. Tal é a forma de inspirar confiança a uma rapariga. Existem, além disso, alguns versículos sobre este tema, que transcrevemos:
«O homem que proceda de acordo com as inclinações da jovem deve procurar conquistá-la para que ela possa amá-lo e depositar nele a sua confiança. O homem não é bem sucedido nem seguindo cegamente a inclinação da jovem, nem opondo-se-lhe completamente; deve, por conseguinte, adoptar um meio-termo. Aquele que sabe fazer-se amar pelas mulheres, assim como contribuir para a sua dignidade e criar confiança nelas, tem assegurado o seu amor. Porém, aquele que não devota a sua atenção à jovem, pensando que ela é demasiado tímida, é desprezado por ela por não compreender o espírito feminino. Além disso, a jovem desfrutada à força por um homem que não compreenda os corações femininos toma-se nervosa, inquieta e abatida e, repentinamente, começa a detestar o homem que se aproveitou dela. Então, como o seu amor não é compreendido nem retribuído, ela desespera e abomina o sexo masculino em geral ou, odiando o seu próprio homem, recorre a outros homens.»

VATSYAYANA
E agora algumas palavras a respeito do autor desta obra, o bom e velho sábio Vatsyayana. Muito há a lamentar que a sua vida se mantenha envolta em completo mistério. No fim da parte VII, ele próprio declara que compôs a obra quando levava a vida de estudante religioso (provavelmente em Benares), inteiramente entregue à contemplação da divindade. Já deveria; portanto, ter atingido uma certa idade por essa altura, uma vez que ao longo de toda a obra ele coloca à nossa disposição os frutos da sua experiência, as suas opiniões, as quais trazem consigo mais um cunho de maturidade do que de juventude. Na verdade, é muito pouco provável que a obra tenha sido escrita por um jovem.
Num belo versículo dos Vedas dos cristãos fala-se dos defuntos, que repousam em paz e cujas obras os julguem. Na realidade, assim é; as obras dos homens de génio seguem-nos e permanecem como um tesouro perene e, embora possa haver controvérsias e discussões acerca da imortalidade do corpo ou da alma, ninguém poderá negar a imortalidade do génio, que permanece como uma brilhante estrela orientadora para a esforçada humanidade de épocas posteriores. Esta obra, que resistiu à provação dos séculos, colocou Vatsyayana entre os imortais e não poderá escrever-se melhor elegia ou elogio sobre Isto e sobre Ele do que os seguintes versos:

“Enquanto os lábios puderem beijar e os olhos ver,
Assim viverá Isto e Isto dar-te-á vida.”

Kama Sutra

Quem chega aos 30 anos sem ter lido o Kama Sutra de Vatsyayana não merece o pão que come!
Mas aqui a coisa complica-se; em geral nas livrarias o que há é textos, ao gosto do público, e vagamente inspirados no Kama Sutra de Vatsyayana.
Para começar o Kama Sutra é um livro de sutras sagrados sobre o Kama (http://en.wikipedia.org/wiki/Kama) por isso não esperem posições sexuais ou imagens de moçoilas de perna aberta. O Kama Sutra não tem imagens nem posições sexuais (*)!, se o vosso tinha dessas maxmanzices/mulhermodernices, lixo com ele!
Por puro deleite intelectual aqui ficam algumas passagens que me surpreendem, incomodam, comovem ou deliciam, começo pela introdução.

INTRODUÇÃO:
Na literatura de todos os países encontrar-se-ão um certo número de obras que versam especialmente sobre o amor. Em todas elas, este tema é analisado de maneira diferente e de diversos pontos de Vista. A presente obra tem como propósito dar uma tradução completa daquela que é considerada a obra-padrão sobre o amor na literatura sanscrítica e que tem por título Vatsyayana Kama Sutra, ou Aforismos sobre o Amor, de Vatsyayana.
A introdução apresentará os dados relativos à data em que a obra foi escrita e incluirá os comentários que lhe dizem respeito; os capítulos seguintes incluirão uma tradução da própria obra. Toma-se, contudo, conveniente fazer aqui uma breve análise de outras obras do mesmo género, compostas por autores que viveram e escreveram anos depois do desaparecimento de Vatsyayana, mas que o consideravam ainda a grande autoridade e sempre o citaram como o principal guia para a literatura erótica hindu.
Além do tratado de Vatsyayana, são as seguintes as obras sobre o mesmo tema que ainda se podem encontrar actualmente na Índia:
Ratirahasya, ou Segredos do Amor;
Panchasakya, ou As Cinco Setas;
Smara Pradipa, ou A luz, do Amor;
Ratimanjari, ou A Grinâldado Amor:
Rasnanjari; ou o Rebento do Amor;
Anulga Runga, ou o Palco do Amor, também chamada Kamaledhiplava, ou Um Barco no Oceano do Amor.

NÃO SE DEVERÃO DESFRUTAR AS SEGUINTES MULHERES:
As leprosas;
As dementes;
As mulheres que foram expulsas da sua casta;
As mulheres que revelam segredos;
As mulheres que expressam publicamente desejo de ter relações sexuais;
As mulheres extremamente brancas;
As mulheres extremamente escuras;
As mulheres que cheiram mal;
As mulheres que sejam parentes próximas;
As mulheres com quem se tenham laços de amizade;
As mulheres que vivam asceticamente;
Finalmente, as esposas de um parente, de um amigo, de um brâmane erudito ou do rei.

Os discípulos de Babhravya dizem que toda a mulher que tenha sido gozada por cinco homens pode ser justa e adequadamente desfrutada por outros. Todavia, Gonikaputra é de opinião que, mesmo neste caso, deverão exceptuar-se as mulheres de um parente, de um brâmane erudito ou de um rei.



DO MODO DE INICIAR E ACABAR A UNIÃO SEXUAL.
DIFERENTES TIPOS DE UNIÃO SEXUAL
E DE DISPUTAS AMOROSAS
Na sala do prazer, decorada com flores e aromatizada com fragrâncias, o cidadão, na companhia dos seus amigos e criados, receberá a mulher, que se apresentará adequadamente vestida e ainda fresca do banho, e convidá-la-á a descansar e a beber livremente. Fá-la-á sentar-se à sua esquerda e, tomando-lhe os cabelos e tocando-lhe também a extremidade e o laço do vestido, abraçá-la-á delicadamente com o braço direito. Ambos entabularão seguidamente uma conversa agradável sobre vários tópicos, podendo também conversar dissimuladamente acerca de coisas consideradas grosseiras ou que não deveriam, em princípio, ser mencionadas em sociedade. Poderão ainda cantar, com ou sem gestos, tocar instrumentos musicais, conversar sobre as artes e instigar-se mutuamente a beber. Finalmente, quando a mulher já não puder reter por mais tempo o seu amor e o seu desejo, o cidadão despedirá as pessoas que possam estar com ele, dando-lhes flores, unguentos e folhas de bétel; então, quando os dois ficarem sós; deverão proceder conforme o exposto nos capítulos precedentes.
Tal é o começo da união sexual. No fim da união, os amantes, com pudor e sem olharem um para o outro, deverão ir separadamente à sala de banho. Seguidamente, sentados nos lugares que ocupavam, deverão comer algumas folhas de bétel, e o cidadão, com a sua própria mão, aplicará no corpo da mulher um unguento puro de sândalo onde qualquer outra espécie. Ele enlaçá-la-á então com abraço esquerdo e, com palavras agradáveis, deve dar-lhe de beber de uma taça que segura na sua própria mão; ou poderá oferecer-lhe simplesmente água. Poderão depois comer doçarias ou qualquer outra coisa, de acordo com os seus gostos e beber sumos frescos, sopa, tisana, extractos de carne, sorvetes, sumo de manga, sumo de cidra açucarado ou qualquer coisa que seja apreciada nas diferentes regiões e conhecida por ser doce, agradável e pura. Os amantes podem também sentar-se no terraço do palácio ou da casa e apreciar o luar, entabulando uma conversa agradável. Nesta altura, enquanto a mulher se reclina no seu colo, com o rosto , virado para a Lua, o cidadão deve mostrar-lhe os diferentes planetas, a estrela de alva, a Estrela Polar e as sete Rishis, ou Ursa Maior.
Assim termina a união sexual.

São os seguintes os tipos de união sexual:
União de amor;
União de amor subsequente;
União de amor artificial;
União de amor transferido;
União à semelhança dos eunucos;
União enganosa;
União de amor espontâneo,

Quando um homem e uma mulher que se amam há algum tempo conseguem estar juntos, apesar de grandes dificuldades, ou quando um deles regressa de uma viagem, ou se reconciliam depois de uma desavença, então a união chama-se a união de amor. Os dois amantes praticam-na segundo os ditames da fantasia e durante o tempo que lhes aprouver.
Quando duas pessoas se unem enquanto o seu amor está ainda na infância, a esta união dá-se o nome de união de amor subsequente.
Quando O homem se entrega ao acto sexual excitando-se por meio das sessenta e quatro formas possíveis, como o beijo; etc., ou quando um homem e uma mulher praticam o acto carnal, conquanto na realidade estejam vinculados a pessoas diferentes, dá-se a união de amor artificial. Devem utilizar-se neste caso todos os procedimentos e meios mencionados na Kama Sutra.
Quando o homem, do principio ao fim da união carnal com uma mulher, não deixe de pensar que está gozando uma outra a quem realmente ama chama-se união de amor transferido.
A união sexual entre um homem e uma aguadeira ou uma criada de casta inferior à sua que dure até à satisfação do desejo denomina-se união à semelhança dos eunucos. Não deverão empregar-se nestas circunstâncias as carícias, os beijos e a manipulação.
A união sexual entre uma cortesã e um camponês, ou entre cidadãos e mulheres das aldeias ou de regiões limítrofes, dá-se o nome de união enganosa.
Ao acto sexual praticado por duas pessoas que se sentem mutuamente atraídas e de acordo com os seus próprios gostos chama-se união espontânea.
Assim terminam os tipos de união sexual.

Falemos agora das disputas de amor.
A mulher que ame apaixonadamente um homem não suporta que pronunciem na sua presença o nome da rival, que tenham uma conversa a seu respeito, ou ainda chamem pelo nome daquela. Se tal acontece, desencadeia-se uma grande desavença; a mulher solta gritos, encoleriza-se, desgrenha-se, bate no amante, deixa-se cair da cama ou do assento e, lançando por terra as suas grinaldas e ornamentos, jorra-se ao chão.
Nesta altura, o amante tentará aplacá-la com palavras conciliatórias, levantá-la com delicadeza e pô-la na cama. Mas ela, ignorando as perguntas dele e dominada por uma ira crescente, curvar-lhe-á a cabeça, puxando-lhe o cabelo, e, depois de lhe ter dado pontapés repetidos nos braços, na cabeça, no peito ou nas costas, dirigir-se-á para a porta do aposento. Dattaka afirma que ela deve então sentar-se com ar colérico junto da porta e derramar lágrimas; não deverá, porém, sair para não prevaricar ela própria. Algum tempo depois, quando considerar que o amante mais não pode dizer ou fazer para a conciliar, deve então abraçá-lo, falando-lhe com palavras severas e recriminatórias; mas, deixando ao mesmo tempo transparecer um vivo desejo de ter relações sexuais com, ele.
Quando a mulher se encontra na sua própria casa e discutiu com o amante, deverá procurá-lo, mostrar-lhe toda a sua cólera e deixá-lo. Depois de o cidadão haver enviado o Vita, o Vidushaka ou o Pithamarda para a apaziguar, ela deverá acompanhá-los de volta a casa e passar a noite com o ,amante.
Assim terminam as querelas de amor.

DA CONFIANÇA A INSPIRAR À JOVEM:
Durante os primeiros três dias a seguir ao casamento, marido e mulher devem dormir no chão, abster-se de prazeres sexuais e comer os seus alimentos sem os temperar, seja com álcali, seja com sal. Durante os sete dias seguintes, devem banhar-se ao som harmonioso de instrumentos musicais, adornar-se, jantar juntos e dar atenção aos seus parentes, bem como àquelas pessoas que tenham vindo assistir ao casamento. Estes conselhos destinam-se às pessoas de todas as castas. Na noite do décimo dia, o homem deve começar a falar à jovem esposa com palavras meigas, num local solitário, procurando assim inspirar-lhe confiança. Alguns autores opinam que, para a conquistar, não deve falar-lhe durante três dias, mas os discípulos de Babhravya são de opinião que, se o homem não lhe dirigir a palavra durante esse tempo, a jovem poderá sentir-se desanimada ao vê-lo inerte como uma estátua e que, desiludida, poderá desprezá-lo como a um eunuco. Vatsyayana afirma que o homem deve começar por conquistá-la e inspirar-lhe confiança, abstendo-se no entanto, a princípio, dos prazeres sexuais. As mulheres,precisamente porque são de natureza tema, precisam de prelúdios ternos; por outro lado, quando são violentadas por homens com quem ainda não se sentem muito familiarizadas, começarão a odiar subitamente as relações sexuais e por vezes mesmo o sexo masculino. O homem deverá, por conseguinte, abordar a jovem segundo as preferências dela e adoptar os procedimentos que lhe possibilitem insinuar-se cada vez mais na sua confiança. São os seguintes esses procedimentos:
Deve começar por abraçá-la da forma que ela prefira, já que isso não dura muito tempo.
Deve abraçá-la com a parte superior do corpo, porque isso é mais fácil e natural. Se a jovem já atingiu a maturidade, ou se o homem a conhece há algum tempo, pode abraçá-la à luz de um candeeiro; contudo, se não se sente muito à vontade com ela, ou se ela é muito jovem, deve então abraçá-la às escuras.
Quando a rapariga aceitar o abraço, o homem deve meter-lhe na boca uma tambula, ou uma porção de nozes e folhas de bétel; se ela o recusar, deve convencê-la a fazê-lo com palavras conciliadoras, súplicas e juramentos; finalmente deve ajoelhar-se a seus pés, já que constitui regra universal o facto de uma mulher, por mais acanhada ou zangada que possa estar, nunca deixar de ar atenção ao homem que ajoelhe a seus pés. No momento em que e esta tambula, ele deve beijar-lhe a boca terna e delicadamente, sem emitir nenhum som. Quando ela se mostrar dócil aos seus beijos, ele deve induzi-la a falar; para tanto, deve fazer-lhe perguntas sobre coisas a respeito das quais ele não saiba ou finja não saber nada e que exijam uma resposta lacónica. Se ela se conservar muda, não deve assustá-la; deve, sim, perguntar-lhe a mesma coisa muitas vezes e em tom conciliador. Se ela persistir no seu mutismo, ele deve pedir-lhe insistentemente que lhe responda, porque, como diz Ghotakamukha, «as raparigas ouvem tudo o que os homens lhes dizem, embora eles próprios não digam por vezes uma única palavra». Instigada deste modo, a jovem deve responder com acenos de cabeça; porém, se se tiver alterado com o homem, não deve sequer fazer isso. Quando o homem lhe perguntar se ela o deseja e se gosta dele, ela deve conservar-se silenciosa durante muito tempo; finalmente, instigada a responder, deverá fazê-lo favoravelmente com um aceno de cabeça. Se o homem conhecer a jovem desde antes do casamento, deve conversar com ela por intermédio de uma amiga que se lhe mostre favorável e, sendo da confiança de ambos, mantenha urna conversa entre eles. Nessas ocasiões, a rapariga deve sorrir com a cabeça baixa e, caso a amiga disser mais pela sua parte do que ela desejava que dissesse, deve censurá-la e discutir com ela. A amiga deve dizer, por brincadeira, mesmo o que a rapariga não deseja que ela diga e acrescentar: «Ela disse isso!»; ao que a rapariga replicará em tom precipitado mas cativante: «Oh, não! Eu não disse isso»; e deve então sorrir e lançar uma olhadela ocasional na direcção do homem.
Se a jovem conhecer bem o homem, deve colocar perto dele, sem nada dizer, a tambula, o unguento ou a grinalda que ele possa ter pedido, ou poderá prendê-los à parte superior das suas vestes.
O homem deve, entretanto, tocar os jovens seios da esposa, fazendo sobre eles pressão com as unhas, e, se ela o impedir, deve dizer-lhe: «Não volto a fazê-lo se me abraçares», levando-a deste modo a abraçá-lo. Enquanto ela o abraça, ele deve passar-lhe repetidamente a mão por todo o corpo. Então, suavemente, deve sentá-la no colo e tentar cada vez mais obter o seu consentimento; se ela se lhe entregar, deve assustá-la com as seguintes palavras: «Imprimirei marcas dos meus dentes e unhas nos teus lábios e seios e farei marcas idênticas no meu próprio corpo; direi os meus amigos que foste tu que as fizeste. Que dirás então?» Desta ou de outra maneira, tal como o medo e a confiança se infundem no espírito das crianças, deve o homem submetê-la aos seus desejos.
Na segunda e na terceira noite, depois de a confiança dela ter aumentado ainda mais, ele deve afagar-lhe todo o corpo com as mãos e beijá-la por toda a parte; deve também pôr as mãos sobre as coxas dela e massajá-las e, se for bem sucedido, deve então massajar-lhe a junção das coxas. Se ela tentar impedi-lo, deve indagar-lhe: «Que mal há nisso?», e persuadi-la a deixá-lo continuar. Depois de conseguir este objectivo, ele deve tocar-lhe as partes íntimas, desapertar-lhe o cinto e o laço do vestido e, levantando as suas roupas de baixo, afagar-lhe as junções das coxas desnudadas.
O homem deve fazer todas estas coisas sobre pretextos, mas não deve nessa altura iniciar a união sexual propriamente dita. Deve, a partir desse momento, ensinar-lhe as sessenta e quatro artes, dizer-lhe quanto a ama e descrever-lhe as esperanças que anteriormente alimentava em relação a ela. Deve também prometer-lhe ser fiel no futuro e dissipar todos os seus receios com respeito a mulheres rivais; por fim, depois de ter vencido a sua timidez, deve começar a gozá-la de maneira que não a amedronte. Tal é a forma de inspirar confiança a uma rapariga. Existem, além disso, alguns versículos sobre este tema, que transcrevemos:
«O homem que proceda de acordo com as inclinações da jovem deve procurar conquistá-la para que ela possa amá-lo e depositar nele a sua confiança. O homem não é bem sucedido nem seguindo cegamente a inclinação da jovem, nem opondo-se-lhe completamente; deve, por conseguinte, adoptar um meio-termo. Aquele que sabe fazer-se amar pelas mulheres, assim como contribuir para a sua dignidade e criar confiança nelas, tem assegurado o seu amor. Porém, aquele que não devota a sua atenção à jovem, pensando que ela é demasiado tímida, é desprezado por ela por não compreender o espírito feminino. Além disso, a jovem desfrutada à força por um homem que não compreenda os corações femininos toma-se nervosa, inquieta e abatida e, repentinamente, começa a detestar o homem que se aproveitou dela. Então, como o seu amor não é compreendido nem retribuído, ela desespera e abomina o sexo masculino em geral ou, odiando o seu próprio homem, recorre a outros homens.»

VATSYAYANA
E agora algumas palavras a respeito do autor desta obra, o bom e velho sábio Vatsyayana. Muito há a lamentar que a sua vida se mantenha envolta em completo mistério. No fim da parte VII, ele próprio declara que compôs a obra quando levava a vida de estudante religioso (provavelmente em Benares), inteiramente entregue à contemplação da divindade. Já deveria; portanto, ter atingido uma certa idade por essa altura, uma vez que ao longo de toda a obra ele coloca à nossa disposição os frutos da sua experiência, as suas opiniões, as quais trazem consigo mais um cunho de maturidade do que de juventude. Na verdade, é muito pouco provável que a obra tenha sido escrita por um jovem.
Num belo versículo dos Vedas dos cristãos fala-se dos defuntos, que repousam em paz e cujas obras os julguem. Na realidade, assim é; as obras dos homens de génio seguem-nos e permanecem como um tesouro perene e, embora possa haver controvérsias e discussões acerca da imortalidade do corpo ou da alma, ninguém poderá negar a imortalidade do génio, que permanece como uma brilhante estrela orientadora para a esforçada humanidade de épocas posteriores. Esta obra, que resistiu à provação dos séculos, colocou Vatsyayana entre os imortais e não poderá escrever-se melhor elegia ou elogio sobre Isto e sobre Ele do que os seguintes versos:

“Enquanto os lábios puderem beijar e os olhos ver,
Assim viverá Isto e Isto dar-te-á vida.”

Kama Sutra

Quem chega aos 30 anos sem ter lido o Kama Sutra de Vatsyayana não merece o pão que come!
Mas aqui a coisa complica-se; em geral nas livrarias o que há é textos, ao gosto do público, e vagamente inspirados no Kama Sutra de Vatsyayana.
Para começar o Kama Sutra é um livro de sutras sagrados sobre o Kama (http://en.wikipedia.org/wiki/Kama) por isso não esperem posições sexuais ou imagens de moçoilas de perna aberta. O Kama Sutra não tem imagens nem posições sexuais (*)!, se o vosso tinha dessas maxmanzices/mulhermodernices, lixo com ele!
Por puro deleite intelectual aqui ficam algumas passagens que me surpreendem, incomodam, comovem ou deliciam, começo pela introdução.


INTRODUÇÃO:
Na literatura de todos os países encontrar-se-ão um certo número de obras que versam especialmente sobre o amor. Em todas elas, este tema é analisado de maneira diferente e de diversos pontos de Vista. A presente obra tem como propósito dar uma tradução completa daquela que é considerada a obra-padrão sobre o amor na literatura sanscrítica e que tem por título Vatsyayana Kama Sutra, ou Aforismos sobre o Amor, de Vatsyayana.
A introdução apresentará os dados relativos à data em que a obra foi escrita e incluirá os comentários que lhe dizem respeito; os capítulos seguintes incluirão uma tradução da própria obra. Toma-se, contudo, conveniente fazer aqui uma breve análise de outras obras do mesmo género, compostas por autores que viveram e escreveram anos depois do desaparecimento de Vatsyayana, mas que o consideravam ainda a grande autoridade e sempre o citaram como o principal guia para a literatura erótica hindu.
Além do tratado de Vatsyayana, são as seguintes as obras sobre o mesmo tema que ainda se podem encontrar actualmente na Índia:
Ratirahasya, ou Segredos do Amor;
Panchasakya, ou As Cinco Setas;
Smara Pradipa, ou A luz, do Amor;
Ratimanjari, ou A Grinâldado Amor:
Rasnanjari; ou o Rebento do Amor;
Anulga Runga, ou o Palco do Amor, também chamada Kamaledhiplava, ou Um Barco no Oceano do Amor.

NÃO SE DEVERÃO DESFRUTAR AS SEGUINTES MULHERES:
As leprosas;
As dementes;
As mulheres que foram expulsas da sua casta;
As mulheres que revelam segredos;
As mulheres que expressam publicamente desejo de ter relações sexuais;
As mulheres extremamente brancas;
As mulheres extremamente escuras;
As mulheres que cheiram mal;
As mulheres que sejam parentes próximas;
As mulheres com quem se tenham laços de amizade;
As mulheres que vivam asceticamente;
Finalmente, as esposas de um parente, de um amigo, de um brâmane erudito ou do rei.

Os discípulos de Babhravya dizem que toda a mulher que tenha sido gozada por cinco homens pode ser justa e adequadamente desfrutada por outros. Todavia, Gonikaputra é de opinião que, mesmo neste caso, deverão exceptuar-se as mulheres de um parente, de um brâmane erudito ou de um rei.


DO MODO DE INICIAR E ACABAR A UNIÃO SEXUAL.
DIFERENTES TIPOS DE UNIÃO SEXUAL
E DE DISPUTAS AMOROSAS
Na sala do prazer, decorada com flores e aromatizada com fragrâncias, o cidadão, na companhia dos seus amigos e criados, receberá a mulher, que se apresentará adequadamente vestida e ainda fresca do banho, e convidá-la-á a descansar e a beber livremente. Fá-la-á sentar-se à sua esquerda e, tomando-lhe os cabelos e tocando-lhe também a extremidade e o laço do vestido, abraçá-la-á delicadamente com o braço direito. Ambos entabularão seguidamente uma conversa agradável sobre vários tópicos, podendo também conversar dissimuladamente acerca de coisas consideradas grosseiras ou que não deveriam, em princípio, ser mencionadas em sociedade. Poderão ainda cantar, com ou sem gestos, tocar instrumentos musicais, conversar sobre as artes e instigar-se mutuamente a beber. Finalmente, quando a mulher já não puder reter por mais tempo o seu amor e o seu desejo, o cidadão despedirá as pessoas que possam estar com ele, dando-lhes flores, unguentos e folhas de bétel; então, quando os dois ficarem sós; deverão proceder conforme o exposto nos capítulos precedentes.
Tal é o começo da união sexual. No fim da união, os amantes, com pudor e sem olharem um para o outro, deverão ir separadamente à sala de banho. Seguidamente, sentados nos lugares que ocupavam, deverão comer algumas folhas de bétel, e o cidadão, com a sua própria mão, aplicará no corpo da mulher um unguento puro de sândalo onde qualquer outra espécie. Ele enlaçá-la-á então com abraço esquerdo e, com palavras agradáveis, deve dar-lhe de beber de uma taça que segura na sua própria mão; ou poderá oferecer-lhe simplesmente água. Poderão depois comer doçarias ou qualquer outra coisa, de acordo com os seus gostos e beber sumos frescos, sopa, tisana, extractos de carne, sorvetes, sumo de manga, sumo de cidra açucarado ou qualquer coisa que seja apreciada nas diferentes regiões e conhecida por ser doce, agradável e pura. Os amantes podem também sentar-se no terraço do palácio ou da casa e apreciar o luar, entabulando uma conversa agradável. Nesta altura, enquanto a mulher se reclina no seu colo, com o rosto , virado para a Lua, o cidadão deve mostrar-lhe os diferentes planetas, a estrela de alva, a Estrela Polar e as sete Rishis, ou Ursa Maior.
Assim termina a união sexual.

São os seguintes os tipos de união sexual:
União de amor;
União de amor subsequente;
União de amor artificial;
União de amor transferido;
União à semelhança dos eunucos;
União enganosa;
União de amor espontâneo,

Quando um homem e uma mulher que se amam há algum tempo conseguem estar juntos, apesar de grandes dificuldades, ou quando um deles regressa de uma viagem, ou se reconciliam depois de uma desavença, então a união chama-se a união de amor. Os dois amantes praticam-na segundo os ditames da fantasia e durante o tempo que lhes aprouver.
Quando duas pessoas se unem enquanto o seu amor está ainda na infância, a esta união dá-se o nome de união de amor subsequente.
Quando O homem se entrega ao acto sexual excitando-se por meio das sessenta e quatro formas possíveis, como o beijo; etc., ou quando um homem e uma mulher praticam o acto carnal, conquanto na realidade estejam vinculados a pessoas diferentes, dá-se a união de amor artificial. Devem utilizar-se neste caso todos os procedimentos e meios mencionados na Kama Sutra.
Quando o homem, do principio ao fim da união carnal com uma mulher, não deixe de pensar que está gozando uma outra a quem realmente ama chama-se união de amor transferido.
A união sexual entre um homem e uma aguadeira ou uma criada de casta inferior à sua que dure até à satisfação do desejo denomina-se união à semelhança dos eunucos. Não deverão empregar-se nestas circunstâncias as carícias, os beijos e a manipulação.
A união sexual entre uma cortesã e um camponês, ou entre cidadãos e mulheres das aldeias ou de regiões limítrofes, dá-se o nome de união enganosa.
Ao acto sexual praticado por duas pessoas que se sentem mutuamente atraídas e de acordo com os seus próprios gostos chama-se união espontânea.
Assim terminam os tipos de união sexual.

Falemos agora das disputas de amor.
A mulher que ame apaixonadamente um homem não suporta que pronunciem na sua presença o nome da rival, que tenham uma conversa a seu respeito, ou ainda chamem pelo nome daquela. Se tal acontece, desencadeia-se uma grande desavença; a mulher solta gritos, encoleriza-se, desgrenha-se, bate no amante, deixa-se cair da cama ou do assento e, lançando por terra as suas grinaldas e ornamentos, jorra-se ao chão.
Nesta altura, o amante tentará aplacá-la com palavras conciliatórias, levantá-la com delicadeza e pô-la na cama. Mas ela, ignorando as perguntas dele e dominada por uma ira crescente, curvar-lhe-á a cabeça, puxando-lhe o cabelo, e, depois de lhe ter dado pontapés repetidos nos braços, na cabeça, no peito ou nas costas, dirigir-se-á para a porta do aposento. Dattaka afirma que ela deve então sentar-se com ar colérico junto da porta e derramar lágrimas; não deverá, porém, sair para não prevaricar ela própria. Algum tempo depois, quando considerar que o amante mais não pode dizer ou fazer para a conciliar, deve então abraçá-lo, falando-lhe com palavras severas e recriminatórias; mas, deixando ao mesmo tempo transparecer um vivo desejo de ter relações sexuais com, ele.
Quando a mulher se encontra na sua própria casa e discutiu com o amante, deverá procurá-lo, mostrar-lhe toda a sua cólera e deixá-lo. Depois de o cidadão haver enviado o Vita, o Vidushaka ou o Pithamarda para a apaziguar, ela deverá acompanhá-los de volta a casa e passar a noite com o ,amante.
Assim terminam as querelas de amor.

DA CONFIANÇA A INSPIRAR À JOVEM:
Durante os primeiros três dias a seguir ao casamento, marido e mulher devem dormir no chão, abster-se de prazeres sexuais e comer os seus alimentos sem os temperar, seja com álcali, seja com sal. Durante os sete dias seguintes, devem banhar-se ao som harmonioso de instrumentos musicais, adornar-se, jantar juntos e dar atenção aos seus parentes, bem como àquelas pessoas que tenham vindo assistir ao casamento. Estes conselhos destinam-se às pessoas de todas as castas. Na noite do décimo dia, o homem deve começar a falar à jovem esposa com palavras meigas, num local solitário, procurando assim inspirar-lhe confiança. Alguns autores opinam que, para a conquistar, não deve falar-lhe durante três dias, mas os discípulos de Babhravya são de opinião que, se o homem não lhe dirigir a palavra durante esse tempo, a jovem poderá sentir-se desanimada ao vê-lo inerte como uma estátua e que, desiludida, poderá desprezá-lo como a um eunuco. Vatsyayana afirma que o homem deve começar por conquistá-la e inspirar-lhe confiança, abstendo-se no entanto, a princípio, dos prazeres sexuais. As mulheres,precisamente porque são de natureza tema, precisam de prelúdios ternos; por outro lado, quando são violentadas por homens com quem ainda não se sentem muito familiarizadas, começarão a odiar subitamente as relações sexuais e por vezes mesmo o sexo masculino. O homem deverá, por conseguinte, abordar a jovem segundo as preferências dela e adoptar os procedimentos que lhe possibilitem insinuar-se cada vez mais na sua confiança. São os seguintes esses procedimentos:
Deve começar por abraçá-la da forma que ela prefira, já que isso não dura muito tempo.
Deve abraçá-la com a parte superior do corpo, porque isso é mais fácil e natural. Se a jovem já atingiu a maturidade, ou se o homem a conhece há algum tempo, pode abraçá-la à luz de um candeeiro; contudo, se não se sente muito à vontade com ela, ou se ela é muito jovem, deve então abraçá-la às escuras.
Quando a rapariga aceitar o abraço, o homem deve meter-lhe na boca uma tambula, ou uma porção de nozes e folhas de bétel; se ela o recusar, deve convencê-la a fazê-lo com palavras conciliadoras, súplicas e juramentos; finalmente deve ajoelhar-se a seus pés, já que constitui regra universal o facto de uma mulher, por mais acanhada ou zangada que possa estar, nunca deixar de ar atenção ao homem que ajoelhe a seus pés. No momento em que e esta tambula, ele deve beijar-lhe a boca terna e delicadamente, sem emitir nenhum som. Quando ela se mostrar dócil aos seus beijos, ele deve induzi-la a falar; para tanto, deve fazer-lhe perguntas sobre coisas a respeito das quais ele não saiba ou finja não saber nada e que exijam uma resposta lacónica. Se ela se conservar muda, não deve assustá-la; deve, sim, perguntar-lhe a mesma coisa muitas vezes e em tom conciliador. Se ela persistir no seu mutismo, ele deve pedir-lhe insistentemente que lhe responda, porque, como diz Ghotakamukha, «as raparigas ouvem tudo o que os homens lhes dizem, embora eles próprios não digam por vezes uma única palavra». Instigada deste modo, a jovem deve responder com acenos de cabeça; porém, se se tiver alterado com o homem, não deve sequer fazer isso. Quando o homem lhe perguntar se ela o deseja e se gosta dele, ela deve conservar-se silenciosa durante muito tempo; finalmente, instigada a responder, deverá fazê-lo favoravelmente com um aceno de cabeça. Se o homem conhecer a jovem desde antes do casamento, deve conversar com ela por intermédio de uma amiga que se lhe mostre favorável e, sendo da confiança de ambos, mantenha urna conversa entre eles. Nessas ocasiões, a rapariga deve sorrir com a cabeça baixa e, caso a amiga disser mais pela sua parte do que ela desejava que dissesse, deve censurá-la e discutir com ela. A amiga deve dizer, por brincadeira, mesmo o que a rapariga não deseja que ela diga e acrescentar: «Ela disse isso!»; ao que a rapariga replicará em tom precipitado mas cativante: «Oh, não! Eu não disse isso»; e deve então sorrir e lançar uma olhadela ocasional na direcção do homem.
Se a jovem conhecer bem o homem, deve colocar perto dele, sem nada dizer, a tambula, o unguento ou a grinalda que ele possa ter pedido, ou poderá prendê-los à parte superior das suas vestes.
O homem deve, entretanto, tocar os jovens seios da esposa, fazendo sobre eles pressão com as unhas, e, se ela o impedir, deve dizer-lhe: «Não volto a fazê-lo se me abraçares», levando-a deste modo a abraçá-lo. Enquanto ela o abraça, ele deve passar-lhe repetidamente a mão por todo o corpo. Então, suavemente, deve sentá-la no colo e tentar cada vez mais obter o seu consentimento; se ela se lhe entregar, deve assustá-la com as seguintes palavras: «Imprimirei marcas dos meus dentes e unhas nos teus lábios e seios e farei marcas idênticas no meu próprio corpo; direi os meus amigos que foste tu que as fizeste. Que dirás então?» Desta ou de outra maneira, tal como o medo e a confiança se infundem no espírito das crianças, deve o homem submetê-la aos seus desejos.
Na segunda e na terceira noite, depois de a confiança dela ter aumentado ainda mais, ele deve afagar-lhe todo o corpo com as mãos e beijá-la por toda a parte; deve também pôr as mãos sobre as coxas dela e massajá-las e, se for bem sucedido, deve então massajar-lhe a junção das coxas. Se ela tentar impedi-lo, deve indagar-lhe: «Que mal há nisso?», e persuadi-la a deixá-lo continuar. Depois de conseguir este objectivo, ele deve tocar-lhe as partes íntimas, desapertar-lhe o cinto e o laço do vestido e, levantando as suas roupas de baixo, afagar-lhe as junções das coxas desnudadas.
O homem deve fazer todas estas coisas sobre pretextos, mas não deve nessa altura iniciar a união sexual propriamente dita. Deve, a partir desse momento, ensinar-lhe as sessenta e quatro artes, dizer-lhe quanto a ama e descrever-lhe as esperanças que anteriormente alimentava em relação a ela. Deve também prometer-lhe ser fiel no futuro e dissipar todos os seus receios com respeito a mulheres rivais; por fim, depois de ter vencido a sua timidez, deve começar a gozá-la de maneira que não a amedronte. Tal é a forma de inspirar confiança a uma rapariga. Existem, além disso, alguns versículos sobre este tema, que transcrevemos:
«O homem que proceda de acordo com as inclinações da jovem deve procurar conquistá-la para que ela possa amá-lo e depositar nele a sua confiança. O homem não é bem sucedido nem seguindo cegamente a inclinação da jovem, nem opondo-se-lhe completamente; deve, por conseguinte, adoptar um meio-termo. Aquele que sabe fazer-se amar pelas mulheres, assim como contribuir para a sua dignidade e criar confiança nelas, tem assegurado o seu amor. Porém, aquele que não devota a sua atenção à jovem, pensando que ela é demasiado tímida, é desprezado por ela por não compreender o espírito feminino. Além disso, a jovem desfrutada à força por um homem que não compreenda os corações femininos toma-se nervosa, inquieta e abatida e, repentinamente, começa a detestar o homem que se aproveitou dela. Então, como o seu amor não é compreendido nem retribuído, ela desespera e abomina o sexo masculino em geral ou, odiando o seu próprio homem, recorre a outros homens.»

VATSYAYANA
E agora algumas palavras a respeito do autor desta obra, o bom e velho sábio Vatsyayana. Muito há a lamentar que a sua vida se mantenha envolta em completo mistério. No fim da parte VII, ele próprio declara que compôs a obra quando levava a vida de estudante religioso (provavelmente em Benares), inteiramente entregue à contemplação da divindade. Já deveria; portanto, ter atingido uma certa idade por essa altura, uma vez que ao longo de toda a obra ele coloca à nossa disposição os frutos da sua experiência, as suas opiniões, as quais trazem consigo mais um cunho de maturidade do que de juventude. Na verdade, é muito pouco provável que a obra tenha sido escrita por um jovem.
Num belo versículo dos Vedas dos cristãos fala-se dos defuntos, que repousam em paz e cujas obras os julguem. Na realidade, assim é; as obras dos homens de génio seguem-nos e permanecem como um tesouro perene e, embora possa haver controvérsias e discussões acerca da imortalidade do corpo ou da alma, ninguém poderá negar a imortalidade do génio, que permanece como uma brilhante estrela orientadora para a esforçada humanidade de épocas posteriores. Esta obra, que resistiu à provação dos séculos, colocou Vatsyayana entre os imortais e não poderá escrever-se melhor elegia ou elogio sobre Isto e sobre Ele do que os seguintes versos:

“Enquanto os lábios puderem beijar e os olhos ver,
Assim viverá Isto e Isto dar-te-á vida.”